quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
O que querer?
_______Bem, eu gostaria de ver as pessoas vivendo numa sociedade igualitária, não que todo mundo fosse igual, tivesse um salário igual, vivesse numa casa igual, tivessem celulares iguais, computadores iguais, televisões iguais, enfim, mas numa sociedade onde todos pudessem ter um trabalho assalariado, uma casa, um carro, um celular, uma tv, e o que desejasse. Viver com dignidade. Nesta eles nunca passariam fome pois o básico lhes seria garantido para que jamais tivessem desculpas para desviar a atenção do que realmente importa. Uma sociedade onde todos fossem obrigados a estudar e tivessem essa oportunidade, sem pagar por isso. Fazer toda a escola e ainda a faculdade que desejasse, tendo transporte e material, tudo sem precisar desembolsar um tostão, saindo do mundo acadêmico já com empregos garantidos onde pudessem ser devidamente alocados. Seriam estimulados desde pequenos a vencer na vida, que o estudo e um simples livro pode mudar sua vida e fazer com que o mundo onde vivem seja melhor. Uma sociedade capaz de viver em harmonia, sem drogas, prostitutas, assaltantes, corruptos ou assassinos, os que aparecessem, a justiça cuidaria com maestria e rapidez, sem que ficassem anos julgando e estes continuassem por aí a cometer seus delitos. As cadeias fariam com que eles estudassem, trabalhassem, se tratassem com os profissionais necessários para que pudessem ser recolocados na sociedade, ou, pelo menos, vivessem dignamente dentro da instituição e fossem úteis para seu país e para a sociedade que eles prejudicaram. Uma sociedade que tivesse a sua saúde garantida por profissionais especializados. Não lhes faltaria atendimento a momento algum e nem remédios, tudo seria distribuído de maneira que ninguém falecesse sem que realmente fosse sua hora. Uma sociedade onde a imprensa se preocupa exclusivamente em informar os cidadãos e lhes servir e não tentar manipulá-los e fazê-los seguir suas crenças, suas opiniões e suas vontades. Uma imprensa que estimulasse e resgatasse a cultura e a história do país, e não fizesse e se interessasse com que a população fosse analfabeta e sem cultura, sem intelectualidade. Uma sociedade onde todos se preocupariam em ajudar quem precisasse, sem querer passar uns por cima dos outros.
_______Existem milhões de outros fatores que eu poderia citar aqui, mas não vou me estender mais. Vou para outro ponto...
_______Eu sei que é muito bonito tudo isso que eu falei, parece utópico, diga-se de passagem. Mas não é! Se todos se mobilizassem para tornar isso uma realidade, com certeza seria possível. O mundo onde vivemos nos ensina a sermos egoístas e pensarmos que nada diferente do que conhecemos é possível. Vi uma sociedade com muitas das características que eu citei neste texto. Cuba foi assim dos anos 1960 aos 1980. Uma sociedade que era sofrida, imposicionada e súdita ao desejo dos EUA antes da revolução, pôde se tornar uma sociedade que recuperou seu orgulho e sua dignidade e, auxiliada por outros países comunistas, pode se reconstruir e tornar seus desejos reais. Lá não haviam prostitutas, drogas, ladrões, corruptos, todos tinham as mesmas oportunidades, 1% da população era analfabeta e todos trabalhavam em prol da sociedade. Infelizmente com a queda da União Soviética, que era sua maior apoiadora, Cuba ficou novamente só no mundo porque, depois da revolução, ao perder seu "parquinho de diversões", os EUA fizeram com que todos os países fechassem as portas para os cubanos e estes não tem como se virar sozinhos, nenhum país é 100% auto-suficiente, então esta sociedade vem caindo ao longo dos anos e sua resistência se tornará em vão, mais cedo ou mais tarde. Ao entrevistar alguns cubanos, pude perceber que as novas gerações estão pensando que o mundo Capitalista é muito melhor que o em que vivem. Entende-se, pois o embargo imposto torna Cuba um país sem importações, isso implica em falta de atualização tecnológica e etc. O Capitalismo vai entrar lá e fazer com que Cuba volte a ser o bordel, o parque de diversões do imperialismo estadunidense. Alguém se encoraja a tentar impedir? Claro que não, ninguém quer ser invadido, não é mesmo? Então, seguiremos nessa sociedade diletante, que uns passam os outros pra trás e acham o máximo, que pessoas roubam, matam e se corrompem para sustentar suas famílias. Esse não é o mundo que eu quero para os meus filhos, mas infelizmente, sozinho e sendo motivo de piada quando tento convencer de que é possível mudar a realidade de todos, vou continuar vivendo nesse mundo medíocre. Minha avó já dizia: Quem quer faz, quem não quer inventa desculpas. Então, seguirei meu caminho, mas sem desistir de tentar lutar contra tudo isso e ser livre, é o que me move, o que me alimenta, o que me faz ser feliz!
Bibliografia:
CASTAÑEDA, Jorge. Che Guevara: A vida em vermelho. Ed. Companhia de Bolso. 2005.
DIDEROT, Dênis. Encyclopédie. 1772.
MORAIS, Fernando. A Ilha (Um repórter brasileiro no país de Fidel Castro). Ed. Alfa-Romeo. 1975.
SADER, Emir (Organizador). Sem Perder a Ternura: Pequeno livro de pensamentos de Che Guevara. Ed. Record. 1999.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
ANÁLISE DOS GRUPOS DA COPA DO MUNDO 2010

Vou falar um pouco do que o povo gosta. Com o Sorteio dos grupos da Copa 2010, realizado na Cidade do Cabo, na África do Sul, sede da Copa, ficamos sabendo a pedreira que nos espera nos próximos meses de junho e julho.
Vamos analisar Grupo a Grupo...
Grupo A: África; México; Uruguai e França.
Os simpáticos africanos ficaram em maus lençóis com este grupo. Pegaram dois boleiros das Américas, México e Uruguai, que, independente de suas fases atuais, sempre são equipes perigosas, ainda mais se tratando de Copa do Mundo. Os "Le Blue" que injustícimamente estarão nesta Copa ao vencer os Irlandeses com o gol de mão do Henry, o jogador mais cara-de-pau e metido do futebol mundial (lembro aqui, para nós brasileiros que temos péssima memória - se tratando de política pelo menos - que ele declarou na Copa de 2006 que o Brasil sempre seria favorito, pois, enquanto os franceses estudam, os brasileiros jogam futebol!). A França vem numa fase medíocre, porém todos sabemos que na Copa eles crescem a ponto de dar muito trabalho pros adversários (tirando 2002 que vergonhosamente não passaram pra segunda fase). Para mim, classificam-se França e África.
Grupo B: Argentina; Nigéria; Coréia do Sul e Grécia.
Los Hermanos se deram muito bem no sorteio, pegaram o grupo que será, teoricamente, o mais fácil. Apesar da má fase, que talvez tenha sido superada com a heróica entrada na Copa nos últimos minutos do jogo nas eliminatórias, os Argentinos estão confiantes e prontos pra mostrar seu melhor dentro de campo. Messi e companhia, na minha opinião, não terão dificuldades pra passar de Nigéria e Coréia, talvez caiam em cima dos retranqueiros Gregos. A equipe Nigeriana não apresenta um bom futebol desde 1998, na França, quando o seu jeito moleque de jogar encantou o mundo. Amokachi, Kanu, Okocha, Taribo West, Babangida e os demais fizeram história. Os Sul-Coreanos tem uma equipe rápida e com bom passe de bola, sem falar no seu meia-atacante Park Ji-Sung, que joga no Manchester United, da Inglaterra, e promete mostrar um bom futebol. Já os Gregos tem uma equipe que joga muito atrás, uma forte defesa, um meio e ataque não bons e longe de serem habilidosos, mas são eficientes. É um time experiente e tem em sua base os campeões da penúltima Eurocopa, depois que passaram feito tratores por cima do time português, do Felipão. Para mim, classificam-se Argentina e Grécia.
Grupo C: Inglaterra; EUA; Argélia e Eslovênia.
Os Ingleses também terão, teóricamente, uma primeira fase tranquila. Eles que são os tidos como favoritos, dentre os países Europeus, superando a Espanha, que era favorita até mostrar aquele péssimo futebol na Copa das Confederações. Os Estadunidenses, se forem com a vontade que jogaram a Copa das Confederações, com certeza não terão problemas em passar pelos modestos argelianos e os caneleiros da Eslovênia, ambos os dois últimos estão, na minha opinião, só pra completar grupos na Copa, não tem chance alguma de passar pra fase seguinte. Para mim, classificam-se Inglaterra e Estados Unidos.
Grupo D: Alemanha; Austrália; Sérvia e Gana.
Ah! Os Alemães. Estes com certeza dormirão tranquilos depois do sorteio ocorrido hoje na cidade do Cabo. Eles possuem uma forte equipe que acredito não ter dificuldades em derrubar nenhuma das equipes de seu grupo. A equipe Australiana, tirando o Kewell, Emerton e o lerdo Viduka, não assusta ninguém, porém, tirando os alemães, equilibram-se com as demais equipes. A briga entre Australianos, Sérvios (do grande meio campista Stankovic e do bom jogador do Manchester United, Tosic) e Ganeses (do atacante Asamoah e dos dois Addo, Eric e Otto, que são ótimos meio campistas) será muito boa. Mas, para mim, classificam-se Alemanha e Sérvia.
Grupo E: Holanda; Dinamarca; Japão e Camarões.
Se existe o momento certo de os holandeses mostrarem que vieram pra chegar a final, é na fase de grupos. Além de terem pego um grupo teóricamente modesto, os holandeses tem uma equipe fantástica com jogadores como o goleiro Van der Sar, os defensores Bronckhorst, Vam Bommel, De Zeeuw, os meias Van Der Vaart, Babel, Sneijder e os atacantes Van Persie, Van Nistelroy e ainda o jovem Huntelaar que, apesar da atual má fase, pode vir a mostrar toda sua capacidade, que não é pouca, na Copa. Os Dinamarqueses, tirando Tomasson e Rommedahl, tem um time modesto, apesar da eficiente campanha nas eliminatórias, que pode vir a ganhar com facilidade dos Japoneses e Camaroneses (do ótimo atacante Eto'o, da Internazionale), que também não possuem uma grande equipe. Para mim, classificam-se Holanda e Dinamarca.
Grupo F: Itália; Paraguai; Nova Zelândia e Eslováquia.
Alguém duvida dos Italianos? Então terá que esperar o mês de julho, pois o de junho, na fase de grupos, já está garantido. Foram os mais sortudos no sorteio, desculpando-me pela redundância. Tirando os Paraguaios que tem uma forte equipe, Nova Zelândia e Eslováquia não conseguirão segurar os dois primeiros. Classificam-se Itália e Paraguai, que tenho certeza, será um jogasso, daqueles de sentar com pipoca e guaraná na frente da TV, a abertura do grupo F.
Grupo G: Brasil; Coréia do Norte; Costa do Marfim e Portugal.
É amigo, é complicado. Não foi dessa vez que demos sorte no grupo. Mas também, depois da última copa, não podemos reclamar dos sorteios, afinal, nosso grupo em 2006, por exemplo, era uma "baba" (Croácia, Austrália e Japão, para os que não recordam). Talvez essa facilidade que tivemos de passar para a fase seguinte, tenha enchido mais ainda o ego dos ditos favoritos absolutos em 2006. Chegou nas fases de mata-a-mata e caímos do salto, com a equipe que, se tivesse jogado o que sabia, teria sido a melhor de todas as copas. Desta vez será diferente, tirando a equipe norte-coreana, é um grupo dificílimo e, se o Dunga não mudar aquele meio campo medíocre composto por jogadores como Elano, Josué, Gilberto Silva e o meia-boca Felipe Melo, que até poderia estar na seleção, mas teria que ser reserva, poderá enfrentar grandes problemas. Os marfinenses possuem uma equipe fortíssima e experiente, com seu time titular composto por jogadores que atuam nos melhores clubes europeus, em destaque o que pode se dizer que é o atacante mais eficiente do mundo hoje, Didier Drogba, um guerreiro pronto pra mostrar pro mundo, no seu continente, do que ele é capaz. Não tão atrás dos marfinenses estão os portugueses. Depois do susto de quase não ir para a Copa, ganharam um reforço que pode ser a peça chave para o sucesso na Copa, o atacante brasileiro, naturalizado português, Liédson. Cristiano Ronaldo dispensa comentários, é o melhor jogador do mundo na atualidade. Mas, para mim, classificam-se Brasil e Costa do Marfim.
Grupo H: Espanha; Suíça; Honduras e Chile.
Finalmente o grupo dos Espanhóis. Com este sorteio, ganharam um mês a mais pra se preparar pro mata-a-mata. Eles ficaram devendo muito futebol na Copa das Confederações, onde entraram como favoritos e saíram envergonhados. Pode ser que na Copa do Mundo a história espanhola seja bem diferente. Suíça e Honduras estão, na minha opínião, só para encher linguiça. Com certeza classificam-se Espanha e Chile.
Esta Copa promete! O fato de as equipes africanas estarem em casa, no seu continente, pode vir a mudar a história dos africanos em Copas do Mundo. É a hora deles mostrarem o melhor do seu melhor! Então, as demais equipes terão que ter cautéla ao enfrentá-los.
Como todo bom brasileiro, estou confiante de que chegaremos ao Hexa. Estou crente também que terei muita dor de cabeça ao ver os jogos, afinal, as nossas ''amigas" "vuvuzelas" estarão lá!
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
O que é ser Gaúcho?
As coisas por aqui nunca foram muito pacíficas. Ao mesmo tempo que a terra tinha donos, era uma terra de ninguém. Segundo o tratado de Tordesilhas, seríamos espanhóis, só que, nas reviravoltas que a história está acostumada a narrar mundo a fora, tomamos um rumo diferente. O que definiu no primeiro momento da exploração do território americano que o Rio Grande do Sul seria português, e portanto brasileiro, foi um rio, famoso por batalhas épicas e muito sangue derramado, o Rio da Prata. Martim Afonso de Souza, depois de naufragar e ser socorrido por seu irmão, Pero Lopes de Souza, chega na barra de Rio Grande (Batizada assim por acharem que a lagoa dos patos se tratava de um grande Rio). Por ainda ser território Espanhol e a capitania de Pero Lopes era a chamada Santana (Atual Santa Catarina) ficou intacto. Portugal sabia da região e a explorava clandestinamente, a Espanha ainda não tinha total conhecimento do território, avistava com olhos financeiros a região dos Andes, onde haviam as grandes civilizações americanas. Ao fazer o mapa da América, Bartolomeu Velho coloca o território gaúcho como Capitania Del Rei, ou seja, era território pertencente ao Rei. Como sabemos, neste período, 1580, Portugal e Espanha eram reinadas pelo Rei Filipe, e portanto, tudo que era português, espanhol também era.
Em 1626 foi fundado o primeiro povoado do Rio Grande do Sul. O padre Roque Gonzáles de Santa Cruz criou o “pueblo de San Nicolas” no vale do Piratini. 2 anos depois ele foi trucidado pelos próprios índios que tentara catequizar. Visto que sem reforços seria quase impossível dominar a alma dos indígenas dos pampas, fundaram 18 núcleos de catequese indígena no Rio Grande do Sul (Conhecido na época como província do Tape) que ao chegarem, trouxeram o gado para o território gaúcho, porém também não deu certo e novamente foram destruídos os núcleos. Somente quase 40 anos depois conseguiram fixar um núcleo no Rio Grande. Em 1680 se estabelece os Sete Povos das Missões, bem organizados e controlados. Quando chegaram os jesuítas aqui, depois destes 40 anos, encontraram um território absurdamente povoado por bovinos, herança deixada pelos 18 núcleos que foram destroçados anteriormente pelos indígenas, os animais se reproduziram de maneira inexplicável e lotaram o território do Rio Grande do Sul e Uruguai, fazendo com que até hoje sejam uma das maiores riquezas da região. Atualmente no Rio grande do Sul calcula-se que aproximadamente existem 13,6 milhões de cabeças de gado no estado. ( www.fee.tche.br/sitefee/download/documentos_fee_53.pdf ).
