sexta-feira, 20 de maio de 2016

AFINAL, QUE PAPEL NÓS EDUCADORES ESTAMOS DESEMPENHANDO?

Nas últimas semanas, em alguns Estados brasileiros, alunos de escolas públicas vem ocupando estes estabelecimentos exigindo direitos básicos a que deveriam ter acesso e que lhes são garantidos pela Constituição Federal de 1988, porém, vinte e oito anos depois de sua promulgação, ainda não atende os estudantes como deveria. Esses direitos variam da totalidade da gratuidade do ensino público, da oferta obrigatória e gratuita de alimentação de qualidade, material didático-escolar, transporte, atendimento a saúde e principalmente a qualidade padrão da educação pública. Fora suas reivindicações próprias, ainda reclamam o parcelamento de salários de professores e o não cumprimento da lei do piso salarial para o magistério, onde os docentes ainda recebem abaixo do que foi estabelecido pelo Governo Federal.
Mesmo sabendo da legitimidade das reivindicações dos alunos, que incluem algo que deveria ser reclamado pelo magistério em conjunto, muitas escolas vem reprimindo as manifestações, ameaçando tirar notas, deixá-los infrequentes, marcando provas em meio a um momento delicado como este e até, em alguns casos, chamando a polícia para retirá-los a força dos prédios (sendo que a escola deveria ser a segunda casa do estudante), como já ocorreu em algumas ocasiões. Sobre isso, escrevi recentemente em redes sociais sobre o papel da polícia nessas situações. Acredito que no momento em que a Polícia Militar refletir a quem estão servindo de fato, pararão de retirar estudantes que ocupam escolas públicas e passarão a se juntar a eles, defendendo o direito que eles têm de estarem lá, ajudando inclusive a manter a ordem e inspirando estes jovens. E isso também serve para os professores que, invés de se juntarem a seus estudantes nessas reivindicações totalmente legais e legítimas, preferem reprimi-los ou deixá-los a mercê de sua própria sorte ou consciência para depois ainda julgá-los por algo errado que eventualmente um ou outro, por falta de uma consciência que a família e nós professores deveríamos trabalhar com eles desde a infância ou por falta de maturidade, faça algo errado.
A nível nacional, vivemos um momento delicado de crise política, moral e econômica. Muitas das mudanças que seriam necessárias para nosso país e para nossa sociedade deveriam partir da população e da luta popular pelo fim de questões como a corrupção, a favor da realização de plebiscitos e da realização de políticas que favoreceriam a maioria. Porém, manifestações, protestos e qualquer tipo de rebeldia perante o sistema totalmente deflagrado em que vivemos são mal vistos pela população e taxados de comunistas (mesmo havendo liberalistas entre os revoltosos), subversivos, vagabundos e outros termos pejorativos. Essa cultura da revolta ser algo ruim ainda é herança da Ditadura Civil/Militar ocorrida entre 1964 e 1989, onde qualquer pessoa que discordasse do sistema da época, não importando a ideologia política, ou os membros de movimentos revolucionários eram violentamente reprimidos, torturados e mortos pelo exército.
Gerações anteriores as dos anos 1990 foram totalmente reprimidas por pais, governo e professores (pois, afinal somos formadores de opinião), perdendo justamente aquilo que estes jovens querem nos ensinar nesse momento. Quando reprimimos nossos alunos, estamos descumprindo um dos nossos deveres básicos como professores e que estão presentes nos currículos escolares: a formação de um ser humano crítico e capaz de exercer a cidadania em meio à sociedade onde vive. Não adianta somente querermos que aprendam história, física, matemática e as demais disciplinas de uma maneira que jamais esqueçam, pois, isso é impossível! O verdadeiro legado que o aluno leva consigo da escola para a vida é a lição de convivência social, de respeitar as diferenças, de respeitar as instituições que regulam a sociedade e, principalmente, o que foi citado anteriormente: a capacidade de criticar o sistema e de ser um cidadão que saberá o momento e como agir para fazer a diferença na nossa sociedade! Isso nós, das gerações anteriores, perdemos lá atrás, o que deveria nos mover a protestar e saber que devemos lutar pelo que é certo e justo, pensando no bem comum. Agora, vendo o que nossos alunos estão fazendo e que muitos de nós não tem a coragem de fazer, queremos reprimi-los também como fomos no passado e como somos atualmente pelo governo que nos amedronta com ameaças para seguirmos trabalhando, invés de nos juntarmos e orientarmos eles, servindo de exemplos. Protestar é exercer a cidadania e a forma legal de mostrar seu senso crítico em relação a questões das quais discorda, o que é um direito de todo membro de uma organização social. É cobrar das autoridades públicas a execução da lei e dos deveres tal como deveria ser! Está previsto em lei a legalidade e legitimidade que dão direito ao cidadão de realizar essa atividade!
Estamos realmente exercendo o papel que nos foi dado e que juramos desempenhar ao nos tornarmos educadores?

domingo, 8 de maio de 2016

PALEOMAPAS: A HISTÓRIA DE NOSSO PLANETA

Você já ouviu falar em "paleomapas"? O Geólogo Christopher R. Scotese criou um site onde é possível ver os prováveis mapas da Terra de acordo com suas modificações naturais desde o período Pré-Cambriano (cerca de 4,5 bilhões de anos atrás) até os dias de hoje e, também muito interessante, um estudo mostrando como será o nosso planeta até daqui 250 milhões de anos.
Possível mapa do Período Jurássico (entre 195 a 136 milhões de anos) disponível no site scotese.com. Acesso: 08/05/2016 às 17:10.
Além dessas informações incríveis, tem mais! É possível também observar a História do Clima na Terra. Gráficos mostram os picos de temperatura média entre os períodos ao longo de milhões de anos. Esses picos reforçam a teoria de geólogos que acreditam que o aquecimento global é natural e que seria pretensão humana acreditar que estaria modificando a atmosfera de maneira definitiva.

Gráfico da possível variação climática de nosso planeta ao longo de bilhões de anos disponível no site scotese.com. Acesso: 08/05/2016 às 17:15. 
Muitas outras informações e materiais estão disponíveis no site, aproveite, bons estudos!

Fonte: http://www.scotese.com/

segunda-feira, 21 de março de 2016

DEVEMOS PEDIR GOLPE MILITAR NO BRASIL?

        A História é a Ciência que estuda o desenvolvimento do homem ao longo de sua trajetória durante sua existência. Através da História estudamos e analisamos o passado, para que possamos entender e observar nosso presente e ver as melhores maneiras, através do que testemunhamos, de projetar nosso futuro.
        Para isso, precisamos estudar, porque um povo que não conhece a história do seu país está fadado a repeti-la!
        No Brasil, já tivemos quatro golpes militares... isso mesmo! Quatro golpes desde que nos tornamos república em 1889.
         Vamos contar?
1º - A queda de Dom Pedro II em 1889 que pôs uma junta militar provisória liderada por Deodoro da Fonseca.
Motivos principais: Tentativa de Reforma Agrária e Abolição da Escravidão.

2º - A Revolução de 1930 que colocou Vargas no Poder.
Motivos principais: Coronelismo, Desgoverno econômico, Política do Café-com-leite (alternância do poder entre SP e MG - sim, isso não é nenhuma novidade).

3º - A queda de Vargas em 1945.
Motivos: Como o Brasil apoiou os EUA e as Forças Democráticas Internacionais na Segunda Guerra e vivíamos no Estado Novo (Ditadura Vargas), os militares que colocaram Vargas no poder o derrubam com apoio dos EUA, assumindo como presidente após eleições o General Gaspar Dutra. Ainda tivemos a tentativa de Golpe de 1954 que causou o suicídio de Vargas, somado a corrupção da época.

4º - Golpe de 1964 que depôs João Goulart e instaurou a Ditadura com apoio dos EUA.
Motivos: Tentativa de Reforma Agrária, Política Externa Independente dos EUA, relações comerciais com a URSS, Cuba e China (potências econômicas na época). Ao final da Ditadura, os militares criaram partidos políticos que governam o Brasil até hoje e fizeram parte da Constituição de 1988.