E o Gaúcho, onde ele aparece? No cenário marcado por gado e guerra, emerge o gaúcho. Nos primeiros tempos ele era o guasca, o gaudério, um marginal “sem lei nem rei”, aquele que “morava na sua camisa, debaixo de seu chapéu, montado em seu cavalo” e percorria aquela “terra de ninguém” que futuramente se torna o Rio Grande do Sul. Estes gaudérios eram, na maioria das vezes, resquícios daqueles índios que se negavam a catequese dos jesuítas e fugiam para o campo. Com o tempo o termo gaudério foi substituído pelo gaúcho, onde seu primeiro registro foi num documento de dom Pablo Carbonell, no ano de 1771, onde ele refere-se a alguns “gahuchos” que fugiam de soldados espanhóis. Aos poucos, principalmente nos séculos XVIII e XIX, estes gaúchos foram se incorporando na sociedade, prestavam serviços aos estanceiros, nas charqueadas e trabalhos do campo, e faziam parte dos exércitos em troca de terras e produtos para auto-sustentação como alimentos, animais e etc. O Gaúcho começa a ser respeitado, admirado e exaltado como um grande herói depois da Revolução farroupilha e em seguida da guerra do Paraguai, onde fileiras destes homens venceram as batalhas e deram a glória (muito debatida hoje em dia se fora realmente um ato heróico, como o exército brasileiro se orgulha e exalta, ou se fora um grande massacre sem dó nem piedade, como os historiadores argumentam através de documentos e histórias) para o Brasil e para o estado do Rio Grande do Sul.
Enfim, o gaúcho surgiu nos índios, que povoavam as terras da América em paz, de certa forma, até que chegou o europeu e tomou posse deste território como se fossem donos do mundo, impondo leis, limites e tarefas a estes povos que terminaram por se extinguir depois de muito sangue derramado e tentativas de resistência mal sucedidas.
O que nos resta hoje é a tradição de cultivar a cultura gaúcha e a nossa alma, que essa sim, nunca irá se extinguir, pois somos o que somos e não o que os outros querem que sejamos, essa alma guerreira que nos mostra fortes a cada pedra que encontramos no caminho e nos leva a conduzir os problemas do mundo e do dia-a-dia com maestria, sem deixar-nos prejudicar ou perder nossas virtudes, como mostra no nosso hino: “não basta para ser livre, ser um povo forte aguerrido e bravo” pois “povos que não tem virtude, acabam por ser escravos”.
Bibliografia:
MACIEL, Maria Eunice. Memória, Tradição e Tradicionalismo no Rio Grande do Sul. UFRGS. 2004.
MAGALHÃES, Mario Osório. História do Rio Grande do Sul (1626 – 1930). Pelotas: Editora Armazém Literário, 2002.
MEYER, Augusto. Gaúcho, história de uma palavra. Porto Alegre: Cadernos do Rio Grande, IEL, Divisão de Cultura. SEC. 1957.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Arqueologia Conceitual
Este texto foi escrito visando abordar algumas teses que rondam a Arqueologia no sentido de defini-la conceitualmente. Ao ser perguntado de como eu definiria a Arqueologia, o que eu poderia dizer? Seria fácil definir arqueologia com a simples frase: "é a ciência que estuda a história através de artefatos" ou se ela não fosse uma ciência com um objeto de trabalho definido e todos nós fossemos arqueólogos como Schliemann que era apenas um comerciante que viajava pela Europa no início do século e hoje é um nome respeitado entre os arqueólogos. O fato é que a Arqueologia é uma ciência tentando demarcar seu território, definindo seu espaço entre as ciências já existentes, respeitando seus limites e tentando explicar, através de suas técnicas e métodos de trabalho, o que é um limite para outras ciências como é o caso da sua relação com a História.
Nesta relação com a História e o que a Arqueologia traz de informações que estão fora do alcance nos estudos históricos, estamos dando ênfase para a pré-história (claro que todos nós sabemos que Arqueologia não vive só de pré-história, ela também estuda objetos de todas as épocas complementando e aumentando o número de informações que obtemos nos estudos históricos) que não existia escrita, documentos, o que a impossibilita de ser estudada pela História, pelo menos sem o auxílio dos arqueólogos. A exemplo disso temos a história dos povos africanos que tudo que sabemos até hoje sobre a maioria desses povos se deve muito a Arqueologia que desvenda desenhos rupestres, objetos entre outros registros que não possuem escrituras devido a inexistência da forma escrita dos dialetos destes povos. Em "Arqueologia de la Naturaleza/Naturaleza de la Arqueologia" (Arqueologia da natureza/natureza da arqueologia), Haber aborda este tema:
“Fixar o limite do arqueológico, já incluindo e excluindo o moderno, implica necessárias decisões que não só vinculam nossas noções de tempo, mas também nossas idéias sobre a distância na qual mantemos o objeto - curiosa esta necessidade minha de dizer isto no âmbito de uma disciplina cujos contornos estão definidos pela Pré-história.” (HABER, 2004: pg. 16).
Não deixa dúvidas entre os profissionais e acadêmicos da Arqueologia que ela teve sua origem na tentativa de desvendar os mistérios da pré-história. Neste ramo ela se iniciou e vem mostrando sua importância também nos outros ramos da História como complemento de informações e respostas a questões que não são respondidas em documentos.
Mas, de fato, o que é a Arqueologia?
No meu ponto de vista, ela estuda sim a História (ao contrário do que muitos arqueólogos pensam), e é sim uma Ciência Humana. Estuda a História através dos objetos e restos (sejam restos de matéria humana – corpos – sejam objetos fabricados por eles ou resquícios de suas fabricações), deixados por sociedades que habitaram o local escavado. Ela desvenda os mistérios sobre os ritos e culturas dos povos que habitavam uma determinada região e também mostra a sua colaboração para a modificação deste local, de sua natureza.
Numa concepção parecida, ao responder esta mesma pergunta, Funari expõe seu ponto de vista sobre a Arqueologia em seu texto: “O que é Arqueologia?”:
“ [...] não há consensos, sendo a própria Arqueologia uma ciência em construção. Do meu ponto de vista a Arqueologia estuda os sistemas socioculturais, sua estrutura, funcionamento e transformações com o decorrer do tempo a partir da totalidade material transformada e consumida pela sociedade. [...] tem como objetivo a compreensão das sociedades humanas e, como objeto de pesquisa imediato, objetos concretos.” (FUNARI, 2003: pg. 16).
É um ponto de vista interessante que complementa o que eu falava a respeito.
Alguns autores desvinculam a Arqueologia da História (como é o caso de Binford) alegando que “registros arqueológicos não podem ser símbolos, palavras ou conceitos, são apenas materiais que se distribuíram na natureza e a única maneira de entendê-los seria averiguando sua origem e como tomaram sua forma atual”.
Seguindo a linha de pensamento de Binford (BINFORD, 1988: pg. 27), eu poderia escrever “A história de uma pedra: sua ontogenia e explicação de como foi parar no quintal da minha casa”, ou seja, seria uma materialização total da arqueologia, usando suas técnicas para uma observação de materiais sem olhos e curiosidades de historiador. Creio que isso não venha a ser o interesse comum e nem o nosso principal objeto de estudos.
Para finalizar, o processo evolutivo em andamento da Arqueologia tem um futuro promissor se seguir a mesma linha que está seguindo. Cada vez mais ela adquire mais respeito e importância para o mundo acadêmico e para a humanidade como um todo. Cada vez mais as pessoas se interessam pela ciência (que existe desde o século XVIII e teve sua profissionalização no século XIX) e cada vez mais forma-se arqueólogos capazes de discutir suas teses ao redor do mundo. Ainda o número de Arqueólogos é muito escasso, tratando-se de Brasil, por exemplo, existe uma média de apenas 200 profissionais. É muito pouco para um país de grande extensão e uma diversificada história pré-européia como o nosso.
A ligação da Arqueologia com a História e a Antropologia é inevitável, as três ciências andam de mãos dadas e unidas abrem os olhos da sociedade para a realidade que a ciência traz a tona desvendando – permita-me expressar de uma maneira romântica – os mistérios e mitos sobre o passado.
Os objetivos comuns com as outras ciências sociais trazem a Arqueologia para perto delas, podendo sim defini-la como uma ciência social que também necessita de uma análise interdisciplinar para cada objeto de estudo, e é este objeto que diferencia a Arqueologia das demais e lhe dá importância fundamental em meio às ciências humanas.
Bibliografia:
BINFORD, L. Descifrando el Registro Arqueológico. In: En Busca del Pasado. Barcelona: Crítica. 1988, pp. 23-34.
FUNARI, P. P. O que é Arqueologia? São Paulo: Contexto, 2003.
HABER., A. La Arqueologia de La naturaleza / Naturaleza de La Arqueologia. In: HABBER, Alejandro (org). Hacia una Arqueologia de lãs Arqueologias Sudamericanas. Bogotá: Ediciones Uniandes, 2004. pp. 15-32.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Um pouco de África...
- Documentos: Nem todos os povos africanos que temos certeza de que habitaram o continente, possuem sua história documentada. Os documentos escritos na África, anterior ao colonialismo europeu, são poucos. Nem todos povos tinham escrita ou preocupavam-se em escrever ou registrar sua história, como acontecia em Ghana que tiveram essa preocupação, por exemplo. É possível encontrar relatos sobre os povos através de documentos de origem grega e, ou, romana, na época dos historiadores viajantes, como foi Heródoto. É possível, também, encontrar a história de povos africanos em passagens bíblicas, principalmente sobre povos cristãos na África, assim como em cartilhas geográficas, como foi o caso do Périplo. Geralmente estes escritos "indiretos" sobre os africanos, relatavam os povos que viviam mais nas regiões litorâneas, de fácil acesso para os Árabes e os Europeus.
- Arqueologia: Esta é fundamental na tentativa de resgatar e escrever a história da grande maioria dos povos que viviam e vivem na África. Podemos destacar os Bantus, que não era uma etnia, mas sim uma cultura, linguagem e escrita que se espalhou pelo território africano, com mais concentração nas regiões dos atuais Camarões e Nigéria. Esta cultura Bantu inclui pinturas de seus modos de caça, pésca e coleta, revelando muito de seus costumes, além de escritos entre outros achados em pedras e paredes de cavernas desta região e de outras em toda a África, também.
Além da pintura rupestre, é possível encontrar no território africano, através da arqueologia, inúmeros monumentos de grandes reis e dominadores, entre outros, quando feitas escavações. Também nessas escavações já foram achadas muitas ruínas de prédios construídos durante toda a história.
- História Oral: Por último, a grande campeã e responsável por sabermos a grande e maior parte dos povos africanos que vem sendo passada hereditariamente através de ritos, histórias, músicas e etc. No entanto, a História Oral é a mais trabalhosa, pois o historiador deve medir e estudar todos depoimentos colhidos para que não acabe caindo na mitificação da história.
A História Oral tem suma importância na África devido ao incrível número de dialetos e linguagens existentes no continente, sendo que sua grande maioria não possui escrita, dificultando assim a documentação ou busca de documentos.
No que diz respeito a História física da África, podemos citar, como exemplos, três regiões que tiveram grande influência na História Africana: A região da Ghana (litoral oeste do continente); o Deserto do Saara e a região dos atuais Egito e Sudão (litoral leste).
Ghana desenvolveu um grande império que durou séculos (até o século XIX, mais precisamente). A região muito rica em ouro e metais, possibilitou os ganeses a construir um dos mais poderosos impérios da África e do mundo. Tinha um enorme exército fortemente armado com metais de alta qualidade, o que não dava chance de vitória para outros povos que tentavam invadir o território usando armas feitas de madeira e osso. Faziam comércio direto com os Árabes e possuíam grandes aliados em todo o continente.
O Deserto do Saara não desenvolveu nenhum império devido a dificuldade climática encontrada na região. As populações que lá viveram e ainda vivem são cameleiros nômades que vivem da caça, cada vez mais escassa no território.
A região do Egito teve importância por sua localização geográfica entre o Rio Nilo e o Mar Vermelho (disputado com os Asiáticos durante milênios). Nesta região desenvolveram-se vários povos e impérios, como os Núbios, por exemplo, e teve sua importância por motivos comerciais, que naquela região passou todos produtos comercializados pelos africanos com todos os povos europeus e asiáticos, foi a principal rota do comércio entre Europa, Ásia e África durante toda a história.
Bibliografia:
- KI-ZERBO, J. Introdução Geral. In: História Geral da África, volume 1.
- PAULME, Denise. A Evolução das Sociedades. In: As civilizações africanas.
- GIORDANI, M. História dos povos africanos. In: História da África anterior aos descobrimentos.
domingo, 21 de junho de 2009
A Copa dos Infernos

Dado o exemplo na Copa das Confederações de como serão as torcidas africanas que lotaram os estádios e lotarão durante a Copa do Mundo de 2010, podemos observar um personagem tanto quanto inesperado. Não é nenhuma pessoa ou animal mas sim um objeto atordoante: as "vuvuzelas", ou cornetas africanas. Ao serem assopradas pelos torcedores, elas fazem um barulho infernal durante os jogos se assemelhando ao som de um enxame de abelha em máximas alturas. Poucas pessoas conseguem acompanhar os jogos na África, seja pela televisão, no estádio, ou dentro de campo, sem terminar com uma dor de cabeça do barulho que elas proporcionam.
Divisora de opiniões, elas já estão causando problemas mesmo antes da Copa começar. Jornalistas de Estados Unidos e Holanda, que cobrem o torneio na África do Sul, formalizaram protesto contra as vuvuzelas, pedindo a Joseph Blatter, presidente da FIFA, que elas sejam excluídas das arquibancadas para a próxima Copa do Mundo. Jogadores também reclamaram como o Volante espanhol Xabi Alonso que declarou: "Não gosto dessas cornetas. A Fifa deveria banir essas coisas. Elas não chegam a tirar sua concentração, mas não é agradável jogar com um barulho desses". Brasileiros também reclamaram, Robinho, de maneira sutil, falou: "Atrapalha. Era melhor se fosse um sambinha" e o Zagueiro Miranda completou: "Não dá para escutar o Dunga, só o jogador que está mais próximo dele escuta". Kaká, espirituoso e Fair Play, colocou que: "Para quem está acostumado com o Julio Baptista tocando cavaquinho o dia todo, essas cornetas não são nada!". Blatter admitiu que elas são barulhentas mas, por enquanto, não tomou nenhuma medida a respeito delas: "Há muitos sons na África do Sul. Já disse e vou repetir. Aqui as pessoas cantam, dançam, tocam tambores, usam batuques e usam essas cornetas. Sei que algumas pessoas não gostam desse barulho. Alguns canais de televisão têm criticado esse som dizendo que atrapalha, mas não será a Fifa que irá proibir esse barulho nos estádios. Os treinadores e jogadores devem se adapta".
Jornalistas africanos estão inconformados com as reclamações afirmando que este seria "O som da África" e que seria "uma falta tremenda de respeito com os torcedores africanos" caso estas cornetas tão polêmicas fossem banidas, completaram que: "Os incomodados que peguem o avião de volta para casa".
Além do problema sonoro, existe também o problema da segurança onde preocupam-se os organizadores que as pessoas possam se agredir com estes objetos. Blatter também manifestou-se a respeito, colocando o seguinte: "Essa é uma pergunta que está sendo colocada, se as pessoas podem bater umas nas outras com a vuvuzela. Sei que o Comitê Organizador está discutindo o tema, mas não vou dizer que a partir de agora seu uso será proibido. Seria uma interferência nos direitos pessoais".
Lembrando que essas cornetas são normais em jogos de Rugby, que é o esporte mais praticado no país e que deu origem aos estádios que foram adaptados para o Futebol durante as Copas. Talvez por isso, penso eu, que a África não é um país muito destacado nos esportes como Futebol ou Rugby, afinal, estas cornetas atrapalham os atletas. Com esta conclusão, quem sabe não estou resolvendo o problema dos esportes lá, não é?! Já ouvi falar que os sons da Áfricas são variados, menos que se assemelham com um enxame de abelhas desorientado, ainda com todos africanos vestidos de amarelo e preto, lembram, realmente, o bichinho. Ainda bem que eles não mostram o ferrão, porque se não, teria muitos Japoneses cometendo suicídio durante a Copa!
Fontes:
- Globo.com
- Uol.com.br
- Terra.com.br
terça-feira, 19 de maio de 2009
Museus, Memória e Patrimônio
__No primeiro texto (de Jacques LeGoff), o autor inicia-se falando dos materiais da memória coletiva em sua forma científica através de dois tipos de materiais: documentos (escolha do historiador) e monumentos (herança do passado). Ele cita os dois agentes de ambos que no caso dos documentos seriam, em primeiro plano, os cientistas do passado, os historiadores, que se dedicam a pesquisar e documentar seus projetos. No caso dos Monumentos, seriam as “forças” que operam ou governam no desenvolvimento temporal do mundo e da humanidade. A proposta e o desenvolvimento que o autor dá a esses dois objetos são extremamente fiéis ao que acredito. LeGoff é um autor renomado mundialmente e muito criticado (seja positiva ou negativamente) por historiadores do mundo todo. Quanto a documentos, muitas vezes não são só escolhas do historiador, mas também escolhas da sociedade, do governo ou de uma civilização que influi, direta ou indiretamente, na visão do autor de tal objeto da história. Vale lembrar, como exemplo, que, fora a variação das visões de cada autor, a bíblia é um livro que fora modificado e enfeitado durante vários séculos para se adaptar ao contexto social de cada época, para que nunca perdesse sua valia dentre os religiosos.
__LeGoff busca, através do texto, traçar uma linha do tempo onde mostra o surgimento do termo “documento” e seu trajeto até possuir a conotação que é utilizada hoje em dia e fazendo o mesmo, posteriormente, com o termo “monumento”.
__Citando Samaran, ele coloca que “não há história sem documentos” e com isto incluindo o “documento no sentido de documento escrito, ilustrado, transmitido pelo som, a imagem, ou de qualquer outra maneira” ainda citando que, com este “alargamento” do termo documento, explodiu nos anos 1960 uma verdadeira “revolução documental” e mais tarde com a intervenção da era digital.
__Posteriormente ele afirma que na concepção do documento/monumento, independente da revolução documental, tem como um de seus objetivos “o de evitar que esta revolução necessária se transforme num derivativo e desvie o historiador do seu principal dever: a crítica do documento enquanto monumento” sendo o documento “um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de forças que aí detinham o poder”. Neste caso é realmente preocupante, com o avanço da tecnologia e a facilidade da informação, a perda do instinto investigativo do historiador para com o documento/monumento, ou seja, a perda do discernimento do que é real ou fabricado.
__Por fim, ele adianta que o “novo documento [...] deve ser tratado como documento/monumento [...] onde a urgência é elaborar uma nova erudição capaz de transferir este do campo da memória para o da ciência histórica”.
__No segundo texto (de Zita Possamai) a autora não expõe de maneira significativa a sua opinião formada, mas vai baseando a definição de patrimônio e seu conhecimento histórico através de vários autores e suas diferentes visões. Inicia-se falando dos dois grandes aspectos de patrimônio que seriam as políticas de preservação e a problematização do patrimônio, a busca do seu sentido e sua história.
__Em seguida, ressalta a opinião de Françoise Choay em sua obra que fala a diferença fundamental entre monumento (criado para relacionar a memória e o presente) e monumento histórico (construção de determinada estrutura para representar a história) falando da história da noção e conservação de patrimônio que fora iniciada, tal como é hoje, no século XIX, antes sendo realizadas somente pela Igreja. Tendo em vista que somente a Igreja era o órgão preocupado com a conservação antes do século XIX, podemos imaginar quantos patrimônios e suas histórias perdemos ao longo do tempo.
__Num segundo momento, ela abrange o assunto do campo do patrimônio e sua problemática axiológica levando, neste sentido, a visão do patrimônio como representação social citando a visão de Chartier e também de Pomian. Seguindo em frente, ela coloca que o campo do patrimônio se define como “um sistema de relações objetivas entre os agentes sociais encarregados das tarefas práticas e simbólicas ligadas ao tombamento e preservação de bens culturais”. (Lewgoy). Essa questão do tombamento e preservação do patrimônio, hoje em dia, e principalmente no Brasil, é extremamente complicada e dificultosa devido à grande burocracia que envolve este aspecto. Muitas vezes este processo demora tanto que o Patrimônio acaba por deteriorar-se. Ainda que haja projetos como o “Monumenta” do governo federal, ainda assim é um processo dificultoso.
__Finalizando este parágrafo ela cita que se o conceito campo for considerado, o patrimônio deixa de ser algo dado e definindo apenas por um corpo técnico determinado e passa a ser pensado e identifica-se o conjunto de códigos mais ou menos estabelecidos entre diferentes autores que fazem uma seleção das estruturas materiais do passado a serem preservadas. Um patrimônio, uma vez instituído, passa a ser comparado a objetos sagrados no campo da preservação e inviolabilidade.
__No seguinte, ela cita o texto do LeGoff, anteriormente comentado, e seu conceito de documento e monumento. Comenta que não raras vezes, tenta-se apagar episódios históricos destruindo os seus vestígios e símbolos materiais (voltando ao assunto da Igreja que durante toda sua história lutou para modificar acontecimentos).
__Em suas considerações finais é importante destacar que ela considera a história marcada por duas características essenciais, a mudança e a diferença, deixando de lado essa discussão sob pena do patrimônio ser reduzido “a patética preservação de restos do passado, que expressam apenas a vontade, o desejo e a memória de poucos”.
__No terceiro e último texto (de Ulpiano Meneses) ele introduz a problemática da memória que vem sendo em foco privilegiada da atenção das ciências biológicas e humanas propondo algumas rápidas reflexões. Na primeira, ele coloca que a efervescência da memória possui três palavras chave: “resgate”, “recuperação” e “preservação”, sendo todas de essência frágil que necessitam de cuidados para não deteriorar ou perder uma substância já existente. Na segunda reflexão, ele coloca que a memória tanto como prática, como representação, está viva e atuante entre nós, porém, seu status é extremamente problemático, uma verdadeira crise da memória na sociedade ocidental.
__Citando uma dimensão epistemológica ele cita Edward Gibbon (Autor da obra “Declínio e Queda do Império Romano) como exemplo dos responsáveis pela idéia de Antiguidade que hoje nos parece tão óbvia, não se tendo mais a imagem sincrônica da sociedade, como se o passado fosse apenas um antes, com relação ao agora.
__Um ponto que achei de fundamental importância citar é a questão que ele coloca “das tentativas de museificar o chamado ‘patrimonio cultural’, ao que se poderiam acrescentar as propostas de fazer ‘museus vivos’” que atrairiam visitantes pela “encenação e dramatização da memória” e que ao pretender anular as distâncias com o passado, acaba reduzindo-o a mero presente anacrônico, uma "disneyficação" da história. Ainda coloca que supondo que "se possa visitar o passado" - um passado fetichizado e congelado, oferecido à visão, confundida com o conhecimento - é uma postura confortavelmente anti-histórica e antipedagógica, pos nos aprisiona no presente e, incapaz de nos fazê-lo aprender no confronto crítico com o diverso, o outro, a alteridade, transforma-o no único termômetro capaz de tudo medir". Expondo esta opinião, o autor foi extremamente contraditório em relação ao que havia exposto em outro texto chamado “Educação e museus: sedução, risco e ilusões”, onde ele coloca que os museus, principalmente os brasileiros, são muito informativos e pouco educativos, que deveriam haver formas de educar seus visitantes e não apenas enchê-los de informações que se perderiam em seguida. Na minha opinião, a culpa não é toda do museu mas também da educação no país que é, infelizmente, muito fraca. Ao ir no museu, vamos para buscar algo, encontrar respostas, complementar nossa sabedoria, formar opinião e não para aprender tudo sobre determinado assunto. O museu deve servir como complemento a educação e não como órgão educador. Na Europa as coisas funcionam de maneira diferente pelo simples fato de que a pessoa já vai consciente ao museu e busca um complemento, não como no Brasil que vamos só por ir, por curiosidade. Vai do visitante sair do museu e pesquisar sobre o assunto, caso ele não tenha a ciência do que acabou de ver.
__Após abranger a crise da memória e o problema da documentação histórica falando dos suportes documentais, descontextualização e escala da documentação, conclui que a crise da memória cria uma situação problemática na documentação a prática da história, sendo uma situação favorável a uma renovação de perspectivas e a superação de seqüelas positivistas que ainda rondam nosso domínio. Conclui também que existe a necessidade de historicizar a memória. Necessidade de estreitar a solidariedade do trabalho documental e da produção do conhecimento histórico.
Bibliografia:
- LEGOFF, Jacques. História e Memória. SP – Ed. Unicamp, 2003. Cap.: Documento/monumento. Pg. 525/541.
- Revista FAPA. Ed. nº 27. Porto Alegre – RS. Pg. 13/24. Cap. O Patrimônio em construção e o conhecimento histórico. Por POSSAMAI, Zita.
- SILVA, Zélia L. (organizadora). Arquivos Patrimônio e Memória: Trajetórias e Perspectivas. SP – Ed. UNESP. Cap. A crise da memória, história e documento: reflexões para um tempo de transformações. Por Meneses, Ulpiano.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Baixa e olha aí!

Filme:
CHE - O ARGENTINO (Che - El Argentino, Steven Soderbergh - 2009)
O tão esperado filme baseado nos diários de Ernesto Guevara de la Serna, ou Che Guevara, na Revolução que tomou o poder de Cuba das mãos do terrível Fulgêncio Batista.
O filme, então, mostra a tragetório do movimento desde sua formação no México até a entrada triunfal dos Revolucionários em Havana, todo em forma de documentário com passagens dos acampamentos e da guerra.
Seguindo as palavras do autor do filme: "... há muitos aspectos da vida de Che que as pessoas não conhecem. Se contássemos o que ocorreu na Bolívia sem mostrar o que houve antes, não haveria o contexto para entender a história." disse Soderbergh sobre a segunda parte que ainda não estreiou nos cinemas. Sobre os que desaprovam o fato do filme "Che" retratar um perfil positivo do guerrilheiro e favorável às suas ações, Soderbergh afirmou: "Conheço bem a argumentação dos que são anti-Che e sei que qualquer quantidade de barbaridades que incluíssemos nesse filme não seria suficiente para satisfazê-los"
O filme conta com um grande elenco latino-americano com os atores Benício Del Toro (ganhador do globo de ouro como melhor ator coadjuvante em "Traffic" e indicado ao Oscar na mesma categoria pelo mesmo filme), o brasileiro Rodrigo Santoro, a colombiana Catalina Sandino Moreno (indicada ao Oscar no filme "Maria, llenes eres de gracia") entre outros.
Quem nunca leu o livro "Guerra de Guerrilhas" do Ernesto ou alguma biografia baseada em sua vida pode ficar levemente perdido no meio dos acontecimentos, mas nada que faça perder o entendimento ou a vontade de ver esse, que para mim, foi o grande sucesso dos cinemas neste ano, até o momento. E que venha a segunda parte!
terça-feira, 28 de abril de 2009
Farra das passagens aéreas
Falou tudo! Não há o que acrescentar!
É o que eu sempre venho dizendo e postando no blog* e ninguém está nem aí!
* Ver Post "Época de eleição é sempre bom lembrar".
http://blogdoivanpinheiro.blogspot.com/2008/09/poca-de-eleies-sempre-bom-lembrar.html
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Movimento 26 de julho - Comunismo ou Ufanismo?
__O que moveu o Movimento 26 de julho, ou M-26-J, como também era conhecido, foi o ufanismo (sentimento nacionalista) que moviam os cubanos cansados das humilhações sofridas pelo governo. Já Guevara, entra para o movimento mais movido pelo seu espirito aventureiro e sua procura por si mesmo, achar o que ele realmente procurava, ainda não muito claro em sua cabeça.
__Os ideais comunistas da revolução começam a ser formados quando o M-26-J recebe o apoio do Partido Comunista Cubano que tem seu papel na revolução.
__A revolução dura 3 anos e em 1959 está acabada. Acontece a entrada triunfal dos barbudos revolucionários em Havana aclamados pela população que fora tão importante nas lutas contra a Ditadura Batista quanto os próprios combatentes e saem na capa de todos os jornais do mundo. A população cubana forneceu abrigo, comida entre outras necessidades que os revolucionários necessitavam ao longo de seus avanços e suas batalhas pelo território cubano, além dos manifestos e protestos de rua. Nas palavras do Che: "Nós demonstramos que um grupo pequeno de homens decididos, apoiados pelo povo e sem medo de morrer, por uma nobre causa, pode chegar a se impôr a um exército regular e diciplinado e derrotá-lo definitivamente. Essa é a lição fundamental!"
__Os principais problemas enfrentados por Cuba hoje são econômicos. O bloqueio continental imposto pelo Imperialismo Estadunidense (a maioria dos países do mundo tem ligação econômica com os EUA e alguns inclusive dependem deles, caso algum mantenha grandes negociações com Cuba ou tente ajudá-los economicamente, será automáticamente mais um inimigo norte-americano, o que não é nada interessante nos dias de hoje se tratando de guerras) faz com que Cuba não possa movimentar sua economia como qualquer outro país. A economia cubana se movimenta com suas próprias pernas e vivem basicamente de produção própria, sem importações. Os Norte-Americanos possuem alguns motivos para complicar a vida dos cubanos, entre eles o fato de terem sido expulsos do território pelos Revolucionários de Fidel, a ligação direta de Cuba com a União Soviética durante a Guerra Fria e o Comunismo.
__A pouca renda cubana é muito bem distribuida entre a população. Todos tem o necessário para se viver adequadamente, não lhes falta nada que é necessário para um ser humano viver com tranquilidade. A populção é 99% alfabetizada e possui um sistema de saúde muito eficiente. Por todos serem politizados, entendem as necessidades da política defensiva e protecionista severa, apesar de alguns "erros" (morte de assassinos da ditadura Batista, traidores da revolução e outros que ameaçaram a paz do País; privações à população) da ditadura Fidel Castro. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela população e pelo governo, o ufanismo cubano é o que os mantém ao longo da metade do século XX até aqui firmes sem depender de nenhum outro país e seguros de que não voltarão a ser uma colônia, de um país imperialista, humilhada e miserável.
Bibliografia:
- CASTAÑEDA, J. Che Guevara, a vida em vermelho. São Paulo: Companhia de Bolso. 2006.
- TAIBO II, P. I. Ernesto Guevara, também conhecido como "Che". São Paulo: Companhia das Letras. 2008.
- PERIGALLI, E. A América que os europeus encontraram. 13ª ed. rev. atual. São Paulo: Atual, 1994.
__Abaixo, um vídeo do Che descrevendo a economia de Cuba e as dificuldades que o país enfrentava e haveria de enfrentar após a revolução.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Discussões de Cartografia: Geografia ou Política?
Vamos aos Fatos:
- O mapa que conhecemos possui a Europa no meio e na parte alta. Por quê? Eurocentrismo. Os europeus (primeiros a desenvolver noções cartogáficas em nível continental) colocaram a Europa no Alto numa espécie de divisão sócio econômica e no meio por ser considerado o centro do mundo antigo, onde tudo acontecia. Melhor explicando, a Europa como sendo melhor que os outros, o centro das atenções. Os países considerados sub-desenvolvidos estão localizados na parte baixa do mapa e os considerados desenvolvidos, na parte alta, como uma noção de superioridade.
- Nós aceitamos este mapa porque o Brasil é um país sem auto-confiança científica. Nós nos sentimos inferiores aos demais países. Utilizamos o modelo europeu dentro os principais fatores a nossa colonização portuguesa.
- Os geógrafos estadunidenses usam o mapa com os EUA no meio, a Europa à direita e a Ásia e Oceania à esquerda.
- Já os geógrafos Australianos utilizam um mapa invertido, de cabeça para baixo. A Austrália fica no centro do Mapa e no alto (O pólo sul para cima).
Norte e Sul serão sempre Norte e Sul (através da bússola - que é composta por uma agulha magnética na horizontal suspensa pelo centro de gravidade, e aponta sempre para o eixo norte-sul, ao seguir a direção do norte magnético da Terra - podemos localiza-los.). Norte não tem nada à ver com ser para cima ou para baixo, assim como Sul também não tem nada à ver com ser para cima ou para baixo. Isto é por causa da noção de cartografia que temos.

Mapa no estilo Europeu
Mapa utilizado na Austrália
domingo, 14 de dezembro de 2008
Pena que não acertou...
Durante uma entrevista coletiva em Bagdá um jornalista jogou um sapato contra o presidente americano. Bush abaixou para desviar. O serviço de segurança agiu rapidamente e retirou o homem da sala.
O homem foi levado para um local desconhecido pelos agentes secretos americanos. Espero que ele esteja bem, pra mim foi o heroi do ano!
Parabéns!
sábado, 13 de dezembro de 2008
Lição de vida
Tem gente que tem muito e não ajuda ninguém, outros com tão pouco conseguem ajudar muitas pessoas.