        E ainda algumas pessoas pedem a volta dos militares ao poder e ainda acham que a corrupção atual (que não se compara ao que já tivemos antes) é o único e grande problema do Brasil neste momento.
        Realmente estamos precisando estudar mais a nossa História!

segunda-feira, 14 de março de 2016

CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS ACONTECIMENTOS POLÍTICOS RECENTES

As redes sociais andam ariscas ultimamente. Uma onda de interesse nas discussões políticas vem tomando o país nos últimos tempos e, no mundo virtual, todos tem direito a palavra. A principal causa vem sendo os casos de corrupção do sistema político brasileiro, existentes há 500 anos, mas que parece que somente agora começaram a afetar a população, principalmente os que claramente tem mais condições financeiras (inclusive internet em casa para se pronunciar).
A mídia, que antes era calada, fosse por apoiar os governos anteriores ou simplesmente por ser amordaçada, como nos tempos da Ditadura, contempla este cenário de discórdia que, em algumas pessoas, gera um ódio inigualável, capaz de cegá-las a ponto de apoiar pessoas como o deputado Jair Bolsonaro, do PSC (Partido Social Cristão) – antes do PP (Partido Progressista). Jair é conhecido mundialmente por ser anticomunista, antissemita, machista e homofóbico, títulos pelos quais ele se orgulha e não se dá ao trabalho de contestá-los nem na frente de renomados atores e autores de documentários nacionais e internacionais que vem ao nosso país para entrevistá-lo.
Outro motivo que vem acirrando esse basta que a população quer dar a corrupção são as recentes denúncias envolvendo o ex-presidente Lula e a prisão de todo o alto comando do PT (Partido dos Trabalhadores) do qual ele e a atual Presidente, Dilma Rousseff, fazem parte. As denúncias apresentadas não são nenhuma novidade na política brasileira. Envolvem compra de votos, financiamento de campanha com dinheiro de empresas privadas que posteriormente venciam as obras de licitação do Governo Federal, presentes dados por elas aos candidatos, como o caso do Triplex e o Sítio em Atibaia do Lula. Outros diversos políticos influentes também são denunciados pelas mesmas irregularidades, como o caso de Eduardo Cunha, do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), presidente da Câmara dos Deputados, e Aécio Neves do PSDB (Partido Social Democrático Brasileiro), ex-presidenciável e Senador. Isso não é novidade alguma, visto que 90% dos políticos no Brasil se elegem da mesma maneira: dinheiro de corrupção.
Todo esse rolo também se dá ao fato de que, de um lado, a Presidente Dilma acusa a Câmara e o Senado de não a deixarem governar, pois, depois das denúncias do Mensalão, outro esquema que existia a mais de décadas, a compra de votos ficou mais difícil, complicando para o governo de situação, problema que Lula não teve quando foi Presidente. O partido que tem a maioria na Câmara, no Senado, nos governos estaduais, nos governos municipais e nas vereanças é o PMDB, que também ocupa a vice-presidencia, na figura do Michel Temer, que deveriam ser aliados do governo, mas não são. Isso forçou o governo a tomar medidas impopulares, como o aumento de impostos e retenção de gastos públicos, o que era proposta do candidato da oposição, Aécio Neves, mais para manter seus privilégios e dos interessados em se beneficiar de dinheiro público do que da população. Como sabemos, qualquer partido que governar o Brasil hoje terá um governo com característica Neoliberal, porque a constituição vigente é Neoliberal. Um partido Socialista, portanto de esquerda, só conseguiria governar o país realizando uma reforma política, que certamente seria negada pelo parlamento, ou fazendo uma revolução popular. Para não se tornar reformista, o PT deixou de ser, o que remetia sua origem trotskysta dos anos 1980, socialista e passou a aceitar o neoliberalismo, tal como os outros, porém mais centrista e populista em alguns momentos, no entanto se lambusando nos esquemas existentes de compra de votos, financiamento de campanhas e lavagem de dinheiro. Como muitos líderes do Partido, em especial Olívio Dutra e Tarso Genro admitiram: o PT entrou na vala comum. Esse fato fez com que perdessem grande parte dos intelectuais de esquerda que compunham as fileiras do Partido e muitos dos seus seguidores e admiradores.
Não devemos ser contra nenhum tipo de manifestação, como as ocorridas no dia 13 de março de 2016. Todos têm e devem ter o direito de se manifestar, seja na rua, no facebook ou onde quer que seja. Somos livres (pelo menos enquanto políticos como Jair Bolsonaro não assumirem o poder). O que intelectuais, professores universitários e líderes da esquerda socialista brasileira criticam é a falta de politização da população brasileira (que estaria ligada diretamente a péssima qualidade do ensino fundamental e médio, tanto no setor público quanto no privado). A maioria das pessoas que estavam na rua não sabiam explicar o que significa direita ou esquerda, socialismo ou liberalismo, nem tampouco sabem analisar a economia do Brasil ou quais os reais problemas que fazem nosso sistema político ser e estar como é e como está. Diversos jornalistas saíram às ruas entrevistando as pessoas e isso foi o que se pôde ver. Sair para a rua protestar uma coisa que não sabe explicar é, além de inadimissível, também uma maneira de corrupção. Como foi dito anteriormente, o financiamento privado de campanhas com interesse econômico, financiamento da vida de políticos e beneficiamento de empresas no setor público não é novidade nenhuma para o sistema político brasileiro, mas a população parece que descobriu somente agora porque o assunto se tornou mídia nos últimos anos. Sabiam disso, os militares e a direita, quando redigiram a Constituição de 1988 (neoliberalista e uma das principais causadora de todo o problema discutido neste artigo, pois é ela que rege o sistema político e jurídico do país).
Segundo pesquisa feita pelo jornal Zero Hora (claramente de posicionamento a direita, que nunca negou isso e é natural, afinal é uma empresa privada) 73% dos protestantes não tinham desempregados na família, 76% votaram em Aécio Neves, 48% ganhava mais de 10 salários mínimos, 92% eram brancos (sendo que temos mais de 51% de afrodescendentes no Brasil) e outros dados que nem precisamos citar para embasar o que queríamos propor.
A principal crítica foi que vimos a maior parte dos manifestantes sendo parte da elite brasileira indo às ruas protestar contra o governo, ponto. Nesta elite sabemos que não se encontram a grande maioria da nossa população, juntando todas as capitais eram apenas entre 5 e 2 milhões de pessoas (os números variam entre os da polícia e o dos organizadores), sendo que temos 200 milhões de habitantes no Brasil, a maioria vivendo nas capitais. A maioria da população tem motivos de protestar, também, não só contra a Dilma, o Lula e o PT, mas contra todos os partidos e a corrupção que corroe esse sistema político sujo. Alguns ativistas afirmaram que, se os moradores das favelas, principais afetados por momentos de turbulência como o atual, descessem em peso para o protesto os demais participantes teriam ido para suas casas.
O brasileiro tem péssimos índices em relação a muitos países no que diz respeito, por exemplo, a leitura de livros, que não chega a meio livro por ano, enquanto países muito mais pobres tem uma média entre 5 e 10 livros ao ano. Outro índice preocupante e que tem direta relação com casos de corrupção é a lavagem de dinheiro e o imposto de renda. A grande maioria das pessoas não são honestas na hora de declarar renda, principalmente os mais abonados. Como ir a uma manifestação contra a corrupção caminhando ao lado de corruptos? É uma das perguntas mais levantadas por aqueles que realmente tem sede de mudança num país que vive uma democracia embrionária sem democracia e ainda ameaçada de morrer para o retorno de uma ditadura e com tantos outros problemas políticos que a população, por ignorância, não consegue ver ou entender.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

MATÉRIA SOBRE O LANÇAMENTO DOS LIVROS NA FEIRA DO LIVRO DE BAGÉ - JORNAL MINUANO

No Jornal Minuano de hoje está uma matéria feita comigo pela Jornalista Melissa Louçan a respeito dos livros que lançarei na Feira do Livro de Bagé!

Abaixo o conteúdo da notícia: 

Um dos bajeenses que fará a estreia no mundo literário é o jovem historiador, Ivan Pinheiro. Aos 27 anos, ele fará a estreia em grande estilo, já com duas obras de uma só vez. A primeira é “História do Rio Grande do Sul para Estudantes e Curiosos”.
Cursou Bacharelado em Historia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e graduou-se em Licenciatura em História na Universidade Regional do Noroeste do Estado (UNIJUI), em  2012,  logo  passou  a  atuar como professor da rede pública.
Enquanto adquiria experiências em sala de aula, escrevia sobre os  conteúdos  programáticos para os alunos. Após um tempo, resolveu reunir o material escrito por ele mesmo e utilizar como apostila. “Existe no Estado e no Brasil uma necessidade de livro de História do Rio Grande do Sul para alunos, principalmente do Ensino  Fundamental.  Eu  dava aulas para o 4º ano e não dispunha de material com conteúdo somente de História daqui. Procurei várias editoras e nenhuma tinha. Então resolvi produzir o meu próprio.”, conta.
Após algum tempo, foi refinando e revisando o conteúdo, que  passou  a  ser  utilizado  por outros colegas de profissão. “Usei como apostila durante dois anos. Este ano, a Editora Moderna me procurou para transformá-lo em livro e estamos em negociação".
No entanto, resolvi lançá-lo agora, pela LEB (Livraria e Editora Bajeense),  à  pedido  de  vários colegas, visto que muitos já utilizam em outras escolas”, adianta. Ressalta, ainda, que o conteúdo atende também uma carência da história do Estado para alunos do Ensino Médio e, principalmente, vestibulandos. “No Ensino Médio este não é um dos conteúdos ensinados, mas é um dos pontos mais pedidos nos vestibulares, principalmente o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)”, diz.
No  momento,  Pinheiro está  cursando  o  mestrado  em Patrimônio  Cultural  -  Arqueologia  e  Paleontologia,  também na UFSM. Foi de suas pesquisas para a graduação e mestrado que surgiu a ideia do segundo livro, “Uma Breve História do Forte de Santa Tecla”.
O professor recorda que o assunto  surgiu,  de  forma  mais pronunciada  em  sua  vida,  em 2010.  Enquanto  ainda cursava História,  começou  a  trabalhar como desenhista técnico no projeto  de  pavimentação  da  zona Leste de Bagé para incrementar o orçamento de estudante.
Nessa mesma época, devido a sua área de atuação, foi convidado a fazer parte do projeto de aproveitamento do sítio arqueológico do Forte Santa Tecla, que estava sendo exigido, à época, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Assim, naturalmente o local passou a ser um ponto de interesse para Pinheiro, que o abordou em seu trabalho de conclusão de curso e continua com o sítio arqueológico como ponto de interesse. “Meu TCC acabou sendo a reunião de documentos e artefatos arqueológicos do Forte e minha tese de Mestrado,  na  UFSM,  também é a Arqueologia do Forte Santa Tecla”, ressalta.
As duas obras serão lançadas no dia 11, às 19h, no Espaço Carlos Urbim, da Feira do Livro de Bagé.


domingo, 20 de setembro de 2015

CONVITE PARA O LANÇAMENTO DE DOIS LIVROS

É com imensa satisfação que convido os amigos a compartilharem desse alegre momento comigo! Quem quiser me ajudar, estou fazendo a pré-venda (com desconto - por apenas R$18,00 - e entrega a domicílio na semana de lançamento) para angariar fundos para pagar a gráfica!
Compartilhem, também, para me ajudar!
Até lá!


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

CRITÍCAS O SOCIALISMO, MAS QUAL SOCIALISMO ESTÁS CRITICANDO?

Por Ivan Cesar dos Santos Pinheiro[1]
            Este trabalho é, em tese, superficial e tem por objetivo esclarecer, de maneira compreensível, tanto para acadêmicos iniciantes quanto para leigos, sem perder seu valor histórico e científico, as principais discussões sobre o Socialismo surgidas ao longo dos séculos XVIII, XIX, XX e XXI. É comum, desde o século XVIII, ver pessoas criticando esta ideologia em todas as partes do mundo, principalmente em tempos onde parece que o Capitalismo está enfrentando crises políticas, sociais, financeiras, trabalhistas, relacionadas a corrupção, entre outros. Normalmente os adeptos ao liberalismo armam diversos esquemas de difamação dos socialistas para vetar seu avanço perante o ideário da sociedade em questão. No Brasil, atualmente, se vê, principalmente em manifestações como as que ocorreram no domingo, dia 16 de agosto de 2015, e em redes sociais, pessoas dizendo que “o comunismo deveria ser extinto da face da terra”, devido sua indignação com o governo Dilma Rousseff e o chamado Partido dos Trabalhadores. Comparar o governo brasileiro de Rousseff ao Socialismo, a qualquer das vertentes que seja, é um erro grave e mostra uma enorme falta de conhecimento das teorias políticas ligadas a ele.

DIREITA OU ESQUERDA?

            Os termos “direita” e “esquerda” surgiram na França do século XVIII. Os Jacobinos, liderados por Maximilien Robespierre, defensores das ideias revolucionárias extremistas, sentavam-se a esquerda, na Assembleia. Os Girondinos, conservadores e moderados, defensores, na época, da imposição de uma monarquia constitucionalizada, liderados por Jacques-Pierre Brissot, sentavam-se a direita. No meio ficavam, principalmente, religiosos, nobres e aristocratas.

ORÍGEM DO SOCIALISMO

            O Socialismo surgiu das ideias de filósofos como Claude-Henri Rouvroy, na época da Revolução Francesa, e seguiu com Charles Fourier, Louis Blanc e com o inglês Robert Owen nas décadas seguintes. Tinham uma conclusão diferente do significado real da liberté que os burgueses da revolução ecoavam. Para eles era desigual, a liberdade para alguns não era a mesma para outros. Queriam, principalmente, a igualdade das pessoas perante a lei. Através da racionalidade, queriam expandir o levante criando uma sociedade e um sistema econômico mais humano e igualitário. Suas demais ideias foram classificadas pelos marxistas como utópicas, porque julgavam não propor soluções reais para os problemas da sociedade e da classe trabalhadora na época, além de que alguns deles pensavam que a mudança ocorreria com a boa vontade da burguesia. Por vários motivos os marxistas se denominavam “socialistas científicos”. O trabalho assalariado, para eles, naquele período, seria um estágio posterior ao escravismo, visto que os ganhos eram muito baixos, sendo pouco vantajoso para o trabalhador e muito lucrativo para o capitalista. Embasavam suas teorias na filosofia, economia, história e nas relações de poder que se expandiam, principalmente nas relações trabalhistas, na necessidade da união da classe trabalhadora para tomar o poder, diante da permanente luta de classes em que vivemos, fazendo com que as principais medidas da administração pública fossem direcionadas para as classes menos favorecidas pelo capitalismo, como a sua. 

SOCIALISMO CIENTÍFICO E O MANIFESTO DE 1848

            Karl Marx e Friedrich Engels, em seu Manifesto do Partido Comunista, de 1848, desmentem a invenção de que é desejo do socialismo dividir o dinheiro entre as pessoas de maneira igual no mundo, desvalorizando os que se esforçaram para adquiri-lo. Marx foi bem enfático quando afirma:

"Nós, comunistas, somos criticados sobre a falsa alegação de que queremos suprimir a propriedade pessoal adquirida pelo trabalho individual, a propriedade que constituiria o fundamento de toda a liberdade, de toda a atividade e de toda a independência pessoal. A propriedade fruto do trabalho e do esforço é de mérito pessoal!" (MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. 2001. Pg. 48).