Se cada um de nós fizesse alguma coisa por alguém, pensasse no próximo, o mundo não estaria como está hoje, tão desigual.
O Sistema é assim: Tu te omite, te corrompe ou vai pra guerra!
O dia que me convencerem que eu não posso mudar o jeito que o mundo está hoje, não terei razão para viver! Eu escolhi ir pra guerra, e tu?
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Grécia Antiga - Período Clássico (séculos V - IV a.C.)
___Chamado de Período Clássico (século V – IV a.C.) marcou o apogeu (Guerras médicas) e o declínio (Guerra do Peloponeso) da civilização grega.
___Os persas (ou medos) iniciaram um movimento expansionista no século VI a.C. que originou um império que abrangia o Egito, a Índia, a Fenícia e as cidades gregas do litoral da Ásia Menor. Sua supremacia naval nos mares Egeu e Negro ameaçavam a península balcânica. Com a revolta das cidades gregas da Ásia Menor, lideradas por Mileto, começam os conflitos.
___Sob o comando do imperador Dario I, as forças persas invadiram a Grécia continental, em 490 a.C., porém essa ofensiva foi barrada pelos atenienses na Batalha de Maratona. Uma década depois o filho de Dario, Xerxes, então rei dos Persas, realiza outra incursão, uma terrestre e uma naval. Vendo-se diante de um inimigo comum, as cidades-estado gregas se unem: Esparta, liderada por Leônidas em investidas terrestres é derrotada na Batalha das Termópilas (narrada na obra de Heródoto: História). Atenas, liderada por Temístocles em investidas marítimas, venceu definitivamente os persas na Batalha da Salamina. Posteriormente conseguiram expulsar os persas também da Ásia Menor.
___Com o intuito de proteger as cidades gregas da Ásia Menor e o mar Egeu, foi decidida a criação de uma aliança marítima, conhecida como Liga de Delos. Possuidora de uma posição hegemônica das restantes cidades, Atenas serviu dos recursos da Liga para a reconstrução e o embelezamento de sua Acrópole e para se transformar em um império marítimo e comercial. De todas suas conquistas só não concretizou a unificação de toda Grécia, pois Esparta e suas aliadas formaram a Liga do Peloponeso.
___No governo de Péricles (461 – 431 a.C.), a democracia escravista atingiu seu limite. A prosperidade econômica de Atenas estava baseada em mão-de-obra escrava. Além de utilizados nas minas, nas oficinas de artesanato e nos serviços domésticos, ainda eram vendidos como mercadoria para outras cidades gregas, ou seja, Atenas exportava escravos pro resto da Grécia. Péricles representava os interesses de muitas camadas sociais: comerciantes, artesãos e grandes produtores. Realizou reformas políticas a fim de que todos os cidadãos participassem da vida pública. Para reduzir as tensões sociais, aumentou ofertas de empregos nas construções públicas (a exemplo do Partenon em homenagem à Deusa Atenas). Todavia, restringiu o direito de cidadania: somente filhos de pai e mãe atenienses seriam considerados cidadãos, continuando excluídos os metecos (estrangeiros), mulheres e escravos.
___O expansionismo ateniense desagradou muitas cidades gregas levando a Grécia à uma crise interna que resultou na Guerra do Peloponeso.
___Resumido rapidamente as guerras médicas no primeiro item, falaremos de Herôdotos, considerado o Pai da História, que descreveu em sua obra (História) a Batalha das Termópilas que será o assunto do item 3. No item 4 encerraremos com a Guerra do Peloponeso.
2 –A Historiografia Grega e Heródoto, o Pai da História
___Ao se interessarem pelas questões do mundo e o lugar do homem nele, os gregos reconsideraram o seu passado, daí a idéia de Heródoto escrever sua obra. Antes disso os interesses dos gregos se voltavam mais para os mitos, poemas, histórias de famílias, etc. Essa por vezes usada para a resolução de questões de poder de terras e cultos.
___Os principais estudiosos dessa historiografia grega foram Heródoto e Tucídides.
___Heródoto nasceu em Halicarnasso (atual Bodrum, cidade turca), na Ásia Menor, nos limites do Império Persa, no ano de 4230 do período Juliano, o que equivale a 484 a.C. Filho de Lixas e Drio, sobrinho de Paniasis, que foi um grande poeta, segundo de suma importância para a Grécia após Homero, o primeiro. É provável que Heródoto tenha falecido por volta de 425 a.C.
___Heródoto foi o primeiro a escrever uma obra em prosa onde reúne diversas narrativas históricas ou quase históricas onde analisa o psicológico das personagens conversando com o leitor. Antes de Heródoto, existiram crônicas e épicos que também haviam preservado o conhecimento do passado. Mas Heródoto foi o primeiro não só a gravar o passado, mas também a considerá-lo um problema filosófico ou um projeto de pesquisa que podia revelar conhecimento do comportamento humano. A sua criação deu-lhe o título de "pai da história" e a palavra que utilizou (historie), que previamente tinha significado simplesmente "pesquisa", tomou a conotação atual de "história".
___Ele investigou o passado através de livros e depoimentos durante suas viagens pela Grécia,conhecendo novas culturas e costumes assim dando um valor científico à sua obra.
___O que sabemos é que Heródoto escreveu somente duas obras : uma sobre a história da Assíria, que infelizmente se perdeu com o tempo e outra, intitulada, “Histórias” que chegou até nós praticamente completa. Em Histórias, o estudioso retrata o conflito entre gregos e persas nas Guerras Persas, ou Guerras Médicas.
___Outro grande historiador foi Tucídides que escolheu como tema de suas pesquisas a Segunda Guerra do Peloponeso. Focalizando seus estudos nos aspectos militares e políticos, acompanhando a guerra ano a ano através desses fatores.
3 – Batalha das Termópilas
___O principal motivo da batalha foi quando o Orador conta à Leonidas que um mensageiro persa chegou a Esparta e comunicou-lhe o desejo de Xerxes em dominar a região. Leónidas, ofendido com tal mensagem, mata toda a comitiva persa e decide começar uma guerra cotra Xerxes.
___Esta batalha narrada por Herodotos ocorreu no desfiladeiro das Termópilas, na Grécia Central. Ali, 300 espartanos, todos eles pais para que se pudesse perpetuar a tradição militarista da cidade, sob o comando de seu rei Leónidas, acompanhados por 7000 aliados de outras cidades-Estado helénicas, enfrentaram centenas de milhares de persas liderados por Xerxes, filho de Dario. Foi travada no contexto da II Guerra Médica, decorreu no Verão de 480 a.C.
___A grande difereça numérica entre os inimigos, levou a batalha a terminar com uma aparente vitória persa. Os Gregos conseguiram derrotar um grande número de inimigos e retardar o avanço dos Persas pela Grécia, antes de serem totalmente derrotados. Sua intervenção, para não morrerem como escravos persas, foi decisiva para o futuro do conflito, o que levou-lhes a ser também considerados vencedores. De fato, não vence uma batalha apenas aquele que destrói o exército inimigo, mas sim aquele que cumpre seu objetivo. Os Espartanos, ao deterem durante 3 dias, os Persas nas Termópilas, permitiram a salvação de Atenas e da nascente Civilização Ocidental.
___Segundo Heródotos, numéricamente falando, a batalha envolveu quatro milhões e meio de homens arregimentados à força pelos Persas, contra Leónidas e os seus trezentos Espartanos, combatendo tão-só pela liberdade da sua Nação. Mas não havia apenas Espartanos nas Termópilas. Enumera, do lado grego, trezentos Espartanos, quinhentos hoplitas de Tegeia e outros quinhentos de Mantineia, cento e vinte de Orcómeno, mil da Arcádia, quatrocentos de Corinto, duzentos de Pilos e oitenta de Micenas (prefazendo estes o contingente do Peloponeso, num total de 3100 homens); setecentos de Téspias, setecentos de Tebas, mil homens da Fócia, e ainda um número desconhecido (mas elevado) de Lócridos Opuntianos. Portanto, no mínimo, cinco mil e quinhentos homens.
___Outro fato muito importante envolve esta batalha: 480 a.C. foi ano de Olimpíadas, durante as quais se proclamava a trégua sagrada e cessavam as hostilidades entre todos os inimigos na Grécia. Embora se tratasse de um inimigo externo (não-heleno), e se tratasse de uma situação de excepção, a trégua entre os Gregos não foi respeitada.
___Quanto ao campo do adversário, Heródoto fala em 2,1 milhões de Medo-Persas, acompanhados por 2,6 milhões de soldados auxiliares. Tradicionalmente os escritores da antiguidade costumavam aumentar exageradamente os números para grandificar os feitos de seus países. Sendo assim é possível que estes números não sejam desta forma exagerados, mas acredita-se que de fato eram números elevados.
___Em Agosto de 480 a.C., as forças da Liga posicionaram-se no interior do estreito, com Leónidas no supremo comando, tendo este no entanto que fazer face à tentativa de deserção dos Tebanos (acusados de simpatizarem com os Medos, teriam eventualmente deslocado às Termópilas apenas para que não recaísse sobre a sua cidade a inimizade e o opróbrio dos restantes membros da Liga, e tendo já provavelmente a intenção secreta de se furtarem a meio do combate, como viria, de fato, a acontecer), e aos pedidos dos seus aliados do Peloponeso, que desejavam que as forças se concentrassem no Istmo de Corinto. A tudo isto o rei espartano respondeu com mão de ferro. Colocou ainda os Fócios a guardarem a rectaguarda do estreito, por forma a evitar qualquer ataque surpresa.
___Ao mesmo tempo, os Persas aproximavam-se do desfiladeiro, tendo Xerxes montado o seu acampamento no topo de uma colina sobranceira, em Mália, onde instalou também o seu trono áureo, de onde observou, durante dias, o confronto armado entre os seus homens e os irredutíveis Helenos.
___Durante quatro dias, Xerxes esperou que fossem os Gregos a tomar a iniciativa, mas como isto não ocorreu, decidiu ele mesmo atacar, na madrugada do quinto dia; os seus homens, armados somente com um pequeno escudo e uma lança de menores dimensões que a dos hoplitas gregos (cujo armamento – elmo, couraça, escudo, grevas, lança e uma pequena espada – lhes dava, nesta fase do confronto, uma superioridade decisiva), ao tentarem penetrar no desfiladeiro, viram-se completamente rechaçados, pois as falanges gregas facilmente destruíam as suas lanças e, desarmando-os dessa forma, fácil foi chaciná-los em seguida.
___Xerxes, que observava o espectáculo, teria dito, segundo Heródoto, ter “muitos homens, mas poucos soldados”. De fato, embora Xerxes dispusesse da superioridade numérica, as condições físicas do estreito impediam-no de tirar partido dessa vantagem (designadamente, pela impossibilidade de fazer aí atacar a sua célebre cavalaria).
___Mesmo quando Xerxes ordenou que os archeiros medos disparassem, os longos escudos dos Gregos protegeram-nos das flechas. Como estas estratégias não davam resultados, Xerxes ordenou enfim que avançassem os 10 mil Imortais, comandados por Hidarnes. Tratava-se do corpo de elite da infantaria persa. Devia o nome ao fato de, assim que morria um dos seus combatentes, este era imediatamente substituído, prefazendo dessa forma um total constante de dez mil, por isso eram tidos como “imortais”. Os guerreiros Imortais de Xerxes não obtiveram sucesso sendo arrasados pelos Espartanos.
___No 6º dia Xerxes resolve atacar novamento, sendo novamente derrotado.
___Foi então que apareceu, no acampamento persa, Efialtes, filho de Euridemo de Mális, nome que tem ecoado pelos séculos como sinônimo de traidor. Dirigiu-se ao Rei Xerxes na esperança de obter uma compensação ao informar sua estratégia de usar um caminho caminho secreto que conduzia à retaguarda das Termópilas (onde se achavam os Fócios), através da montanha. Xerxes aceitou sua estratégia, convocando Hidarnes e ordenando que os Imortais percorressem o dito caminho durante a noite, para aacar os Gregos logo pela madrugada. Estratégia que deu certo, quando os Fócios se deram conta da presença do inimigo, era tarde demais. Segundo Heródoto, um adivinho que se encontrava entre os soldados, Megístias, após analisar as entranhas dos animais sacrificados pelos Persas em oferenda aos deuses para confirmar sua vitória, concluiu que a morte chegaria aos Espartanos inevitavelmente. Leónidas reuniu o conselho de guerra, tendo as opiniões dos Helenos dividido-se: uns eram a favor da retirada pura e simples, para evitar uma inevitável chacina; outros defendiam que aí deviam permanecer até ao último homem. Leónidas resolveu o problema, declarando que todos os Aliados eram livres de partir, já que não sentia neles a coragem para combater; apenas ele e os seus trezentos homens não podiam desertar, pois a isso os obrigava a Constituição de Licurgo (que declarava constituir a deserção a suprema desonra para um Espartano); se pelo contrário ali permanecessem e morressem a pelejar, o seu nome seria acumulado de glória e jamais cairia no esquecimento.
___Ao mesmo tempo, esta decisão do rei deve ter sido reforçada pela chegada de um oráculo da Pitonisa de Delfos; pouco antes do começo da batalha, Leónidas mandara inquirir de Apolo quem sairia vencedor da pugna, e agora a sacerdotisa do deus respondia-lhe que um dos reis de Esparta deveria sacrificar-se para que a respectiva Cidade-Estado continuasse de pé.
___Então chega o sétimo dia. Os Persas haviam já contornado o desfiladeiro, abandonado pelos Fócios, e iniciam o seu ataque por ambos os lados do estreito. Os Gregos, certos de que não havia outra saída que não fosse a morte, pareciam não a temer e, segundo Heródoto, lutavam com ainda mais vontade que nos dias anteriores, causando grandes perdas entre os invasores persas.
___No último dia de ataque dos Persas, cercados, os Espartanos são derrotados numa luta corpo-a-corpo, morrendo de modo honroso. Leónidas caiu morto junto à seus soldados no meio da batalha. Segundo Heródoto, os soltados ao verem seu rei cair, tentaram resgatar seu cadáver no meio dos mortos para que pudessem lhe dar um digno e merecido funeral e preservá-lo de humilhações que poderiam ocorrer por parte dos inimigos.
___Ao fim da batalha, Xerxes vai pessoalmente ao campo de batalha procurar o corpo de Leonidas e após encontrá-lo, mandou decapitá-lo e empalar sua cabeça.
___Mas a salvação do corpo do seu rei não foi o único problema com que os Espartanos se debateram; a sua maior dificuldade eram as deserções que continuavam a verificar-se (Heródoto cita os nomes de dois homens que teriam sobrevivido à batalha, afirmando que um deles cometeu suicídio por não aguentar a pressão da desonra, demonstrando assim que até entre os Espartanos houve deserções, e que nem todos os Trezentos teriam morrido na batalha). Xerxes, descontente, ordenou que metade dos combatentes tebanos fosse massacrada, e a outra metade escravizada – destinando-se o castigo a punir a demora no honrar do acordo de aliança celebrado.
4 – Guerra do Peloponeso
___A guerra do Peloponeso se deu porque os interesses de Atenas acabaram se chocando com os interesses de Esparta, lider da Liga do Peloponeso. O confronto deu-se de culturas e de regimes políticos antagônicos. De um lado Atenas, democrática e imperialista, com a força assentada no poder naval; do outro, Esparta, militarista e conservadora com o poder apoiado no mais organizado exército grego. A guerra durou até 404 a.C. quando Esparta derrota Atenas na Batalha de Egos Pótamos. O confronto entre as duas cidades dado o equilibrio de forças existente, devastou a Grécia e demarcou o início de seu declínio. A hegemonia espartana dura pouco, dando lugar à cidade de Tebas, que também teve uma liderança efêmera. Surgiu, então, no norte da Grécia, uma nova potência: a Macedônia.
Bibliografia:
- HERÓDOTO. História. Brasília: Universidade de Brasília. 1988.
- JONES, Peter V. (organizador). O mundo de Atenas: uma introdução à cultura clássica ateniense. [tradução: Ana Lia de Almeida Prado]. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
- CARTIEDGE, Paul. História Ilustrada da Grécia Antiga. São Paulo: Editora Escala.
Filme:
- MILLER, Frank. 300. Warner Brothers. EUA, 2006.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
O Brasil de Luzia e a Origem dos Americanos
______O interesse humano em desvendar os mistérios de sua origem vem desde os tempos clássicos antes de Cristo. A teoria do homem como obra de Deus sustentou-se durante milhares de anos até o surgimento da Arqueologia Pré-Histórica, que vem provando que essas crenças não passam de mito, no século XVIII com Christian Jürgensen Thomsem. Ele desenvolveu uma poderosa técnica de classificação cronológica através de análises em artefatos. Seu patriotismo foi um dos principais motivos para começar seus estudos como muitos antiquários da época. Em 1816, a Comissão Real Dinamarquesa convidou Thomsem para fazer o catálogo da coleção de antiguidades para exibição. Foi então que ele decidiu dividir a coleção em 3 classificações cronológicas, subdividindo a Pré-História em Idade da Pedra, Idade do Bronze e Idade do Ferro. Desde então, ao longo dos séculos procedentes, a arqueologia sofreu várias mudanças com surgimentos de teorias e técnicas inovadoras na procura de artefatos transformando-se num curso acadêmico como se apresenta nos dias de hoje.
______No Brasil, Em 1825, chegou no Rio de Janeiro, Peter Lund, hoje considerado pai da arqueologia brasileira. Após ir e voltar da Europa, Lund vai à Minas Gerais, em 1834, junto ao botânico Ludwig Riedel, onde começam escavações. Durante a viagem, Lund foi informado das cavernas existentes em Lagoa Santa, ao sul de Curvelo, onde se encontrava. Foi lá que passou a encontrar vários fósseis de espécies já extintas. Notou que nas cavernas existia um padrão geral de sedimentação. No piso existia uma argila fina, abaixo uma capa estalagmítica não muito espessa, após uma argila vermelha que podia atingir alguns metros de profundidade e apresentava muitas ossadas fósseis. Em 1843 ocorreu um esvaziamento da Lagoa do Sumidouro e Lund pôde revelar um verdadeiro baú de ossos encontrado numa gruta que ficava embaixo da água localizada no sopé de um maciço calcário que margeia parcialmente a lagoa. Então, após analisar os crânios e ossos ali encontrados, lançou a hipótese de que o homem teria surgido primeiro na América e depois migrado para a Ásia, onde teria dado origem às populações mongólica, procedendo do imperfeito para o mais perfeito. Após 10 anos de escavações e vários achados, Lund interrompeu suas escavações alegando através de uma carta para sua família que não tinha mais saúde nem condições financeiras para prosseguir.
______Após Lund, começou então a exploração arqueológica no Brasil. No final do Século XIX, Von den Steinen realizou escavações nos sambaquis de Santa Catarina, Emilio Goeldi em sítios arqueológicos do Amapá e Kröne estudava os sambaquis no litoral paulista. Após estes, houve poucas pesquisas arqueológicas no país até a metade do século XX. O casal Betty Meggers e Clifford Evans, por volta dos anos 1960-70, fez pesquisas na Ilha de Marajó, na Amazônia, e tentaram montar um quadro preliminar da pré-história dos estados da fachada marítima, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte onde encontraram as tradições ceramistas reconhecidas até hoje.
______Cem anos após a chegada de Lund, começam novas escavações na região de Lagoa Santa - MG por Harold Walter entre outros membros da então formada Academia de Ciências de MG. Foram encontrados restos de animais pré-históricos junto ao esqueleto do então chamado “Homem de Confins”.
______Entre 1973 e 1976, a arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire concentrou escavações no abrigo de Lapa vermelha, conhecido como Lapa Vermelha IV. Após onze metros de escavação encontrou o esqueleto de uma jovem do sexo feminino posteriormente denominado Luzia (nomeada assim pelo arqueólogo Walter Neves – Considerada a “Lucy brasileira”, provavelmente fora chamada assim e não Lúcia, o que seria Lucy em inglês, devido à cidade de Santa Luzia, vizinha de Lagoa Santa) e datado em aproximadamente 11,5 mil anos. O que mais espanta em Luzia é sua aparência fenotípica com os Aborígenes Australianos, a grande questão é como ela teria chegado na América? Deste ponto em diante abre-se a discussão mundial da chegada destes povos aqui, visto que há 12 mil anos atrás não existia nenhum tipo de embarcação ou se existia, não seria capaz de atravessar o oceano e chegar até aqui. A derrocada do modelo norte-americano “Clovis-first” por Tom Dillehay após achados pré-Clóvis no Chile, fizeram com que Luzia ficasse famosa no mundo. Então Walter Neves fez um modelo cronológico de todos os achados de Lund em Lagoa Santa provando que Luzia não estava sozinha, destruindo assim as teorias norte-americanas que tentavam derrubá-la.
______Introduzido um resumo da Arqueologia Pré-Histórica Mundial e Brasileira no primeiro item, no 2º item haverá uma rápida cronologia histórica sobre o surgimento do homem no mundo e na América. No 3º item falarei sobre as teorias a respeito da chegada do homem à América.
2 – CRONOLOGIA HUMANA NO BRASIL E NO MUNDO
______Como sabemos, sobre o surgimento da vida no planeta está registrado que as bactérias surgiram cerca de 3,5 bilhões de anos, criaturas multicelulares há 1,8 bilhões de anos, primeiros animais há 575 milhões de anos, formas animais hoje existentes há 530 milhões de anos, sabe-se que 9/10 da evolução da vida ocorreu embaixo da água. Plantas terrestres surgiram há 500 milhões de anos, primeiros invertebrados e vertebrados terrestres há 450 e 360 milhões de anos respectivamente, dinossauros e mamíferos há 250 milhões de anos, sendo que os dinossauros extinguiram-se há 65 milhões de anos, primatas surgem aos 55 milhões de anos e posteriormente os homens e seus ancestrais diretos, os hominíneos, surgidos há 7 milhões de anos. Deste período, denominado Paleolítico, foi encontrado o esqueleto mais antigo de uma espécie anterior a humana, no deserto do Chade, na África Central. Chamado de Homem de Toumai revolucionou a história da espécie humana sugerindo que a diversidade de espécies pré-humanas é muito maior do que se imaginava.
______Até então acreditava-se que os australopitecus (Lucy, encontrada em Hadar, no deserto de Afar, Etiópia. Esqueleto datado em torno de 2,5 milhões de anos) fossem os descendentes diretos do gênero Homo.
______O surgimento do gênero Homo se da por volta de 2 milhões de anos nas savanas africanas. A partir daí começa a evolução do homem fisicamente parecido conosco principalmente do Homo erectus que tão logo ao seu surgimento começou a se expandir para outros continentes, tendo chegado ao Cáucaso (entre Europa e Ásia) por volta de 1,75 milhões de anos. Alguns autores acreditam segundo análises em crânios, em duas espécies distintas: Homo ergaster (Ásia) e Homo erectus (África). Por volta de 1,6 milhões de anos começaram a surgir ferramentas de pedra lascada, mas sem uma concepção formal do objeto desejado. Indústria lítica conhecida como Acheulense, acredita-se que apenas depois dessa indústria o homem tenha saído da África. Por volta de 800 mil anos os primeiros grandes cérebros começaram a surgir. Podemos reunir todos em uma única espécie: Homo heidelbergensis (homem fisicamente moderno). Datada em 400 mil anos, uma lança de madeira foi encontrada junto a esqueletos de cavalos pré-históricos na Alemanha, nos anos 1990. Por volta dos 250 mil anos o homem desenvolve uma técnica revolucionária no lascamento de pedras dando início a indústria lítica chamada Musteriense, essa indústria teve seu auge entre os Neandertais, que surgiram há 200 mil anos no Norte da Europa Ocidental. Os heidelbergensis, por volta dos 300 mil anos, passaram a apresentar uma morfologia craniana notável, faces para frente afastadas do neurocrânio, característica mais importante do crânio neandertal. Ao contrário do que se pensava os neandertais não possuíam nenhum tratamento ritual aos mortos, apenas os enterravam em covas rasas e mal elaboradas provavelmente por razões higiênicas ou evitando predadores, sua extinção (29 mil anos) coincidiu com a chegada e expansão do Homo sapiens (homem comportamentalmente moderno - 45 mil anos) no Oriente Médio e na Europa por volta dos 40 mil anos.
______No Piauí, foram encontrados resquícios de fogueiras possivelmente feitas por homens pré-históricos datadas em torno de 40 mil anos (período chamado Paleoíndio), apelidado de “homem da pedra furada”, seria o mais antigo das Américas, no entanto não foram encontrados ainda restos mortais destes humanos, não comprovando sua real existência.
______A possível ocupação da Lapa do Sol, no vale do Rio Guaporé, Mato Grosso, teria se dado há 14 mil anos atrás, no Mesolítico. Neste mesmo período, em torno de 12 mil anos o homem, já adaptado a natureza, usava o fogo para espantar animais, era forrageador (vivia da coleta, caça de pequenos animais e pesca) e fabricava objetos de pedra lascada. Eram nômades e dividiam espaço com a Megafauna. Época que viveu Luzia, a primeira mulher brasileira, datada em 11,5 mil anos. 500 anos depois é possível afirmar que o homem domesticava animais e desenvolveu a agricultura. Também produzia peças com preocupação estética, como a cerâmica. É provável que nessa mesma época tenha começado a ocupação da caverna da Pedra Pintada, em Monte Alegre, no Pará.
______Já na Era Glacial (9 mil anos; Neolítico – Arcaico), o frio em áreas de glaciações levava o homem a se refugiar em cavernas e a usar o fogo para obter aquecimento e luz.
______A ocupação de diferentes áreas da Amazônia começa por volta de 8 mil anos, pode-se citar, principalmente: Serra dos Carajás (PA), Rio Jamari (RO), Rio Caquetá (Colômbia), Baixo Rio Negro (próximo à Manaus) e Alto Orinoco (Venezuela). É possível que neste período também tenha iniciado a produção de cerâmicas nos sítios da caverna da Pedra Pintada.
1000 anos mais tarde, a técnica da metalurgia com ferro e bronze é usada pelos povos Mesopotâmicos, no oriente.
______Aqui no Brasil, em 5500, dá-se o início da produção cerâmica nos sambaquis do litoral paraense.
______A escrita surge na China, com símbolos pictórios, no Egito, com os hieróglifos, e na Mesopotâmia, em forma cuneiforme, há 5 mil anos atrás.
______Em 4500 dá-se o início da formação das terras pretas pelos indígenas brasileiros no rio Jamari. Essas terras são ricas em nutrientes e extremamente férteis, ótimas para plantação. Provavelmente foram formadas com restos mortais de animais, fezes, urina, cascas de frutas e raízes, carvão entre outros orgânicos acumulados pelos índios. 500 anos depois os índios tornam-se mais sedentários e desenvolvem a agricultura, territórios são ocupados com construções de estradas e barragens. A ocupação da Ilha de Marajó por grupos fabricantes da cerâmica Ananatuba, ocorre por volta de 3900 anos atrás.
______A ocupação dos grupos fabricantes de cerâmicas da tradição Poço na Amazônia central, próximo à Manaus e do baixo Amazonas, próximo ao rio Trombetas, ocorre por volta de 2300 e tem uma duração de aproximadamente 200 anos.
______Por volta de 2 mil anos, as sociedades seminômades aperfeiçoam suas técnicas de caça, pesca e moradia como os povos dos sambaquis (do tupi-guarani tampa, marisco, ki, monte). Logo depois, por volta de 1700, ocorre a ocupação da Ilha de Marajó por grupos que produziram as cerâmicas da fase Marajoara, ao mesmo tempo que começa a expansão policroma desde a Ilha de Marajó até o sopé dos Andes Peruanos, Equatorianos e Colombianos.
______Em 1600 ocorre a formação de terras pretas em diferentes partes da Amazônia e organização de grandes aldeias. Essas terras pretas, formadas pelos índios, existem até hoje na floresta, o que possibilita a agricultura neste local, visto que a Amazônia não é possuidora de um solo bom para essa cultura.
______O processo de diversificação cultural na foz do Amazonas (Amapá), incluindo o desenvolvimento de diferentes complexos cerâmicos (aristé, manzagão, maracá, aruá), escavação de poços funerários e construção de alinhamentos artificiais de pedra ocorrem por volta de 1500. Neste período continua a ocupação da Amazônia central por diferentes grupos (Manacapuru, paredão e guarita). 300 anos depois ocorre a ocupação da região dos rios Trombetas, Amazonas e Tapajós por grupos produtores de cerâmicas de tradição incisa e ponteada (Santarém e Konduri), de estatuetas de pedra polida, geralmente homens sentados em bancos, e muiraquitãs. Neste mesmo período começa, finalmente, a formação de grandes aldeias ligadas por estradas no alto Xingu.
______Todas as datações utilizadas anteriormente são a.P.
3 – CHEGADA DO HOMEM À AMÉRICA
______Certamente os humanos chegaram ao novo mundo pelo estreito de Bering, entre a Rússia e os EUA, isso é fato. Para muitos a entrada do homem no continente americano pode ter se dado também através de navegação de cabotagem, com embarcações muito simples e precárias, costeando o litoral da Sibéria, após o do estreito e assim chegado ao Alaska. Outros acreditam que o homem, com esse mesmo tipo de embarcação, teria atravessado o Oceano Atlântico da África em direção à América, porém, essa teoria é totalmente descartável, afinal, se com embarcações européias do século XVI, donas de uma boa tecnologia, era difícil fazê-lo, quem dirá com embarcações primitivas.
______Há várias teorias quanto a origem do homem americano. Temos como exemplo a diversidade dentária apresentada por Christy Turner, que propôs a divisão mundial entre sinodontes e sundadontes. Os primeiros seriam do nordeste e leste asiático e de toda a América, os segundos seriam do sul asiático e da Austrália, sendo os sinodontes o padrão mais recente.
______Já Greenberg, dividiu os americanos em três povos distintos (Ameríndios, Na-Denes e Aleuta-Esquimós), levando em consideração a diversidade lingüística aqui encontrada. Johana Nichols propôs que para haver uma diversidade lingüística tão variada, seria necessário que os humanos tivessem chegado à América por volta de 35 mil anos.
______Para os geneticistas, os humanos entraram na América em uma única migração por, volta de 13 mil anos atrás.
______No Brasil, após ser feita a constituição do rosto de Luzia (crânio encontrado em Lagoa Santa com idade de 11,5 mil anos), aconteceu um fato inesperado pelos arqueólogos: Luzia tinha traços aborígenes. Como explicar o fato de Aborígenes oriundos da Austrália chegarem ao Brasil?
______Ao longo dos meus estudos sobre a pré-história humana e do conhecimento que possuo sobre mapas da América e do mundo, pude perceber que no período da Era Glacial (Glaciação Wisconsin: 150 mil anos a.P. – 10 mil anos a.P), também conhecida como “A Era do Gelo”, o Pólo Sul abrangia uma área bem maior do que a atual, podendo assim ter se ligado territorialmente à Patagônia e à Austrália ou, pelo menos, ter ficado muito próximo de ambas podendo assim possibilitar uma passagem do homem seguindo algum tipo de animal ou com uma embarcação primitiva. Sendo assim, poderia ter saído da Tazmania, no sul da Austrália, atravessado até Dumont D’Urville no Pólo Sul. Após costear o Pólo, saído da Ilha de Livingston até a Ilha dos Estados ou até o Cabo Horn, na Patagônia, sul da Argentina. É evidente que esse processo pode ter levado milhares de anos, mas visto que alguns autores propõem que o homem pode ter chegado à América e ao Brasil principalmente há 40 mil anos, seria totalmente cabível. Essa hipótese confirmaria a teoria de que Luzia era uma aborígene que habitava este território por volta dos 12 mil anos.
Bibliografia:
- PROUS, André. O Brasil Antes dos Brasileiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006
- NEVES, Walter A. & PILÓ, Luís B. O Povo de Luzia. São Paulo - SP: Editora Globo. 2008
- NEVES, Eduardo G. Arqueologia da Amazônia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006
- SCHLIEMANN, Heinrich. Os Grandes Enigmas das Civilizações Perdidas, vol. I e II. São Paulo: Otto Pierre Ed., LTDA. 1974.
- ULRICH, Paul. Os Grandes Enigmas dos Tesouros Perdidos. São Paulo: Otto Pierre, Ed., LTDA. 1974.
- PEREGALLI, Enrique. A América que os europeus encontraram. 13ª Ed. rev. Atual. São Paulo: Atual, 1994.
- REVISTA NOVA ESCOLA. O Brasil da Pré-História. Ed. Abril. 05/2008
Filmes / Documentários:
- GIBSON, Mel. Apocalypto. Touchstone Pictures. Icon Productions. EUA, 2006.