Quem não dá valor ao mérito pessoal, segundo MARX e ENGELS, é o desenvolvimento do comércio e da indústria quando, através das relações de trabalho exploradoras, "suprimiu-a e continua suprimindo-a diariamente" (MARX e ENGELS. 2001. Pg. 48) não valorizando adequadamente o trabalhador. Ainda os autores deixam a pergunta no ar: "será que o trabalho do trabalhador possibilita-lhe criar alguma propriedade" significativa? (MARX e ENGELS. 2001. Pg. 49).
A exploração trabalhista na época foi o que motivou a luta dos marxistas para convencer a classe trabalhadora de questões como a necessidade da mudança daquele panorama onde pessoas trabalhavam até 16 horas por dia, sem nenhum direito a folga ou férias, em péssimas condições de higiene, sem nem ao menos irem ao banheiro, e ainda assim eram chamados de negligentes pelos seus patrões. Seus salários mal compravam o necessário para sua família sobreviver. Crianças e mulheres trabalhavam junto aos homens e ganhavam menos que eles.
Marx e Engels explicavam ao proletariado que só possuíam respeito político aqueles que detinham o capital, portanto o trabalhador jamais assumiria esse papel, consequentemente não teriam representantes que lutassem por sua causa. A mais valia, explicada por eles, mostrava que o suor do trabalhador valia muito mais do que o pequeno salário que recebiam ao final do mês. Aquilo que eles produziam diariamente pagava o material, o seu salário e ainda enriquecia seus patrões. Haviam trabalhadores que ganhavam cerca de 3 ou 4 shillings por semana, o que equivale a 0,15 libras inglesas ou R$0,89, na época.
No Manifesto Comunista, os autores elogiam a burguesia por toda a luta que desbravaram e pelo respeito social que adquiriram, desde o século XIII. Mas, criticam a exploração de seus empregados, quando assumiram o poder. Por isso frisavam a necessidade da classe operária mundial se unir para lutar por seus direitos. Se hoje temos férias, décimo terceiro, dissídio, seguro desemprego e outros benefícios aqui no Brasil, foi porque o marxismo agiu e age até hoje nas relações de trabalho ao redor do mundo. Portanto, os marxistas não queriam acabar com a burguesia, mas fazê-la respeitar o trabalhador, garantindo-lhes condições justas de trabalho e remuneração.
As teorias do Socialismo Científico analisam a história da sociedade pelos aspectos políticos e econômicos, desde o Comunismo Primitivo até o Capitalismo Industrial. Nessa análise explicam que a Luta de Classes é o motor da História da humanidade. A sociedade evolui a cada vez que a classe oprimida derruba o poder da classe opressora tomando a frente da situação.
Outra questão que é distorcida pelos que se dizem de Direita é a chamada ditadura do proletariado proposta por Marx e Engels. Em momento algum eles se referiram a uma ditadura militar e muito menos centralizada, ou seja, com um imperador ou chefe de Estado. Muito pelo contrário, se posicionavam contra a centralização do poder, porque no momento que o poder é centralizado ele para de defender o interesse da população e passa a defender interesses pessoais, mesmo que inconscientemente. Acreditavam que o poder deveria estar nas mãos da classe trabalhadora na forma de conselhos e da consulta popular. Todos deveriam decidir os futuros da nação, de maneira democrática. Por isso não se pode classificar de Socialismo Marxista o que ocorreu na URSS ou em Cuba, por exemplo. Os marxistas jamais disseram ou ao menos insinuaram que a classe trabalhadora deveria chegar ao poder de maneira violenta ou com armas na mão, através de guerrilhas. Defendiam que os trabalhadores deveriam tomar o poder por meios de sua organização política e quando lá estivessem, controlassem os principais meios de garantir a todos as oportunidades iguais, como educação de qualidade gratuita, por exemplo. Somente a oferta de oportunidades igualitárias, independente da classe social do individuo, poderia diminuir a desigualdade instalada através exploração dos operários e dos esquecidos pelo capitalismo, como camponeses e ex-escravos.

SOCIALISMO SOVIÉTICO: UMA GRAVE DISTORÇÃO

Na URSS, com a morte de Lênin, a revolução bolchevique tomou caminhos que jamais foram desejados por seus principais líderes. Joseph Stalin, um brutamontes ignorante, assumiu a liderança da revolução, expulsou o preferido de Lênin, Leon Trotsky, da URSS e ainda matou a esmagadora maioria dos líderes do Partido Comunista. Até sua morte, em 1953, matou mais de 10 milhões de pessoas, manchando com sangue o que poderia ter sido um grande avanço do Socialismo no mundo. Até hoje, infelizmente, por falta de conhecimento, a ideologia é associada e condenada pelo que Stalin fez: um líder que, se nos basearmos no Socialismo desde sua origem, não seguia as principais ideias. A URSS era um estado centralizado, o que Marx condenava, bem como militarista, outro fator que Marx, Engels ou os socialistas franceses jamais concordariam. Stalin se assemelhava mais ao totalitarismo Nazifascista, que se dizia, na loucura de Hitler, o verdadeiro Socialismo, do que ao Científico em suas práticas.

O MODELO CUBANO

Cuba seguiu o modelo do chamado socialismo soviético stalinista. Após a revolução que expulsou os estadunidenses de seu território e derrubou o governo do ditador Fulgêncio Batista, onde a desigualdade social era gigantesca, a população em sua maçante maioria vivia em miséria extrema e sem condições nenhuma de vida ou de educação, assim como a maioria dos países caribenhos. Implantaram um Estado centralizado e militarista, tal qual o soviético. Muitas cabeças rolaram nesse processo. Eram mortos agentes secretos, políticos corruptos extremistas apoiadores de Batista ou mesmo membros capturados de exércitos enviados pelos Estados Unidos para derrubar Fidel e seus companheiros. O povo cubano apoiou e apoia Fidel até os dias de hoje. Até o final dos anos 1970, Cuba cresceu grandiosamente, como nunca visto num país da América Latina. Atingiu taxas invejadas por países capitalistas até hoje, como IDH de 0,81% (semelhante a países como Hungria, Croácia, Letônia, Portugal, Polônia, está entre os 44 melhores países do mundo de se viver) e a taxa de analfabetismo inferior a 1% da população. Porém, parou no tempo em relação a economia, devido ao embargo dos EUA que durou cinquenta e cinco anos, somado a queda da URSS, seu principal investidor. Praticamente não existe pobreza em Cuba nos dias de hoje, porém, recém agora, em 2015, o país poderá respirar e retomar seu crescimento econômico, que se encontrava estagnado há pelo menos vinte e cinco anos.

A IDEOLOGIA CERTA NAS CABEÇAS ERRADAS

            Assim podemos classificar os ditos socialistas do século XX. Revoluções nasciam inspiradas em Marx e Engels e acabavam se tornando o inverso, sendo militaristas, centralizadas e autoritárias. Por outro lado, muitos rumos foram tomados porque os momentos eram oportunos. Um dos princípios fundamentais da História é: não podemos pensar sociedades anteriores com nossa cultura atual, pensando que eram iguais aos dias de hoje. Em questão de dez anos ou menos uma sociedade ou o mundo mudam completamente, sejam nas suas relações pessoais, internacionais, econômicas, militares, etc. A globalização e a revolução da comunicação mundial ajudaram, de certa forma, a apaziguar muitas situações. No entanto, parafraseando o filósofo italiano Umberto Eco, “deu voz a legiões de imbecis”[2], e se torna perigosa na medida em que todos tem acesso as informações, porém, pouquíssimos apuram os fatos com a cultura e o conhecimento necessário para formar sua própria opinião e acabam repetindo inverdades, criadas propositalmente para desestabilizar A ou B, dando força a ideologias extremistas e figuras públicas fracassadas ou incompetentes.
            Todos os acontecimentos do século XX foram provocados por diversas tensões facilmente observáveis: o Neocolonialismo que durante décadas e explorou territórios como a África e a Ásia, causando desigualdade e desconforto social; a primeira grande Guerra Mundial, consequência deste e de outros fatos, resultante de rivalidades entre as potências europeias (nesse mesmo momento de tensão do capitalismo, nasceu a revolução Russa de 1917, por exemplo, dando origem a União Soviética); a Revolução Industrial que era alcançada por algumas potências enquanto outras demoraram décadas para entrar no processo industrial, como a própria Rússia e a esmagadora maioria dos países da América Latina, asiáticos como a Índia e a China e, por último, os países africanos que, em alguns casos, conquistaram sua independência há menos de vinte anos atrás, deixando de ser colônias exploradas e passando a poder investir em sua economia. Ao mesmo tempo em que o Capitalismo era imperialista, combatia o Socialismo e divulgava muitas inverdades sobre o ideário marxista. Essas inverdades fizeram com que regimes totalitaristas corporativistas e segregacionistas tomassem força, resultando na Segunda Guerra Mundial, que também teve como causa a Crise de 1929, onde o Capitalismo entrou em cheque. O sentimento anticapitalista e antissocialista fez nascer terceiras vias.
            Muito de tudo que foi citado até aqui se dá por um simples motivo: a maioria das pessoas no mundo não leem e não querem estudar. 99% das pessoas que criticam o Socialismo, jamais leram Marx, bem como existem também muitos que se dizem marxistas e jamais o leram. É, infelizmente, muito comum e sempre foi muito fácil desmanchar o Socialismo, porque ele precisa de muito estudo para ser compreendido. Não tenho dúvidas que, assim que este artigo tornar-se público, receberá severas críticas de pessoas que jamais o leram ou o lerão. E assim ocorre diária e sucessivamente com diversos outros livros, trabalhos ou ideologias, clássicos ou atuais.

FINLÂNDIA SOCIALISTA?

            É uma árdua discussão mundial. A Finlândia é o vigésimo quarto melhor país para se viver e trabalhar, segundo a ONU[3], dona de um IDH de 0,87%. No entanto, possui a melhor educação do mundo e totalmente gratuita. Se paga bastante imposto no país, ao todo 50% do PIB, mas se tem internet de qualidade e gratuita desde 2010, educação do ensino básico a universidade de alta qualidade e totalmente gratuita, seus professores são todos funcionários públicos e muito bem remunerados, água, luz, telefone, hospitais, enfim, diversos outros que nos desgastamos pagando mensalmente e que são necessários as nossas atividades diárias, lá são garantidos pelo governo.
Até aí poderíamos dizer: está bem, a Finlândia é Socialista! Porém, entra a discussão, principalmente dos defensores do liberalismo: A Finlândia possui diversas empresas privadas globalizadas, como, por exemplo, a empresa Nokia, uma das líderes mundiais em aparelhos eletrônicos que por muito tempo monopolizou a venda de telefones celulares no Brasil, inclusive. O Socialismo permitiria mega empresas como esta em seu território? Os marxistas apontam que sim, pois a principal luta do marxismo é a valorização do trabalhador e, se a empresa valoriza seu funcionário, paga impostos de acordo com seus ganhos, paga um salário ao empregado que lhe permita ter uma vida confortável, além de garantir direitos trabalhistas, participação nos lucros e oportunidades de crescimento, não há impedimentos! Sonegar impostos ou ganhar isenção simplesmente por ser grande, como ocorre no Brasil, também não ocorre na Finlândia. Os cientistas políticos apontam que este país é Social-Democrata, ou seja, está fazendo uma transição gradual do Capitalismo para o Socialismo, assim como vários dos seus países vizinhos que possuem sistemas políticos semelhantes, garantindo o bem estar social.

RÁPIDAS COMPARAÇÕES DO MODELO POLÍTICO-ECONÔMICO SOCIALISTA COM O MODELO BRASILEIRO ATUAL

            Nos encaminhamos para o final destas reflexões com a questão inicial do texto: por que o governo do PT não é socialista como gritam os internautas aos quatro cantos das redes sociais, bem como os protestantes que tem se manifestado?
            O PT (Partido dos Trabalhadores) surgiu de movimentos sindicalistas durante a Ditadura Militar. Era uma união da classe trabalhadora e possuía alguns grupos que eram simpatizantes das teorias marxistas e trotskistas, sim. Se o PT tivesse vencido as eleições de 1989, como teve uma grande chance, talvez não tivesse perdido sua base ideológica. O problema foi que durante toda a década de 1990 o partido esteve na oposição e acabou entrando e gostando da música do sistema armado desde o início da constituição por partidos como PP, PMDB e PSDB. Mensalão (compra de votos de parlamentares – que já era comum desde 1945), financiamento de campanha por empresas ligadas a processos de licitação, que hoje funcionam como uma espécie de investimento por parte delas para depois se beneficiarem do erário público, e tantos outros esquemas, já faziam parte dos jogos políticos. No final da década de 1990, com o cenário propício para a vitória nas eleições de 2002, o líder do PT (que a essa altura já era um partido muito diferente daquele da década de 1980), Luis Inácio Lula da Silva, simplesmente “rasgou” a carta institucional do partido para se abraçar em banqueiros, empresários e grandes proprietários de terras, justo daqueles que sempre criticara, para garantir a vitória nas eleições. Ainda, em seu governo, chamou os partidos que sempre fez oposição, como PMDB e PP, para sua base aliada com a ideia de que era necessário agregar todos para que juntos lutassem pelo Brasil. Se pensassem em suas ideologias, veriam que não havia compatibilidade alguma. A ala de esquerda do PT, os marxistas e trotskistas que ainda restavam, foram contra e contestavam as medidas do partido, por isso acabaram sendo expulsos e formando novos partidos como PSTU, PSOL, PCO e outros movimentos sociais.
Inegável que, diferente das décadas anteriores, o governo de Lula teve alguma preocupação com o combate a pobreza no país, que começou com algumas pequenas medidas através de programas sociais como o “Fome Zero”, a “Bolsa Família”, a “Bolsa Escola” e até alguns benefícios como desconto na conta de luz para aqueles que viviam em miséria extrema. Foram criadas algumas novas Universidades Federais e investido na estrutura das que existiam, que se encontravam em péssimas condições. A criação e ampliação de Institutos Federais também fizeram parte dos benefícios às classes mais baixas da população. Verbas para estruturação de escolas, programas de financiamento universitário e outras medidas foram tomadas também, com a visão de acabar com a pobreza e tentar inserir essa camada da população nas universidades, principalmente em cursos voltados para a indústria. Todos estes fatos foram possíveis por dois motivos: O Brasil vivia uma crescente econômica com descoberta e desenvolvimento de matéria prima e o governo tinha a grande maioria na Câmara e no Senado. Porém, mesmo com essas vantagens o Brasil sempre esteve milhas distante de se tornar a potencia Socialista que poderia ser, se o governo Lula e Dilma fosse Socialista. Um dos grandes problemas é que a maioria destas obras acabaram superfaturadas, como a maioria das que vemos no Brasil geralmente, independente do partido governante. Nelas estão inseridos o lucro do empresário, alguma propina ao responsável pelo órgão e ainda o dinheiro que será doado pela empresa a campanha no ano de eleição, normalmente, dobrando ou até triplicando o valor do gasto realizado pela administração pública.
Com o poder político que tinha o PT, se tivesse seguido ideologias socialistas, poderia ter feito uma reforma agrária definitiva, distribuindo as terras brasileiras que ainda hoje 1% da população detém cerca de 46%, sendo a grande maioria improdutiva. Poderia ter aumentado os impostos das grandes empresas (que somam apenas 2% das indústrias brasileiras, aquelas que possuem mais de 250 funcionários), detentoras de 1/3 da renda gerada no país, e diminuído o das pequenas e médias, estimulando o crescimento e a distribuição de renda, ainda aumentando a oferta de empregos. Poderia ter taxado as grandes fortunas que nem sequer pagam imposto e sonegam o pouco que deveriam pagar. Uma série de medidas socialistas que fariam com que o Brasil multiplicasse sua riqueza em pelo menos três ou quatro vezes, acabando com a chance de enfrentarmos uma crise como a que enfrentamos hoje. Poderíamos ter desmanchado o Plano Real que, desde sua criação, sabíamos que mais cedo ou mais tarde explodiria, pois, foi baseado em aumento de impostos e taxas de juro.
Nem Lula e nem Dilma foram Socialistas em suas medidas, apesar de seu histórico em movimentos sociais e revolucionários. Hoje o cenário econômico do Brasil é caótico. Não há diálogo! Nem sequer um plebiscito é feito para consultar a população. Vivemos tempos de aumentos abusivos de impostos e de taxas, onde chegamos a quase 40% do nosso PIB (semelhante ao número da Finlândia) e não vemos o retorno. Ocorrem aumentos mensais nas contas de luz, água, telefone e outros serviços. A reforma política que vem sendo feita pelos parlamentares, com o aval da Presidenta, é totalmente conservadora, portanto, de direita, tensionada ao Neoliberalismo. Se fosse Socialista, prontamente haveria uma maior participação popular e da classe trabalhadora em todas as decisões políticas, como almejava Marx. A política no Brasil é feita para grandes empresários, proprietários de terras e banqueiros, não para a população. Os Ministros nomeados em 2015 são todos conhecidos membros da direita brasileira, como o caso de Joaquim Levy e da Katia Abreu, que assumiram duas pastas que seriam importantíssimas num governo socialista: a Economia e a Agricultura. Estavam, inclusive, cotados para serem os ministros do candidato da oposição, Aécio Neves. Nossos índios estão em guerra contra os proprietários de terra e vem morrendo diariamente, apesar da imprensa não mostrar ou ainda pior, colocam a população contra eles. O MST (movimento dos sem terra), que se fosse utilizados de maneira inteligente, poderiam contribuir para a queda do preço da comida, que está elevadíssimo por causa da absurda taxa de inflação e da falta de água em muitas localidades, está cada vez mais marginalizado. O caos econômico vem causando aumento da taxa de desemprego, corte de gastos com educação, saúde, segurança e diversas outras áreas. O PT fez alguma coisa pela população, mas está rapidamente destruindo o que havia construído e ainda não fez nada do que era esperado quando assumiu o poder em 2002: desmanchar o sistema político corrupto e ineficaz brasileiro, que o partido tanto combatera em sua origem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Portanto, caro amigo leitor, nunca permita que seus amigos ou nunca se permita colocar na conta da esquerda, principalmente no Brasil, um crime que ela não cometeu: governar o país nos seus quinhentos e quinze anos de história. Existem sim socialistas espalhados pelo território brasileiro tentando dar voz àqueles que se sentem injustiçados, mesmo sabendo que vivemos em um país conservador, preconceituoso, ainda muito leigo no assunto política e que tem repulsa a essa palavra. O Brasileiro precisa se educar, precisa se politizar, precisa se inteirar de tudo que ocorre diariamente e exigir sua participação nas decisões administrativas para que possamos, aos poucos, estabelecer uma igualdade social de oportunidades. Garantir educação de qualidade a todos, hospitais com recursos para todos, consulta a classe trabalhadora, que é a maçante maioria da população, e tantas outras coisas que seriam a única maneira de crescermos sem “rabos presos” que, mais cedo ou mais tarde, nos puxarão o tapete e derrubar-nos em buracos negros, não só econômicos, mas políticos e sociais.