- CARTELLE, Castor. O Mistério do Poço Azul. Brasil, 2007.
- STRINGER, Cris & PETTIT, Paul. Neanderthal. National Geographic Channel. EUA, 2008.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Evolução ou Regressão Educacional?
___Hoje em dia, as coisas estão tomando um rumo que se não for tomada uma atitude imediata, perderemos o controle. É cada vez mais comum ver crianças de 11 ou 12 anos já com namorados e até fazendo coisas que mal sabem o que são, nem da gravidade do que pode ocorrer (gravidez, doenças...) e muito menos tem maturidade para fazê-las. Essa “pré-maturidade” acabará dificultando o processo de amadurecimento destes, visto que não tiveram uma infância completa e a passagem para adolescência foi “atropelada”.
___Os pais com a correria do dia-a-dia, trabalhando, estudando, entre outras exigências do mercado de trabalho e do mundo atual, acabam não tendo tempo de educar seus filhos, orientá-los e etc. O número de gravidez na adolescência está aumentando cada vez mais e os casos de DST em menores de 16 anos também. Essas crianças por falta de maturidade e orientação acabam causando mal a si mesmas sem saber. Pré-adolescentes com 12 anos necessitam de uma orientação constante dos pais para saberem a hora certa de fazer coisas que só deverão fazer quando atingirem a adolescência.
___Muitas vezes esses casos não acontecem por culpa dos pais. O problema é que hoje em dia, se ligarmos a televisão às 21 horas é possível ver sexo quase que explicito, ver casos entre homossexuais (de forma alguma cito isto de forma discriminatória), ver pessoas totalmente nuas, crimes, brigas, maldades, pessoas agindo de má fé e se matando. Isso está errado, crianças não tem que ver esse tipo de coisas diretamente, pelo menos não sem uma orientação consistente do que é certo ou errado, do que é ser ou não ser.
___É essencial que isso mude imediatamente, estas coisas não podem ser mostradas assim para todo mundo, mesmo que seja colocada a classificação etária no cantinho da tela de uma forma que ninguém enxerga. Devemos tomar alguma atitude para modificar isto ao invés de dar ibope e deixar nossas crianças verem esse tipo de programa antes da idade adequada.
___Enquanto não muda, vamos arrumar um tempo para nossos filhos, conversar com eles, saber deles, mas sem ser radical, sem proibi-los de fazer as coisas (o dito popular “o que é proibido é mais gostoso” tem seu fundo de verdade), mas sim orientá-los, dar as probabilidades do que pode acontecer, dar as coordenadas e deixá-los escolher o melhor caminho. Escute o que ele pensa a respeito dos assuntos, como vai à vida, o colégio, se está acontecendo alguma coisa. Sempre seja o melhor amigo do seu filho, diga à ele que o ama e que sempre que precisar ele pode contar contigo. De sua orientação de forma calma e sincera, sem brigar, proibir ou usar a violência. O que ele fez ou pensou em fazer é passado, o importante é você orientá-lo para que não faça ou nunca mais repita. Ignorância e violência gera ignorância e violência. Seja o que for, passe confiança e esteja sempre disposto à ajudar, tente mantê-los debaixo dos seus olhos. Isso é essencial para o crescimento pessoal dele.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Caso de Amor...
E que a sua vida queira
Sempre dividir com a minha
Para curti-la inteira
Alguém pra dormir enroscado
Ainda em noites de inverno
Ver um filme durante o feriado
Aos beijos de amor eterno
Que passeie comigo aos domingos
Chimarrão na Redenção
E nos sábados goste de ir
Fazer um "Cooper" no Parcão
Quando quiser fazer uma festa
Colocar uma roupa maneira
Em direção a Cidade Baixa
Para sambar a noite inteira
Com a vitória do nosso time
Na Goethe ir comemorar
E após essa vibração
Ir para o shopping passear
Vou colocar um pedaço seu
Num dos lados do meu coração
E sempre que estiver com você
Ele acelerará a pulsação
Quero alguém pra viver comigo
E que a sua vida queira
Sempre dividir com a minha
Para curti-la inteira
"Sou Bageense de natureza... E Porto Alegrense de coração!"
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Apreciação crítica da obra "O Povo de Luzia"
Antes de tudo é fundamental citar que a obra de Neves e Piló, “O Povo de Luzia”, é, sem dúvidas, uma leitura formidável, sem complicações, onde é alcançado um elevado nível didático, não só falando de pré-história e achados, mas também outros variados assuntos contextualizando Lagoa Santa - MG (onde foram encontrados os fósseis) e a história de Luzia. Com textos e comentários muito bem elaborados, até irônicos em algumas ocasiões, é possível fazer uma viagem pela origem humana e pelos sítios arqueológicos brasileiros encontrados principalmente em MG muito bem descritos na obra. É composta por 8 capítulos sendo que à partir do capítulo 6, Neves e Piló fazem uma espécie de retrospecto fixando algumas passagens dos capítulos precedentes com o intuito de lembrar o caudaloso número de informações certificando-se que o leitor assimilou cada uma delas contidas na obra.O Povo de Luzia, num primeiro momento, fala sobre o processo de hominização, como surgiram os homens na terra. Os autores citam que o homem nasceu de um processo natural como qualquer outro ser vivo, os processos de evolução biológica e seleção natural, teoria de Darwin. Segundo eles evolução não tem projeto, nem mesmo a do homem e que, como expressou Jaques Monod, prêmio Nobel francês, é puro resultado do acaso, não é possível fazer visões no campo da evolução biológica por conseqüência das variabilidades genéticas e mudanças ambientais, a prova disso seria o imenso número de espécies que se extinguiram no passado. Ainda falam que Evoluir é tão diferente de tornar-se melhor quanto de tornar-se mais complexo, que seria apenas mudar mantendo-se adaptado. Seleção natural não fixa sempre alternativas perfeitas, elege a melhor entre as disponíveis e ainda ironizam a dificuldade que a evolução tem em gerar coisas absolutamente revolucionárias visto o tempo elevado que demora pra surgir e adaptar uma espécie num determinado ambiente, prova disto o abundante número de fósseis espalhados pelo planeta.
Fazem uma revisão no surgimento da vida no planeta registrando que as bactérias surgiram cerca de 3,5 bilhões de anos, criaturas multicelulares há 1,8 bilhões de anos, primeiros animais há 575 milhões de anos, formais animais hoje existentes há 530 milhões de anos, citam que 9/10 da evolução da vida ocorreu embaixo da água. Plantas terrestres há 500 milhões de anos, primeiros invertebrados e vertebrados terrestres há 450 e 360 milhões de anos respectivamente, dinossauros e mamíferos há 250 milhões de anos, sendo que os dinossauros extinguiram-se há 65 milhões de anos, primatas surgem aos 55 milhões de anos e enfim os homens e seus ancestrais diretos, os hominíneos, surgem há 7 milhões de anos.
Numa frase atrevida, expressam que a pergunta se nós homens viemos do macaco é totalmente desnecessária pois somos um grande macaco! Deste ponto em diante fazem uma análise fenotípica e comportamental entre os primatas, grupo onde inclui-se o homem. Fazem ainda uma análise evolutiva e classificatória dos antropóides, especialmente os macacos propriamente ditos e os hominóides (pongíneos, gorilíneos e hominíneos). Após a análise começa então a história dos bípedes, onde o mais antigo foi encontrado em 2001 no Chade com datação de 7 milhões de anos e citam que, diferentemente do que pensava Darwin, a fixação da bipedia pela seleção natural se deu nas florestas e não nas savanas. Falam à grosso modo que os hominíneos existentes no planeta entre 7 e 2 milhões de anos eram verdadeiros chimpanzés em pé. Assim como o homem dista 7 milhões de anos do ancestral comum com os chimpanzés atuais (que tem uma identidade gênica entre 95% e 98% em relação aos humanos, sendo considerados nossa “espécie irmã”), estes também evoluíram 7 milhões de anos em relação ao mesmo ancestral. Ainda fazem uma análise das características ósseas desses primeiros hominíneos.
O surgimento do gênero Homo se da por volta de 2 milhões de anos nas savanas africanas, como consta na obra. A partir daí começa a explicação sobre a evolução humana falando principalmente do Homo erectus que tão logo ao seu surgimento começou a se expandir para outros continentes, tendo chegado ao Cáucaso (entre Europa e Ásia) por volta de 1,75 milhões de anos. Alguns autores acreditam segundo análises em crânios, em duas espécies distintas: Homo ergaster (Ásia) e Homo erectus (África).
Por volta de 1,6 milhões de anos começaram a surgir ferramentas de pedra lascada mas sem uma concepção formal do objeto desejado. Indústria lítica conhecida como Acheulense e acredita-se que apenas depois dessa indústria o homem tenha saído da África.Por volta de 800 mil anos os primeiros grandes cérebros começaram a surgir. O autor sugere que poderiam ser todos reunidos em uma única espécie chamada: Homo heidelbergensis (homem fisicamente moderno). Concretizam que datada em 400 mil anos, uma lança de madeira foi encontrada junto a esqueletos de cavalos pré-históricos na Alemanha, nos anos 1990. Ainda citam que por volta dos 250 mil anos desenvolveram uma técnica revolucionária no lascamento de pedras dando início a indústria lítica chamada
Musteriense e que essa indústria teve seu auge entre os Neandertais, que surgiram há 200 mil anos no Norte da Europa Ocidental. Segundo os autores, os heidelbergensis, por volta dos 300 mil anos, passaram a apresentar uma morfologia craniana notável, faces para frente afastadas do neurocrânio, característica mais importante do crânio neandertal. Concluem que ao contrário do que se pensava os neandertais não possuíam nenhum tratamento ritual aos mortos, enterrando-os em covas rasas e mal elaboradas provavelmente por razões higiênicas ou evitando predadores, e que sua extinção (29 mil anos)
coincidiu com a chegada e expansão do Homo sapiens (homem comportamentalmente moderno - 45 mil anos) no Oriente Médio e na Europa por volta dos 40 mil anos. Daí em diante começam a tratar das teorias de expansão do homem pelos outros continentes e principalmente sua chegada à América.Daí então começa a discussão sobre o homem na América. Os Clovistas norte-americanos, por conta de seu egocentrismo inigualável, começam a disputar com os sul-americas as origens do homem na América. Esqueletos encontrados nos EUA datados com 11 mil anos provariam a chegada do homem à América. No entanto, aparece Luzia, um esqueleto datado com 11,5 mil anos no Brasil entre vários outros achados arqueológicos em sítios brasileiros, colombianos, argentinos entre outros. Estava então formada a disputa entre Arqueólogos da América do Sul contra os da América do Norte. A comunidade arqueológica e antropológica norte-americana, pelos seu dogmatismo, retardou assim por décadas o avanço do conhecimento sobre o assunto. Os autores ainda falam das dificuldades encontradas pela profissão, as várias pedras no caminho impostas pelos acadêmicos, ainda mais não sendo norte-americano, onde tradicionalmente encontra-se arqueólogos “mais competentes”.
Em 1825, chegou no Rio de Janeiro, Peter Lund, o pai da arqueologia brasileira. Após ir e voltar da Europa, Lund chega à Minas Gerais, em 1834, junto ao botânico Ludwig Riedel, onde começam escavações. Durante a viagem, Lund foi informado das cavernas existentes em Lagoa Santa, ao sul de Curvelo, onde encontrava-se. Foi lá que Lund passou a encontrar vários fósseis de espécies já extintas. Notou que nas cavernas existia um padrão geral de sedimentação. No piso existia uma argila fina, abaixo uma capa estalagmítica não muito espessa, após uma argila vermelha que podia atingir alguns metros de profundidade que apresentava muitas ossadas fósseis. Em 1843 ocorreu um esvaziamento da Lagoa do Sumidouro e Lund pode revelar um verdadeiro baú de ossos encontrado numa gruta que ficava embaixo da água localizada no sopé de um maciço calcário que margeia parcialmente a lagoa. Então, após analisar os crânios e ossos ali encontrados, lançou a hipótese de que o homem teria surgido primeiro na América e depois migrado para a Ásia, onde teria dado origem às populações mongólica, procedendo do imperfeito para o mais perfeito. Após 10 anos de escavações e vários achados, Lund interrompeu suas escavações alegando através de uma carta para sua família que não tinha mais saúde nem condições financeiras para prosseguir.
100 anos após a chegada de Lund, começam novas escavações na região por Harold Walter entre outros membros da então formada Academia de Ciências de MG. Foram encontrados restos de animais pré-históricos junto ao esqueleto do então chamado “Homem de Confins”.
Entre 1973 e 1976, a arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire concentrou escavações no abrigo de Lapa vermelha, conhecido como Lapa Vermelha IV. Após onze metros de escavação estava achado: O esqueleto de uma jovem do sexo feminino posteriormente denominado Luzia, por Walter Neves, e datado com idade aproximada de 11,5 mil anos. O que mais espanta em Luzia é sua aparência fenotípica com os Aborígenes Australianos, a grande questão é como ela teria chegado na América? Deste ponto em diante abre-se a discussão mundial da chegada destes povos aqui, visto que há 12 mil anos atrás não existia nenhum tipo de embarcação ou se existia, não seria capaz de atravessar o oceano e chegar até aqui. A derrocada do modelo norte-americano “Clovis-first” por Tom Dillehay após achados pré-Clóvis no Chile, fizeram com que Luzia ficasse famosa no mundo. Então Walter Neves fez um modelo cronológico de todos os achados de Lund em Lagoa Santa provando que Luzia não estava sozinha, destruindo assim os apedeutistas norte-americanos que tentavam derrubar Luzia.Chegando ao Capítulo 5, começa então uma análise geográfico-física do Carste de Lagoa Santa onde os autores explicam a formação da região, das cavernas ao longo de milhares de anos e como foram chegados e espalhados os fósseis entre suas estruturas explicando as prováveis atividades e costumes dos grupos forregeadores lá além de explicar também a probabilidade dos costumes e atividades da megafáuna (mastodontes, tigres dente-de-sabre, gliptodontes, toxodontes, preguiças e cavalos pré-históricos) encontrada nessa região.
Dando continuidade à obra, os autores explicam todos os possíveis costumes do Povo de Luzia, baseando-se em outras populações pré-históricas e que existem até hoje, incluindo as atividades de outros primatas, sua alimentação, sua organização social, política e comportamental, seus cultos aos mortos entre outros aspectos. O projeto Origens vem possibilitando novas descobertas na região e prosseguindo a obra os autores explicam seus ideais pro futuro em Lagoa Santa. Por último eles mostram o que ainda encontra-se pendente sobre o povo de Luzia como suas origens continentais entre outros costumes do seu estilo de vida.
A principal idéia de escrever a obra, segundo os próprios autores, é divulgar o que está acontecendo no campo da arqueologia no Brasil, apresentar os principais sítios e o que vem sendo encontrado na nossa terra. Apetecer Jovens estudantes a juntar-se a eles nas pesquisas, não só em Lagoa Santa, mas em outros territórios do país para que possamos descobrir e saber cada vez mais sobre a origem da vida no planeta e a origem do homem. Com o povo de Luzia foram e são capazes de atingir esse principal objetivo pois o livro deixa o leitor com as mesmas “pulgas atrás da orelha” que os autores levantam ao longo da obra e permite que até possam formular algumas novas teorias que possam de repente ser válidas algum dia. Luzia agora luta para fazer parte da ciência mundial, a missão do livro que era apresenta-la aos seus conterrâneos (nós, brasileiros) está se cumprindo, a janela está aberta, agora basta entrarmos no assunto e explorá-lo cada vez mais até que todas dúvidas possíveis sejam esclarecidas!
Bibliografia: NEVES, Walter A. & PILÓ, Luís B. O Povo de Luzia. São Paulo - SP: Editora Globo. 2008.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
O Essencial na Vida
Fonte de Pesquisa: HERÔDOTOS. História. Brasília: Ed. UNB, 1982.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Escravidão no Amapá
Foram vistoriadas três fazendas situadas ao longo da BR-364, que liga o Mato Grosso ao Acre. Nelas, segundo o relatório apresentado pela Superintendência Regional do Trabalho, os trabalhadores viviam "em condições degradantes".
Os trabalhadores estavam alojados em barracos cobertos de lona, sem instalações sanitárias. Em uma das fazendas fiscalizadas, havia um projeto de manejo florestal licenciado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).
A operação foi acompanhada pelo Ministério Público do Trabalho no Amazonas, que abriu ação contra os proprietários, além de determinar a rescisão contratual de todos os trabalhadores que não tinham a carteira do trabalho assinada.