BIBLIOGRAFIA:

BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Século XX. São Paulo: Editora Fundamento Educacional, 2009.
CASTAÑEDA, Jorge. Che: Uma Vida em Vermelho. São Paulo: Cia das Letras, 2006.
DEL PRIORI, Mary e VENÂNCIO, Renato. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos: Uma Breve História do Século XX. São Paulo: Cia das Letras, 1995.
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Impérios. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra. 1988.
MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. O Manifesto do Partido Comunista: 1848. Porto Alegre: L&M Pocket, 2006.
MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Editora Nova Cultural, 2006.
MORAIS, Fernando. A Ílha: Um Repórter Brasileiro no País de Fidel Castro. São Paulo: Alfa-Ômega, 1976.
WILSON, Edmund. Rumo À Estação Finlândia. São Paulo: Cia das Letras, 2006.





[1] Cursou Bacharelado em História na Universidade Federal de Pelotas (Ufpel); Professor de História e Historiador pela Universidade Regional do Noroeste do Estado (UNIJUI); Mestrando do curso de Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
[2] Declaração dada na quarta-feira, 10 de junho de 2015, durante o evento em que ele recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Comunicação e Cultura na Universidade de Turim, norte da Itália. (Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2015/06/11/redes-sociais-deram-voz-a-legiao-de-imbecis-diz-umberto-eco.jhtm. Acesso em: 10/09/2015 às 17:58).

quarta-feira, 13 de maio de 2015

JORNAL MINUANO PUBLICA PEDIDO DE AJUDA POPULAR DO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS NA BUSCA DE ARTEFATOS ARQUEOLÓGICOS.

Saiu ontem no Jornal Minuano de Bagé e região da campanha do Rio Grande do Sul a pesquisa que iniciamos através do Centro de Ciências Humanas (http://facebook.com/centrodecienciashumanas) em busca de artefatos arqueológicos relacionados aos indígenas da nossa região. Os cerritos seriam um bônus, mas, através do mapeamento desses artefatos, podemos chegar a uma possível localidade que houvera formação de um núcleo social pré histórico por aqui!

Abaixo a reportagem feita pela jornalista Melissa Louçan:




































Disponível em: http://jornalminuano.com.br/VisualizarNoticia/17889/historiador-inicia-pesquisa-para-mapear-formacao-de-nucleos-pre-historicos.aspx#prettyPhoto (Acesso em 13/05/2015, às 10:01).

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

LIBERALISMO NA AMÉRICA LATINA: O PREÇO E O LEGADO DAS INTERVENÇÕES IANQUES.

Por Ivan Cesar dos Santos Pinheiro¹

            O liberalismo empregado na América Latina, que se fortaleceu a partir da Guerra Fria, e que em muitas vezes vem sendo questionado nos dias de hoje, teve origem na maioria das nações americanas devido, sabidamente, ao apoio e interesse dos Estados Unidos em sua propagação e manutenção. Para que isso fosse possível, diversas vezes os ianques² buscaram firmar alianças políticas dentro dos países latino-americanos, fosse com a oposição ao governo existente, fosse com o próprio governo em situação.

            Essa busca incessante de se tornarem os “pais” dos povos americanos ganhou força a partir da chamada “Doutrina Monroe”, onde o então presidente dos Estados Unidos, James Monroe, em discurso ao Congresso de 2 de dezembro de 1823, no estado da Virgínia, discorreu:

Julgarmos propícia esta ocasião para afirmar, como um princípio que afeta os direitos e interesses dos Estados Unidos, que os continentes americanos, em virtude da condição livre e independente que adquiriram e conservam, não podem mais ser considerados, no futuro, como suscetíveis de colonização por nenhuma potência europeia […] (Mensagem do Presidente James Monroe ao Congresso dos EUA, 1823. Disponível em: http://www.loc.gov/rr/program/bib/ourdocs/Monroe.html. Acesso em: 24/02/2015 às 14h17min.)

            Como Monroe enfatizou: “nenhuma potência europeia”, mas, os Estados Unidos mostraram ao longo dos séculos XIX e XX que a maior potência das Américas, como eram assim considerados, poderiam intervir da maneira que lhes conviessem.

            Esse processo teve logo de cara a sua expansão dentro do que representa seu próprio território atual, quando, interessados no litoral ligado ao Oceano Pacífico, travaram batalhas sangrentas com ingleses e nativos americanos que ocupavam a localidade. Para completar, estourou a Guerra Mexicano-Americana, considerada a primeira grande intervenção do país em países latino-americanos, entre 1846 e 1848, que matou 16 mil mexicanos para a conquista do território mais rico do México da época: A Califórnia – que hoje é o estado mais rico dos Estados Unidos e responsável por 2,25 trilhões de dólares do PIB nacional em 2014, ultrapassando, inclusive, o PIB de países inteiros como a Itália, Espanha e Brasil, em mediação feita pela Bloomberg Finance LP³ - além dos estados de Nevada, Texas, Utah, Novo México e ainda territórios presentes hoje nos estados do Arizona, Colorado e Wyoming. Desde então, o interesse ianque virou-se para os países da América Central.

            A mensagem de Monroe foi fortalecida pelo “Big Stick”, slogan empregado pelo presidente Roosevelt, em setembro de 1901, onde mencionava que os Estados Unidos deveriam se tornar a polícia internacional do ocidente.  Esse fator determinou uma injeção econômica em alguns países da América Latina.

            Não se passaram cinquenta anos e os Estados Unidos financiavam governos na grande ilha de Cuba, que até 1959 era considerada por muitos uma colônia de férias de Miami e do exército estadunidense, que lá comandava as regras e mantinha ditadores como Fulgência Batista, derrubado mais tarde pela revolução de Fidel Castro. Até o referido levante, a população vivia em estado de miséria, sem oportunidades de melhorar de vida, em meio a um país tomado por corrupção e prostituição. Muitos relatos apontam, inclusive, que soldados americanos saqueavam casas e estupravam mulheres que se negavam a prostituição. Os que eram contra Batista, acabavam fuzilados em sua maioria. Poucos, como os irmãos Castro, conseguiram escapar do fuzilamento. Cuba conquistou sua independência da Espanha na última guerra travada entre estes dois países entre 1895 e 1898, com total apoio dos estadunidenses que já estudavam, antes da Guerra Hispano-Americana (1898, entre Estados Unidos e Espanha), comprar a ilha. Desde então, exércitos americanos ocupavam Cuba, fundando inclusive bases militares no território, como a Base Naval da Baía de Guantánamo. Antes do início da Revolução Cubana, os Estados Unidos financiaram outras investidas capitalistas como em Nicarágua, na Argentina e na Guatemala.