Ao todo, foram pagos mais de R$ 155 mil de indenização. Os fiscais também expediram 75 autos de infração a funcionários das três fazendas. Cada trabalhador recebeu uma quantia por danos morais, além do seguro desemprego.
"O perfil comum é trabalhador com baixa instrução escolar que é aliciado na cidade e levado para o interior", disse o chefe de fiscalização da superintendência, Edson Rebouças.
O procurador-chefe do Ministério Público, Audaliphal Hildebrando, informou que os trabalhadores não tinham condições de se livrar da situação de escravidão, uma vez que todos os mantimentos usados nos acampamentos e os próprios instrumentos de trabalho eram vendidos pelos donos das propriedades.
"Eles receberiam um salário-mínimo, mas nunca viam a cor do dinheiro porque sempre ficavam mais endividados", explicou o superintendente Dermílson Chagas.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3277878-EI306,00-AM+sao+encontrados+em+situacao+de+escravidao.html
É inaceitável que em pleno século XXI ainda exista tiranos que escravizam pessoas e crianças. Desde 1888, com a abolição da escravidão, não se ve mais escravos oficiais no Brasil, repito: oficiais, no entanto, na região norte, noroeste e nordeste, principalmente, existiram ao longo desses 120 anos e ainda existem inumeras fazendas com trabalhadores escravos. Sim, 120 anos depois ainda existem escravos no Brasil, é vergonhoso esse tipo de situação num país que é uma potência no cenário mundial e está se tornando de primeiro mundo. Ainda bem que desta vez a justiça não falhou, mas 155 mil pra 40 pessoas, foi uma indenização muito amigável para com os Escravistas!
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
VEYNE, Paul Marie
Paul Veyne, nascido em 13 de junho de 1930 em Aix-en-Provence, é um arqueólogo e historiador francês, e um especialista em Roma Antiga. Um antigo aluno da École Normale Supérieure e membro da École Française de Roma, agora ele é professor honorário no Collège de France.
Desde um simples pano de fundo, que ele descreveu como "sem cultura", Veyne descobriu a arqueologia e história por acaso, com oito anos, achou um pedaço de uma ânfora em um sítio celta junto à aldeia de Cavaillon. Ele desenvolveu um interesse particular na civilização romana, já que foi a mais conhecida no meio onde cresceu.
A família mudou-se para Lille, ele estudou assiduamente as coleções romanas do museu arqueológico de lá, onde recebeu orientação do curador. Ele sustenta que o seu interesse em gregos e romanos não resulta de qualquer impulso humanista específico ou de qualquer admiração, mas apenas a partir de sua descoberta quando criança.
Tendo chegado a Paris para sua khâgne, ele teve um súbito momento de despertar político em frente ao baixo-relevo que celebra a libertação da cidade, na parte inferior do Boulevard St. Michel, e aderiu ao Partido Comunista da França. Ele deixou o partido quatro anos depois, sem nunca ter tido uma verdadeira convicção política.
Por outro lado, o mau tratamento dos argelinos às mãos dos coloniais revoltaram-no em mesma proporção para as atrocidades dos nazistas. Mais uma vez, no entanto, o seu choque não foi nem social, nem político, mas sim moral.
Paul Veyne estudou na École Normale Supérieure de Paris 1951-55. Ele foi membro da École Française de Roma 1955-1957, no qual ele terminou em Aix-en-Provence como um professor da Université de Provence. Foi em seus anos de Aix que ele publicou o seu comentário provocador sobre escrito l'histoire ("Como se escreve a história", em português), um ensaio na epistemologia da história. No momento em que a tendência dominante na historiografia francesa favoreceu os métodos quantitativos, Veyne disse que a história pode ser declarada como um "verdadeiro conto". Através de seu ensaio ele se tornou um representante com interesse na narrativa de aspectos científicos da história.
Sua monografia sobre euergetism em 1975 (Le pain et le cirque), no entanto, demonstrou que Veyne, do conceito de narrativa, assim difere do seu uso comum, e que suas divergências com o "hegemônic Annales school" foi menor do que aquilo que parecia ser o caso em 1970. O livro é um estudo abrangente da prática de presente-presentear, na tradição de Marcel Mauss, mais de acordo com a "antropologicação" influenciando "histoire des Mentalités" da terceira geração do que "annalistes" o modelo da antiga história narrativa.
Veyne, em 1975, entrou para o Collège de France, graças ao apoio de Raymond Aron, que havia sido abandonado pelo seu ex-herdeiro Pierre Bourdieu. No entanto, Veyne, ao não citar o nome de Aron, na sua palestra inaugural, despertaram o seu desagrado, e de acordo com Veyne, ele foi perseguido por Aron desde que este sinal da sua ingratidão foi percebido. Veyne ali permaneceu de 1975 a 1999 como titular da cadeira de história romana.
Em 1978, a redação epistemológica de Veyne foi reeditada em Tandem com um novo ensaio sobre Michel Foucault como um historiador, "Foucault révolutionne l'histoire". Na redação, Veyne afastou-se da insistência sobre a história como narrativa, focado sobre a forma como a obra de Foucault constituiu uma grande mudança no pensamento histórico. A essência da 'revolução Foucauldiana' foi, de acordo com Veyne, uma mudança de atenção por parte dos «objectos» de «práticas», para destacar a forma como os objetos foram levados para epistemológica, em vez de ser os próprios objetos. Com este ensaio Veyne estabeleceu-se como uma importante intérprete e idiossincrático do seu colega. A relação entre o historiador de antiguidades também influenciou o filósofo Foucault's virar-se para com a sua antiguidade, o segundo volume da "História da Sexualidade". Veyne, em 2008 publicou um livro completo sobre Foucault, retífica de alguns dos temas de sua redação de 1978, expandindo-a para um retrato intelectual.
Paul Veyne agora vive em Bédoin, em Vaucluse.
BIBLIOGRAFIA
- Comment on écrit l'histoire : essai d'épistémologie, Le Seuil, 1970.
- Le pain et le cirque, Le Seuil, 1976.
- L'inventaire des différences, Le Seuil, 1976.
- Les Grecs ont-ils cru à leurs mythes ?, Le Seuil, 1983.
- L'élégie érotique romaine, Le Seuil, 1983.
- Histoire de la vie privée, vol. I, Le Seuil, 1987.
- René Char en ses poèmes, Gallimard, 1990.
- La société romaine, Le Seuil, 1991.
- Sénèque, Entretiens, Lettres à Lucilius, revised translation, introduction and notes, Laffont, 1993.
- Le quotidien et l'intéressant, conversations with Catherine Darbo-Peschanski, Hachette, 1995.
- Les mystères du gynécée, in collaboration with F. Frontisi-Ducroux and F. Lissarrague, Gallimard, 1998.
- Sexe et pouvoir à Rome, Tallandier, 2005.
- L'empire gréco-romain, Le Seuil, 2005.
FONTE: pt.wikipedia.org/wiki/paul_marie_veyne
As Armas do Senhor
Como assim não é possível? Eu não acredito que se juntarmos os que são a favor e nós que somos contra toda essa corja de líderes que fazem guerras, fabricantes e vendedores de material bélico, soldados sanguinários, não sejamos capazes de derrubá-los. É simplesmente um absurdo vermos esse mega comércio mundial de armas e guerras, cada vez crescente, estes líderes que usam delas sua principal carta pra se manter no poder. Como ficarmos quietos? Somos a grande maioria, como vermos massacres, pessoas morrendo, crianças em campos de batalha com armas que pesam metade de seus corpos atirando em outras crianças na mesma situação. O que está havendo conosco, seres humanos... Não somos seres racionais? Então porque toda essa brutalidade por egoísmo de certas partes? Temos que derrubar estes malditos que não tem amor ao próximo. Vemos que eles são todos cúmplices e usam a população pra lutar entre si enquanto eles estão sentados absolvendo os culpados e prendendo inocentes. Se sabemos que existe tanta “falcatrua” por que não nos revoltamos? Queremos que um dia nós estejamos lá no meio dos massacrados? Cada vez mais esse número aumenta e aumenta. 550 milhões de armas circulando pelo mundo, isso é simplesmente um absurdo! Sabemos quem são todos eles, todos os que fazem essa máquina do demônio funcionar, por que não fazemos algo pra mudar isso? O que ta acontecendo contigo que está lendo este texto e acha que não é capaz de mudar? Como tu não és capaz? Te junta com todos os outros que julgas não serem capazes e mostra pros que armam todo esse absurdo de caráter mundial e vejamos o que é maior: quem tem mais poder ou quem é maioria?! Se o tal do Deus que todo mundo idolatra existe mesmo, tu realmente achas que ele não vai estar do nosso lado? Guerras não têm que ser feitas na base da pólvora, mas sim na base da conversa inteligente, do diálogo racional. Somos seres extremamente capazes de pensar, por que partir para a brutalidade como animais insaciáveis? Como ver pessoas inocentes sendo massacradas e torturadas até a morte e achar que não podes fazer nada? Se tu não tremes de indignação ao ver este tipo de coisa, essas injustiças que ocorrem, tu és um animal, um ignorante irracional igual a todos esses otários que eu citei anteriormente! Isso tudo é um jogo onde os jogadores são os líderes do Universo e nós somos as peças. Eu não quero mais ser uma peça e não admitirei mais que outros que se julgam inúteis sejam peças que são descartadas a todo momento. Se somos capazes de indignarmos com ladrões de galinhas ou lincharmos um homem que matou a filha, por que não somos capazes de quebrar essa corrente do mal que afeta o mundo todo? Eu acho que ta na hora, de todos que são contra tudo isso, colocarem a mão na cabeça e começar a pensar numa maneira de acabar com todo esse mau que estraga o mundo onde vivemos.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Meu Aniversário / Sobre mim
O homem de libra odeia parecer grosseiro, porém se vir um quadro torto na parede, não pensará duas vezes em endireita-lo.
Também não será de estranhar que ele abaixar o volume de sua TV.
Ele é a única pessoa que pode dizer o quanto te odeia sem perder a classe e a educação.
Normalmente ele odeia escândalos e acha que não precisa gritar para se fazer entender. Não que ele não possa ser brigão ou encrenqueiro. A diferença é que ele sempre procurará manter o equilíbrio antes de dar um soco no nariz de quem o deixou irritado!
Poucos são os librianos que não tem um sorriso suave e radiante, do tipo que consegue derreter corações ou abrir as portas.
Se ele perceber que tem alguém de cara feia em um ambiente e quer conquista-la, bastará alguns minutos de papo, para esta mesma pessoa ficar envergonhada por ter sido tão carrancuda com ele.
O libriano é assim mesmo: nunca fica esperando que façam amizade com ele, se pode adiantar-se e estender a mão para um aperto cordial! E normalmente os amigos adorarão seu jeito alto astral, suas brincadeiras e sua capacidade para conversar sobre tudo, durante horas, desde futebol a política.
Mesmo que não tenha conhecimento pelo assunto, ele sempre procurará compreender o que dizem ao seu redor para dar sua opinião.
O caráter de Libra é dividido em bondade, delicadeza, justiça, argumentação, preguiça e indecisão! Nenhum libriano consegue tomar uma decisão sem antes pensar várias vezes no assunto.
Ele sempre vai se apressar em negar sua indecisão. Ficará irritado e se mostrará indignado.
Mas não se deixe enganar pelas aparências. Libra sempre demora uma eternidade para tomar uma decisão, e você só sabe que chegou a uma conclusão quando percebe uma mudança em seu ânimo. Normalmente quando ficam animados é por que já sabem o que fazer.
Ele prefere levar muito mais tempo para chegar a uma conclusão a ter que fazer uma escolha errada e passar semanas pensando no que deveria ter feito. E poucas pessoas conseguem fazer as coisas tão perfeitas quanto libra. Sua sensibilidade faz com que consigam tirar o melhor das coisas, seja no trabalho ou na arte.
Ele odeia o exagero e as demonstrações de raiva, tanto quanto as demonstrações de paixões alucinadas. Não pense que o libriano ficará emocionado se você gritar na rua que o ama, ele prefere que o diga em seus ouvidos ou no aconchego do quarto. Lembre-se que ele adora tudo que é harmonioso.
O libriano detesta ferir os sentimento de quem quer que seja, mas mesmo assim ferirá até a alma se esta pessoa estiver disposta a machuca-lo! Odeiam dizer não, mas dirão com tanta força que dificilmente voltarão atrás.
A capacidade para dizer o que passa em sua mente pode criar um certo mal estar em quem não conhece sua curiosidade. Mesmo com toda sua educação e doçura, não será difícil odia-lo quando começar a fazer perguntas que parecem não ter fim, sempre em busca de algo que você tenta esconder! Sua língua também não costuma ter freios quando costuma fazer aquelas perguntas que deixam as mulheres embaraçadas como perguntar se tingiu o cabelo, ou se comeu cebola no almoço.
Não se preocupe, ele não faz por mal, é apenas esta sua mania de querer entender todas as coisas do mundo!
Como está sempre de mãos dadas com a justiça, se lhe disser que alguém brigou com você, a primeira coisa que vai querer fazer é saber o que VOCÊ fez para acontecer a briga. Isto não quer dizer que ele ache que a culpa é sua. Só esta querendo saber o que aconteceu para dar sua opinião sincera! Mas se a culpa foi sua, nem se iluda com a possibilidade dele odiar a outra pessoa por sua causa.
Fonte: Revista Andros
Valeu a quem freqüenta meu blog diariamente aí!
Abraços!
terça-feira, 14 de outubro de 2008
O Retardamento da Evolução Biológica
Esta oposição ética se da, em grande parte, a religião que cada vez mais vem sendo desmascarada pela ciência como, por exemplo, a origem do universo ou a origem do homem. Os crentes religiosos influem muito ainda na vida das pessoas e desta forma fazem com que elas sejam contrárias ao que possa ocasionar o fim destas entidades religiosas que dependem tanto de suas "crenças" para que possam continuar existindo.
Além da cura de doenças e evolução da Biologia, os estudos com animais em laboratórios podem também ajudar a evitar que várias espécies, ameaçadas de extinção, sumam de vez. Estudando-as somos capazes de saber a causa de suas mortes, o adequado habitat para cada uma, sem falar na ajuda a sua reprodução, como é o caso dos Ursos Panda que por falta de apetite sexual estão tendo uma taxa de mortalidade maior que a de natalidade.
Portanto, devemos sim continuar com as pesquisas e observações científicas usando animais para que possamos conhecer melhor nosso planeta e os seres que nele vivem, além claro, de evitar fatalidades ocorrentes em nós animais, deixando de lado toda esta teoria religiosa que nos atrasou tanto ao longo da história.
Autor: Ivan Cesar dos Santos Pinheiro
Redação na FFFCMPA vestibular de verão 2008
Tema: Pode ou deve a ciência, abrir mão de experiências com animais em laboratório por princípios éticos?
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
História da Arqueologia Pré-Histórica
O trabalho de Christian Jürgensen Thomsem, no século XVIII, foi o marco da Arqueologia Pré-Histórica. Ele desenvolveu uma poderosa técnica de classificação cronológica através de análises em artefatos. Seu patriotismo foi um dos principais motivos para começar seus estudos como muitos antiquários da época. Em 1816, a Comissão Real Dinamarquesa convidou Thomsem para fazer o catálogo da coleção de antiguidades para exibição. Foi então que Thomsem decidiu dividir a coleção em 3 classificações cronológicas, subdividando a Pré-História em Idade da Pedra, Idade do Bronze e Idade do Ferro.
Sven Nilsson, ao contrário de Thomsem, se interessou no desenvolvimento das economias de subsistência e não somente na tecnologia. Para ele o crescimento populacional era o fator que transformou os caçadores-coletores do Paleolítico em pastores num primeiro momento, depois agricultores do então Neolítico.
Outra contribuição influente na Arqueologia escandinava foi Jens Worsaae. Foi o primeiro arqueólogo profissional especializado em Pré-História. Seu treinamento foi trabalhar como voluntário junto a Thomsem. Suas escavações confirmaram a cronologia de Thomsem. Seu estudo sobre vestígios Vikings na Bretanha e Irlanda mostrou que a classificação de Thomsem era aplicável em toda a Europa.
Na Europa e América do Norte (EUA foi o único país não europeu a desenvolver uma tradição de pesquisas arqueológicas indígenas antes do século XIX) a relação entre Arqueologia Pré-Histórica e Etnologia eram ligadas e as idéias iluministas, base desta ligação, foram cada vez mais modificadas ou até abandonadas.