            A Nicarágua teve uma das mais sanguinárias ditaduras instaladas na América Latina. Com total apoio dos Estados Unidos, “Tacho”, como era conhecido Anastásio Somoza García, assumiu o poder em 1936 e transformou o seu governo num regime totalitário, até ser assassinado em 1956. Os grupos perseguidos por ele ficaram conhecidos como Sandinistas, em referência a Augusto Cesar Sandini, que formou um exército de camponeses para combater os grandes proprietários de terra entre 1927 e 1933. Quando os Sandinistas tomaram força, após mais de trinta anos, conseguiram fazer frente a Somoza, assassinando-o. Assumiram o poder, onde ficaram até 1980, quando novamente os Estados Unidos apoiou os grandes proprietários do país que combateram os Sandinistas e os derrubaram, resultando em mais de 100 mil mortes no período.

            A Argentina também, por diversas vezes, teve seus governos apoiados e trocados por forças estadunidenses. Nesse período, Juan Perón assumiu a presidência em 1946, ficando no governo até 1955, quando foi derrubado pela ditadura militar que teve apoio dos ianques. Sua popularidade, benefícios aos trabalhadores, pagamento da dívida externa, entre outras medidas, desagradou os norte-americanos que, assim como o colocaram no poder, o tiraram com facilidade. Em 1966, novamente os Estados Unidos apoiaram outro golpe, derrubando o governo que estava e instalando uma nova ditadura militar, que durou até 1976. Ainda houve outra revolução no país, entre 1976 até 1983. O caos e o medo era vivenciado diariamente pela população nas ruas.

Já a Guatemala era controlada pela empresa estadunidense United Free Company, que detinha o monopólio de principais setores como o ferroviário e as telecomunicações. A população vivia em extrema miséria enquanto os capitalistas sugavam as riquezas do território guatemalteco.

            A partir de 1950 a realidade da Guatemala começa a trazer esperança de mudar. Aliado ao comunismo, porém sem o apoio da URSS – como o próprio Nikolai Leonov, oficial da KGB, alegou em entrevista ao documentário “A Guerra Fria na América Latina”4 -,  Racobo Arbenz, um ex-militar, é eleito presidente.

            Os ânimos mantiveram-se calmos até o início da reforma agrária realizada por Arbenz. A reforma, com o objetivo de ser simples, sem radicalismo e que se fazia justa e necessária, comprou terras consideradas improdutivas para distribuir a população pobre e ofereceu como recompensa a devolução do imposto de renda aos antigos proprietários. A questão que afetou o interesse dos EUA foi a proposta de compra das terras pertencentes a United Free Company, com o intuito de estatizar a empresa. Arbenz ofereceu o equivalente a um milhão de dólares na época, porém a empresa exigiu 16 milhões. Essa exigência desagradou membros do Partido Comunista já formado na época e que alguns participavam do governo, como José Fortuny, inclusive.

            Achando que havia o dedo da URSS, os Estados Unidos nomeia John Carrefour, que tinha experiência de combate ao comunismo quando atuou na Grécia, como seu embaixador no país. Nesse período começa a P. B. Succes, uma frente contra Arbenz, formada pelos estadunidenses com o apoio da Igreja, alguns camponeses e exilados políticos. Não demorou muito para começar a guerra entre Estados Unidos e Guatemala. Como o próprio Howard Hunt, agente da CIA no México, admitiu ao documentário citado anteriormente, os estadunidenses realizavam bombardeios aos moldes alemães para assustar Arbenz e a população guatemalteca. Na época, a ONU, sem intervir diretamente, como previa sua fundação no pós-guerra, pedia o cessar fogo. Durante a Guerra, a CIA espalhou o terror no país e a Cidade da Guatemala foi praticamente devastada. Os guatemaltecos só viram o fim com a vitória dos ianques e o exílio de Arbenz e alguns de seus companheiros, em 1954. A maioria deles acabaram sendo presos e sem direito julgamento. Além da vitória, os Estados Unidos conseguiram a manutenção de seus interesses que custaram uma Guerra Civil que começou aí e só terminou em 1996, com a morte de mais de 150 mil pessoas, além de 40 mil que desapareceram durante o período.

            Esses acontecimentos fortaleceram o ódio de um jovem médico argentino que havia chegado ao país e apoiava Arbenz: Ernesto Guevara de la Serna, que ficou conhecido como Che Guevara na Revolução Cubana. Ernesto fugiu da Guatemala quando se consolidou a vitória ianque e foi para o México, onde conheceu os irmãos Castro, Camilo Cienfuegos e demais revolucionários cubanos.

            Fidel Castro, advogado cubano, sem ligação alguma com o comunismo na época e revoltado com a situação política de seu país, que vivia um caos nas mãos de Fulgêncio Batista - como falamos anteriormente, ditador apoiado pelos Estados Unidos -, comandou um levante sem sucesso e acabou se exilando no México com seus companheiros. Lá, nasceu a maior revolução latinoamericana. Após reunir apoio de alas populares de Cuba e do Partido Comunista local, os revolucionários partiram do México em 1956, no iate Granma, para travar uma revolução que duraria três anos contra as forças dos Estados Unidos e de Fulgêncio Batista. Em seu segundo mandato, Batista governava o país desde 1952 e foi derrubado em 1959 pelos revolucionários. Conforme a revolução se expandia, o povo apoiava e muitas vezes pegavam em armas para combater as tropas de Fulgêncio e expulsar os ianques do seu território. Com a vitória, Batista acaba exilado e muitos de seus companheiros e corruptos do governo acabaram em Miami ou mortos pelos revolucionários.

            Um ano depois, em 1960, os Estados Unidos fundaram, no canal do Panamá, uma escola de treinamento para forças contra-revolucionárias na América. Numa tentativa sem êxito, em 1961, reuniram apoiadores de Batista que haviam sido exilados e seus exércitos agiram na Guatemala, para fazer uma contra-revolução em Cuba. Mas, Fidel e seus revolucionários, com apoio do povo cubano, expulsaram-los novamente.

            Com apoio da URSS, Cuba monta uma comissão para espalhar a revolução em toda a América Latina, sob responsabilidade do então Comandante Che Guevara.  Ernesto viaja para o Congo onde começa uma revolução que acaba sem sucesso por ter sido traído por homens de sua tropa. Ao voltar da África foi para a Bolívia, onde se disfarçou e iniciou uma conspiração para tentar espalhar por lá a revolução socialista. Tropas revolucionarias treinadas pelos Estados Unidos no local acabaram capturando o Che, que foi morto por agentes da CIA. Seus companheiros sobreviveram por terem sidos resgatados a tempo pelo presidente chileno Salvador Allende, um médico marxista que foi eleito presidente em 1970, no Chile.

            O Brasil foi outro país que sofreu influência dos Estados Unidos em seu sistema político. Após o presidente João Goulart anunciar a reforma agrária que seria implantada pela SUPRA (Superintendência da Reforma Agrária), uma série de ocorrências levaram a sua derrubada, em 1964. Ainda hoje, mais de 50% das terras brasileiras estão na mão de menos de 1% da população do país. Na época, relatos apontam que grandes proprietários alertaram os Estados Unidos de que haveria infiltração comunista no governo de Jango, como era carinhosamente chamado o presidente. Anterior a isso, para assumir a presidência, Goulart, que era vice do presidente eleito Jânio Quadros, passou por diversos problemas. Algumas medidas de Quadros como reatar as relações do Brasil com a URSS, que haviam sido rompidas após a Segunda Guerra Mundial, pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, além da medalha de honra ao mérito concedida a Che Guevara pela revolução cubana, levaram a atenção dos ianques ao Brasil. Quadros renunciou a presidência, nove meses após tê-la assumido, alegando que “forças ocultas” o fizeram renunciar. Jango, que se encontrava na China, em relações diplomáticas, foi impedido de assumir a presidência quando voltasse. Graças a Campanha da Legalidade, liderada pelo governador Leonel Brizola, do Rio Grande do Sul, é que Jango pode assumir o cargo. Mesmo assim, a condição para que assumisse foi a criação de um conselho que mediaria suas decisões. Quando as decisões de Jango feriram os interesses dos Estados Unidos, entrou a operação “Brother Sam” em ação: Se o exército brasileiro não tomasse o poder, o país seria invadido pelos estadunidenses. Assim estourou o golpe de 1964, sendo instalada a ditadura militar no Brasil.