O racionalismo iluminista deu lugar ao conservadorismo favorecendo o racismo étnico cultural. James Pritchard acreditava que quanto mais civilizados os povos tornavam-se, mais igualavam-se aos europeus. Grupos primitivos tinham pele escura e os civilizados eram progressivamente mais claros.
John Lubbock incorporou uma visão Darwinista à Arqueologia Pré-Histórica. Sustentou que em sociedades primitivas contemporâneas iluminam o comportamento dos seres humanos pré-históricos. Fez-se assim uma série de apontamentos esquemáticos a respeito de sociedades tribais modernas (aborigenes australianos, hotentotes, vedas, ilhéus andameneses, tasmanianos, fijianos, maoris, taitianos, tongas, esquimós, índios norte-americanos, índios paraguaios, patagônios e fueguinos). A idéia racista de Lubbock reforçou a interpretação arqueológica dos EUA.
Visões como a de Pritchard relacionam os descobrimentos Arqueológicos com algumas idéias Imperialistas, caso do racismo étnico, cultural e religioso. O egocentrismo de nações imperialistas fortaleciam e fortalecem, ainda hoje, idéias como esta.
Bibliografia: TRIGGER, Bruce. História do pensamento arqueológico. São Paulo: Odysseus Editora, 2004.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
A Figura do Brasileiro
Texto:
No Brasil é possível encontrar pessoas vindas de todos os lugares do mundo com culturas, origens, gastronomias, etnias e comportamentos completamente diferentes, caracterizando um país de vários gostos e tipos de gente, porém, todos encaixados no “jeitinho” brasileiro de ser.
Não há como citar o nome do nosso país sem lembrar das maravilhosas mulheres brasileiras que já conquistaram o mundo. Como não lembrar da linda “Garota de Ipanema”, de Vinicius de Moraes? Àquela mulher típica brasileira, bonita, sensual, com um doce caminhar e com o corpo dourado do sol em uma de nossas maravilhosas praias, típicas deste país tropical e coberto de belezas naturais onde vivemos.
Por outro lado, temos a figura masculina brasileira, podendo citar o “Malandro” de Chico Buarque, figura facilmente encontrada nas noites de qualquer cidade do país, sempre nas rodas de samba com os amigos e admirando às mulheres que ali passam. Durante o dia vive na luta pela sobrevivência, batalhando algum trocado, mas sem jamais perder o samba no pé.
Poderíamos citar outras inúmeras personagens ilustres, famosas na Literatura brasileira, que caracterizam o povo sem deixar nada a desejar, como infelizmente não é possível, seria correto dizer: brasileiro é um povo alegre, simpático e marcado por muita luta e trabalho.
Autor: Ivan Cesar dos Santos Pinheiro
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Lei Seca
A questão é: Estamos realmente conscientizando nossos motoristas de que dirigir alcoolizado é perigoso ou eles estão apenas querendo evitar multas que tem um valor um tanto “salgado” para este tipo de infração? Será que estamos fazendo a coisa correta no aspecto de só reforçar a fiscalização e não tomar outras atitudes que possam levar estes indivíduos a pararem para pensar que direção e bebidas não combinam? Creio que deveríamos tomar outras séries de providências com relação a este sentido, e não só colocar fotos de carros estraçalhados em cima de um poste com pessoas esquartejadas dentro dele em rótulos de bebidas alcoólicas, como fazemos parecido nas carteiras de cigarro, tem que ser assim para estes “homens esponja” entenderem as coisas como racionais e não acharem que dirigem perfeitamente bem ou melhor quando estão alcoolizados, sabendo que podem vir a tirar sua vida ou a de outras pessoas inocentes. O certo seria, sei que me condenarão por este trecho, proibir a venda de bebidas alcoólicas em festas, bares e principalmente em Postos de Gasolina. “Mas Ivan, é impossível reter totalmente a venda de bebidas!” – Eu sei, mas de qualquer forma ajudaria, com certeza, a diminuir mais acidentes.
Doravante coloca a mão na cabeça antes de sair de casa de carro sabendo que vais consumir álcool, vai à pé que tu não te arrepende e quem ta na rua agradece! É amigo, fazer festa, dirigir e ir pra casa de carro combinados com Álcool pode ser mais perigoso do que tu pensas.
Por isso eu parei de beber há 2 anos! hehehe
SE BEBER NÃO DIRIJA!
SE BEBER E FOR DIRIGIR, me avisa para eu não sair na rua!
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Poemas e Composições próprias - Parte 2
Solidão
Que me encolhe a alma
Que me tira a calma
Que me joga no chão
Sozinho
Que me sinto às vezes
Que me corroe há meses
Que me atira no porão
Solitário
Que me apego à coisas únicas
Que me gosto e deixo de gostar
Que me faz sofrer, chorar
Desilusão
Que me entristece o peito
Que me deixa sem jeito
Que não tem explicação
Injustiças
Amores e desamores, relacionamentos
Triste em tempos de ingratidão
Solitário, sozinho, infeliz solidão.
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Tempo Esgotado
Quanto tempo nós temos
Para desfazer o que fizemos
Ao redor do mundo, o homem
O que será que nós devemos..
Fazer pra não acabar
O mundo em que nós vivemos
Será que irá chegar
O fim, será que perdemos?
Quantas horas nós teremos
Para destruir uma cultura
De guerras e luxúria
Petróleo e gás são venenos
Renascimento da Vênus
Boticelli e sua pintura
São fatos e lembranças
Mas do que falar?
Se não nos apressarmos
O mundo irá acabar
A hora é agora!
A hora é agora!
A hora é agora!
O que será que devemos...
Fazer pra não acabar
o mundo em que nós vivemos
Será que irá chegar
O fim, será que perdemos pra nós mesmos?
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Era Cedo (Música da Vinílicos)
Essa falta que eu sinto de você
Esta terminando comigo
Essa saudade que me faz enlouquecer
Me parece até um castigo
O fato de ainda estar vivo
Me faz lembrar de você
Passam dias, passam horas e segundos
E eu só penso em ficar com você
E eu só penso em você
Essa solidão vai acabar
Estragando meu bem estar
E o desejo de você voltar
É inverso ao meu desespero
Se não era certo te amar
Por que não senti medo?
Foda é nesse estado ficar
Sozinho com meus sentimentos
Quando você me deixou
Não dei bola, achei que era cedo
Para o que vivemos acabar
Terminou e agora estou preso...
...A Essa falta que eu sinto de você
Esta terminando comigo
Essa saudade que me faz enlouquecer
Me parece até um castigo
E eu só penso em você...
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Em breve postarei outros... Aos espertinhos que gostam de plagiar, fique à vontade, receberás um processo lindo em cima caso isso venhas a fazer, está tudo REGISTRADO EM CARTÓRIO. Escrevi isto porque quem conhece um pouco mais da minha história, sabe o que já sofri por estes casos.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Arquivo Histórico - Porto Alegre e o Viaduto Octávio Rocha.
Significados dos símbolos apresentados no Brasão da cidade:
Cruz: Origem Cristã.
Portão: Era o portão colonial da cidade, onde ficava a entrada. Foi construído em 1773.
Caravela: Recorda a Caravela que trouxe os primeiros açorianos pra região.
Coroa Mural de Ouro: Significa capital, cidade grande.
Listel de Gole: Recorda o heroísmo dos gaúchos em lutas políticas e sociais em letras de prata.
Conjunto de Esmaltes e Metais: Relembra as cores das bandeiras do Brasil e do Rio Grande do Sul. O ouro é o símbolo de fidelidade. O azul é o céu sereno do Rio Grande do Sul. O verde, as águas mansas do Guaíba e também as campinas verdejantes do sagrado solo gaúcho. O vermelho significa a fé e o amor. A prata, a seriedade e o caráter nobre e altivo de nossa gente.
Leal e valerosa cidade de Porto Alegre: Relembra o título dado pelo Imperador Dom Pedro II, "Muy Leal e valerosa", pela sua capacidade defensiva que ajudou os imperiais a manter aquela região em seu poder durante a Revolução Farroupilha.
O Viaduto: Por quê?
Introduzida resumidamente a origem da capital gaúcha, o Viaduto Octávio Rocha é a Imagem da cidade escolhida. Foi escolhido porque em março de 2006, quando me mudei para Porto Alegre, para viver uma vida totalmente diferente da que eu tinha no interior, Bagé mais especificadamente, onde eu apenas estudava e era dependente de meus pais. Em Porto Alegre, aos 17 anos, tive que aprender a "andar com minhas próprias pernas", começar a estudar sozinho, trabalhar e me sustentar, visto que queria adquirir minha independência naquele momento. Foi o que consegui. Com esforço do meu trabalho, fui montando meu apartamento aos poucos, eu precisava fazer aquilo para uma satisfação pessoal. Morava na Rua Demétrio Ribeiro, há uma quadra do Viaduto, por lá passava todos os dias ao ir para o trabalho, observando aquela estrutura gigantesca, antiga e muito bela, muitas vezes comparada às estruturas existentes na cidade de Nova Iorque pela população que sempre dizia que "Porto Alegre era a Nova Iorque Brasileira", mas infelizmente toda pichada com protestos, declarações de amor, mensagens de pedofilia, discussões escritas em suas paredes por policiais e vândalos, entre outras várias citações que estão lá. Como não citar também no viaduto os vários pássaros que na parte interior da estrutura se abrigam à noite e formam seus ninhos. A sua escadaria, que da acesso à rua Duque de Caxias, que passa por cima, é uma linda estrutura, com degraus curtos que ao subires, nem sentes, seria prazeroso se não houvesse tantos mendigos que ali fazem suas necessidades e em cima delas dormem, sem nem ter o mínimo de desgosto. A vista lá de cima é incrível, ao olhares no parapeito, decorados com uma bela balaustrada, como se estivesses na sacada de sua casa, alguns inventaram de se atirar lá de cima cometendo suicídio, é possível ver de um lado a Avenida Borges de Medeiros indo em direção à zona sul, com o largo dos açorianos e os vários prédios de órgãos Estaduais e Federais que têm uma arquitetura fantástica, do outro lado é possível ver a mesma avenida indo em direção ao Mercado Público, construído em 1875, à beira do Rio Guaíba, ambos os lados parecem um "formigueiro humano" de dia e um deserto ecoante à noite.
História do Viaduto
Otávio Rocha, que da nome ao viaduto (apesar de na placa estar Octávio Rocha), era o intendente da cidade de Porto Alegre em 1914. Ele via a necessidade de fazer uma avenida que ligasse o centro às zonas Leste e Sul (praias) da capital. Na época havia um morro que impedia este acesso, conhecido como "Morrinho", e por cima passava a rua Duque de Caxias. Rocha decidiu então escavar o morro e ali construir a Avenida Borges de Medeiros, em 1926, Porém a Rua Duque de Caxias acabou sendo obstruída. Vista a necessária continuidade da Duque de Caxias, que era muito importante, liga o Centro à Zona Norte, decidiram construir o viaduto Otávio Rocha, em homenagem ao governante, uma passagem de nível em concreto armado. Ele foi projetado pelos engenheiros Manoel Itaquy e Duílio Bernardi e o projeto executado pela empresa alemã Dyckerhoff e Weidmann, entre 1928 e 1932. Com três vãos e quatro rampas de acesso para pedestres. No centro, ao nível da avenida, existem dois pórticos transversais com dois grandes nichos, onde há grupos escultóricos criados por Alfred Adloff, que foi um dos mais importantes escultores-decoradores em Porto Alegre, nascido na Alemanha em 1874, chegou ao Brasil em 1913, antes de vir recebeu diversos prêmios por seus trabalhos e já era muito respeitado mundialmente quando foi contratado para trabalhar na oficina de João Friedrichs, pra quem executou maior parte de suas obras. O viaduto é revestido com reboco de pó de granito, cor cinza, dando um aspecto de pedra aparelhada, os passeios são de revestidos de mosaico de cimento. Possui 34 lojas, 17 em cada um dos lados do viaduto, sendo elas lotéricas, sebos de discos e livros, lancherias, floriculturas entre outros. Há poucos anos havia camelôs em por todo viaduto mas com a construção do camelódromo na Dr.Flores esquina com Voluntários da Pátria. Suas características arquitetônicas lindas, bem como sua relevância sócio-cultural, levaram o município a inscrevê-lo no Livro Tombo sob o número 26, em 31 de outubro de 1988. Entre 2000 e 2001 foi completamente recuperado, e com a reforma todas as 36 lojas foram revitalizadas, ganhando novos pisos, esquadrias e instalações elétrica, hidráulica e telefônica.
Sem dúvidas é um marco na Arquitetura do estado, algo inovador, com um estilo Europeu, mas símbolo dos Gaúchos Porto-Alegrenses e orgulho do Rio Grande do Sul.
Fontes de pesquisa:
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smic/default.php?p_secao=143
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/infocidade/default.php?p_secao=21
http://www.terragaucha.com.br/viaduto_o_rocha.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Viaduto_Ot%C3%A1vio_Rocha
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfred_Adloff
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Época de eleições, é sempre bom lembrar...
Vivemos num país onde ainda há pobreza, há miséria, há uma juventude sem cultura e estamos expostos a todo tipo de violência nas ruas e dentro de casa. Um país onde instituições de cunho popular, que se julgam de boa fé, roubam descaradamente o dinheiro das pessoas menos favorecidas e com problemas, se aproveitando de sua ignorância, inocência e ingenuidade dizendo absurdos e até usando crianças para fazer lavagem cerebral. Um país onde entra na Política, em sua grande maioria, Malandros que querem ganhar a vida sem trabalhar pesado, que não pensam na população, apenas no seu próprio umbigo. País onde estes ganham mais que qualquer um e que ao invés de aprovar leis e ementas que aumentem à renda ou proporcione benefícios a população, votam para que seus salários (milionários) aumentem mais ainda as custas única e exclusivamente do povo que soa para ganhar um salário mínimo que mal chega aos R$ 500, o que serve de troco perto do dinheiro que estes respectivos "Políticos" ganham e ainda usam os benefícios que o governo lhes proporciona para usos necessários do cargo, como cartões de crédito, passagens aéreas, entre outros, em seu próprio benefício. País onde os professores, que são a base para conscientização e educação dos jovens, ganham menos que os com rostinhos lindos que jamais pegaram um livro para ler ou os malandros, anteriormente citados. Um país onde a população paga, para uma emissora de TV, que os manipula e os induz a ignorância, milhões de reais em apenas uma noite para escolher um Babaca a deixar a casa dos 14 babacões, mas na hora de escolher uma pessoa para assumir o poder, ver, pesquisar e ler sobre os candidatos tentando achar um que seja realmente honesto e preocupado com a situação do povo, acham chato ou têm preguiça, inclusive, de ir até a urna e poucos se preocupam com quem vai ganhar, depois, a grande maioria nunca lembra em quem votou na eleição passada, recolocando no poder os mesmos vagabundos que nos anos anteriores os roubaram e foram colocados para fora do poder a força. Um país onde temos o exército mais bem treinado do mundo mas que não combate o crime e não invade os morros para exterminar o tráfico porque aqueles políticos, sem-vergonhas, estão metidos no meio do sistema e não é interessante para eles acabar com este, que os enriquece cada vez mais. Um país onde os que vivem na superfície, são sustentados pelos menos favorecidos, incentivam e financiam o tráfico e o crime agravando o problema! Posso ficar o dia falando problemas e mais problemas... Mas onde de fato quero chegar? Quero apenas que as pessoas, e principalmente os Jovens, tenham noção de que somente eles podem mudar essas barbaridades que ocorrem aqui, nesse país repleto de belezas naturais. SOMENTE NÓS PODEMOS MUDAR tudo isso que nos assola! O Feudalismo já terminou há séculos, no entanto, ainda vivemos em um sistema muito parecido onde alguns trabalham por outros e a renda é totalmente mal distribuída.
Façamos por nós mesmos, há tantos assuntos em pauta a serem discutidos, sejamos capazes de discuti-los de uma forma inteligente. Vamos estudar, vamos ler, vamos nos interar do que acontece na nossa volta, vamos ajudar o mais próximo, necessitado e conscientizá-lo de que ele também é capaz, que isso deve mudar. Façamos revoluções para modificar o que está errado, somente assim todos poderão viver bem, sem dificuldades, em paz e numa sociedade justa e harmônica. Somos um país rico, basta todos fazerem sua parte para que não haja mais essas dificuldades que denigrem nossa imagem!