            Através dos Atos Institucionais, os militares dominaram a política, infiltrando e nomeando militares em todos os cantos do país, em diversas áreas que eles nem tinham domínio, como na educação. Estudantes, professores e até militares que eram contra o regime eram perseguidos e acabavam mortos, marginalizados ou exilados. A ditadura rompeu com os direitos humanos, fazendo interrogatórios a base de torturas físicas e psicológicas a quem eles pensassem que fossem conspiradores. Mulheres eram interrogadas e estupradas, na maioria das vezes. Relatos apontam que os militares faziam os interrogatórios mais por prazer do que por necessidade. Era um ato de diversão, segundo testemunhas.

            O pior momento da ditadura brasileira foi quando o chefe do SNI (Serviço Nacional de Informação – responsável pelas investigações), Emílio Garrastazu Médici, natural de Bagé/RS, assumiu a presidência. Aos seus moldes funcionavam os DOI-CODI (departamentos criados por ele para aumentar as investigações e interrogatórios). Além do pior momento social, foi um dos piores momentos políticos. O país teve em um ano o que ficou chamado como “milagre econômico” por ter crescido 11%. No entanto, os demais anos de seu governo foram de caos econômico e empréstimos ao FMI. Como era comum desde a redemocratização de 1945, a corrupção, compra de votos (conhecido como mensalão) e envio de dinheiro para o exterior, consumiam com o dinheiro público do país. A falta de democracia acabava com a paciência da população. A forte censura do período e a mídia já não conseguiam mais esconder os protestos, as verdades e os artistas que combatiam a ditadura durante o período, que se estendeu de 1964 a 1985. Apesar de os Estados Unidos terem aceitado o fim da ditadura no Brasil, ainda assim continuaram a financiar campanhas políticas, tentando derrubar a oposição que surgiu na esquerda durante a ditadura, mas depois mudou sua ideologia, adequando-se ao neoliberalismo, e só assumiu o governo em 2002, com seu principal representante na época, o líder do Partido dos Trabalhadores, Luis Inácio Lula da Silva.

            No Chile de Allende, que havia resgatado os companheiros de Ernesto, também não foi diferente. Esta atitude do chileno provocou a ira dos ianques. As empresas estadunidenses presentes no Chile juntamente com a CIA começaram a fazer pressão até derrubar o principal apoiador de Allende, o chefe do exército, René Schneider, que foi brutalmente assassinado.

            Em resposta, Allende estatizou o cobre no Chile, principal produto que era explorado pelos Estados Unidos no país. Ao mesmo tempo, camponeses organizavam um movimento a favor da reforma agrária.

            Por causa dessa revolução social e do apoio de Fidel a Allende, os Estados Unidos impõem um embargo financeiro ao Chile, cortando financiamentos, mesmo contrariando a ONU. A CIA começa a financiar greves em todas as partes do país, como a conhecida greve dos caminhoneiros, que paralisou o Chile, dando um prejuízo incalculável naquele mês. Salvador Allende acaba recorrendo a ONU, acusando os ianques em plena reunião geral e buscando no mesmo momento o apoio financeiro da URSS.

            A direita chilena ligada a uma ala do exército, apoiada pelos estadunidenses, tenta um primeiro golpe, sem sucesso. Para evitar envolvimento do exército chileno nas questões políticas, Allende tenta uma reaproximação do governo com os militares e nomeia o General Augusto Pinochet como seu homem de confiança. O que Allende não contava era que Pinochet o apunhalaria pelas costas e, com apoio dos Estados Unidos, mandou os caças da aeronáutica atacarem o palácio presidencial onde o presidente se encontrava dando o seguinte comunicado a população chilena pelo rádio, coincidentemente no dia 11 de setembro de 1973:
Colocado em uma transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E os digo que tenho a certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser cegada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Superarão outros homens nesse momento cinza e amargo onde a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor. (Disponível em: http://m.apuracao.ebc.com.br/cidadania/2012/09/chile-lembra-39-anos-do-golpe-militar-e-morte-de-allende. Acesso em: 24/02/2015 às 14h19min.)
            Fidel Castro, em entrevista ao documentário da A&E, discorre que Allende dizia que jamais permitiria uma ditadura e sempre defenderia a constituição chilena, nem que fosse com sua morte, e, infelizmente, assim ocorreu. Allende acabou se suicidando antes que os caças da aeronáutica destruíssem o palácio presidencial e o matassem.

            Assim, o General Augusto Pinochet assumiu a presidência em 1973, instalando a que, junto a brasileira, formou uma das piores ditaduras da América Latina, amplamente apoiada pelos Estados Unidos, assim como a Argentina que se implantava na mesma época.

            Ainda foram implantadas outras ditaduras com apoio ianque como a de El Salvador nos anos 1980, que possuía inclusive os “Atla-Catla”, exército treinado pelos estadunidenses para combater os revolucionários naquela localidade, além de Honduras, Guatemala e Nicarágua. Em 1983 ainda houve uma tentativa de invasão em Granada, porém sem sucesso.

            O imperialismo comandado pelos Estados Unidos segue agindo hoje, em pleno século XXI. Diversos acontecimentos em outras localidades além da América. De várias formas os ianques continuam tentando dominar os países da América Latina, seja através de tratados de livre comércio como o NAFTA, que causa uma exploração econômica no México e agora também no Chile, que aderiu ao tratado, além da ALCA, que não foi assinada pelo principal alvo: o Brasil, não entrando em vigor.

            Os povos americanos que sofreram com a exploração colonial, tendo processos de independência tardios, acabaram atrasando suas entradas no processo da revolução industrial e posteriormente da globalização. Essa globalização lhes custou caro! Dívidas impagáveis foram acumuladas durante a Guerra Fria para entrar nesse processo de competição econômica. A grande maioria dos países latino-americanos ainda não recuperaram suas economias e acabam estagnados, passando por diversas situações difíceis, ano após ano, como baixo crescimento do PIB, altas taxas de mortalidade infantil, analfabetismo e baixa expectativa de vida. A ajuda que parecia fácil, de um crédito interminável, vindo dos grandes capitalistas, entre eles os Estados Unidos, se tornaram grandes problemas políticos e sociais.

            Muitas informações ainda estão aparecendo desses períodos, a cada vez acusam mais e mais pessoas envolvidas, inclusive que entregaram governos e deram golpes em troca de dinheiro sujo que, sem escrúpulos, atacaram e corroeram as sociedades, seja na base da exploração econômica ou na base de guerras e ditaduras sangrentas. Além desse legado negro de mortes e caos social, ainda há a questão da corrupção que ficou enraizada nas sociedades americanas desde o início da sua exploração pelos europeus, passando pela exploração capitalista no processo da globalização, até os dias de hoje.

Notas:

[1] Cursou Bacharelado em História na Universidade Federal de Pelotas (Ufpel); Professor de História e Historiador pela Universidade Regional do Noroeste do Estado (UNIJUI); Mestrando do curso de Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

[2] Originalmente remetida aos habitantes da Nova Inglaterra, localizada ao nordeste dos atuais Estados Unidos da América. Durante a chamada Guerra de Secessão (1861-1865), o vocábulo popularizou-se na antiga colônia britânica. Para os confederados, os “Yankees” eram os soldados e, em geral, os habitantes dos estados do norte. O termo hoje faz referência aos naturais dos Estados Unidos em sua totalidade.

[3] Empresa sediada em Nova Iorque, ligada aos mercados financeiros e de capitais. Disponível em: http://www.bloomberg.com/. Acesso em: 23/02/2015, às 13h12min.

[4] Documentário produzido pela A&E Television Networks, na década de 1990. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kxqlH8D4rR8. Acesso em: 23/02/2015 às 14h39min.


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