quinta-feira, 10 de setembro de 2015

CRITÍCAS O SOCIALISMO, MAS QUAL SOCIALISMO ESTÁS CRITICANDO?

Por Ivan Cesar dos Santos Pinheiro[1]
            Este trabalho é, em tese, superficial e tem por objetivo esclarecer, de maneira compreensível, tanto para acadêmicos iniciantes quanto para leigos, sem perder seu valor histórico e científico, as principais discussões sobre o Socialismo surgidas ao longo dos séculos XVIII, XIX, XX e XXI. É comum, desde o século XVIII, ver pessoas criticando esta ideologia em todas as partes do mundo, principalmente em tempos onde parece que o Capitalismo está enfrentando crises políticas, sociais, financeiras, trabalhistas, relacionadas a corrupção, entre outros. Normalmente os adeptos ao liberalismo armam diversos esquemas de difamação dos socialistas para vetar seu avanço perante o ideário da sociedade em questão. No Brasil, atualmente, se vê, principalmente em manifestações como as que ocorreram no domingo, dia 16 de agosto de 2015, e em redes sociais, pessoas dizendo que “o comunismo deveria ser extinto da face da terra”, devido sua indignação com o governo Dilma Rousseff e o chamado Partido dos Trabalhadores. Comparar o governo brasileiro de Rousseff ao Socialismo, a qualquer das vertentes que seja, é um erro grave e mostra uma enorme falta de conhecimento das teorias políticas ligadas a ele.

DIREITA OU ESQUERDA?

            Os termos “direita” e “esquerda” surgiram na França do século XVIII. Os Jacobinos, liderados por Maximilien Robespierre, defensores das ideias revolucionárias extremistas, sentavam-se a esquerda, na Assembleia. Os Girondinos, conservadores e moderados, defensores, na época, da imposição de uma monarquia constitucionalizada, liderados por Jacques-Pierre Brissot, sentavam-se a direita. No meio ficavam, principalmente, religiosos, nobres e aristocratas.

ORÍGEM DO SOCIALISMO

            O Socialismo surgiu das ideias de filósofos como Claude-Henri Rouvroy, na época da Revolução Francesa, e seguiu com Charles Fourier, Louis Blanc e com o inglês Robert Owen nas décadas seguintes. Tinham uma conclusão diferente do significado real da liberté que os burgueses da revolução ecoavam. Para eles era desigual, a liberdade para alguns não era a mesma para outros. Queriam, principalmente, a igualdade das pessoas perante a lei. Através da racionalidade, queriam expandir o levante criando uma sociedade e um sistema econômico mais humano e igualitário. Suas demais ideias foram classificadas pelos marxistas como utópicas, porque julgavam não propor soluções reais para os problemas da sociedade e da classe trabalhadora na época, além de que alguns deles pensavam que a mudança ocorreria com a boa vontade da burguesia. Por vários motivos os marxistas se denominavam “socialistas científicos”. O trabalho assalariado, para eles, naquele período, seria um estágio posterior ao escravismo, visto que os ganhos eram muito baixos, sendo pouco vantajoso para o trabalhador e muito lucrativo para o capitalista. Embasavam suas teorias na filosofia, economia, história e nas relações de poder que se expandiam, principalmente nas relações trabalhistas, na necessidade da união da classe trabalhadora para tomar o poder, diante da permanente luta de classes em que vivemos, fazendo com que as principais medidas da administração pública fossem direcionadas para as classes menos favorecidas pelo capitalismo, como a sua. 

SOCIALISMO CIENTÍFICO E O MANIFESTO DE 1848

            Karl Marx e Friedrich Engels, em seu Manifesto do Partido Comunista, de 1848, desmentem a invenção de que é desejo do socialismo dividir o dinheiro entre as pessoas de maneira igual no mundo, desvalorizando os que se esforçaram para adquiri-lo. Marx foi bem enfático quando afirma:

"Nós, comunistas, somos criticados sobre a falsa alegação de que queremos suprimir a propriedade pessoal adquirida pelo trabalho individual, a propriedade que constituiria o fundamento de toda a liberdade, de toda a atividade e de toda a independência pessoal. A propriedade fruto do trabalho e do esforço é de mérito pessoal!" (MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. 2001. Pg. 48).

Quem não dá valor ao mérito pessoal, segundo MARX e ENGELS, é o desenvolvimento do comércio e da indústria quando, através das relações de trabalho exploradoras, "suprimiu-a e continua suprimindo-a diariamente" (MARX e ENGELS. 2001. Pg. 48) não valorizando adequadamente o trabalhador. Ainda os autores deixam a pergunta no ar: "será que o trabalho do trabalhador possibilita-lhe criar alguma propriedade" significativa? (MARX e ENGELS. 2001. Pg. 49).
A exploração trabalhista na época foi o que motivou a luta dos marxistas para convencer a classe trabalhadora de questões como a necessidade da mudança daquele panorama onde pessoas trabalhavam até 16 horas por dia, sem nenhum direito a folga ou férias, em péssimas condições de higiene, sem nem ao menos irem ao banheiro, e ainda assim eram chamados de negligentes pelos seus patrões. Seus salários mal compravam o necessário para sua família sobreviver. Crianças e mulheres trabalhavam junto aos homens e ganhavam menos que eles.
Marx e Engels explicavam ao proletariado que só possuíam respeito político aqueles que detinham o capital, portanto o trabalhador jamais assumiria esse papel, consequentemente não teriam representantes que lutassem por sua causa. A mais valia, explicada por eles, mostrava que o suor do trabalhador valia muito mais do que o pequeno salário que recebiam ao final do mês. Aquilo que eles produziam diariamente pagava o material, o seu salário e ainda enriquecia seus patrões. Haviam trabalhadores que ganhavam cerca de 3 ou 4 shillings por semana, o que equivale a 0,15 libras inglesas ou R$0,89, na época.
No Manifesto Comunista, os autores elogiam a burguesia por toda a luta que desbravaram e pelo respeito social que adquiriram, desde o século XIII. Mas, criticam a exploração de seus empregados, quando assumiram o poder. Por isso frisavam a necessidade da classe operária mundial se unir para lutar por seus direitos. Se hoje temos férias, décimo terceiro, dissídio, seguro desemprego e outros benefícios aqui no Brasil, foi porque o marxismo agiu e age até hoje nas relações de trabalho ao redor do mundo. Portanto, os marxistas não queriam acabar com a burguesia, mas fazê-la respeitar o trabalhador, garantindo-lhes condições justas de trabalho e remuneração.
As teorias do Socialismo Científico analisam a história da sociedade pelos aspectos políticos e econômicos, desde o Comunismo Primitivo até o Capitalismo Industrial. Nessa análise explicam que a Luta de Classes é o motor da História da humanidade. A sociedade evolui a cada vez que a classe oprimida derruba o poder da classe opressora tomando a frente da situação.
Outra questão que é distorcida pelos que se dizem de Direita é a chamada ditadura do proletariado proposta por Marx e Engels. Em momento algum eles se referiram a uma ditadura militar e muito menos centralizada, ou seja, com um imperador ou chefe de Estado. Muito pelo contrário, se posicionavam contra a centralização do poder, porque no momento que o poder é centralizado ele para de defender o interesse da população e passa a defender interesses pessoais, mesmo que inconscientemente. Acreditavam que o poder deveria estar nas mãos da classe trabalhadora na forma de conselhos e da consulta popular. Todos deveriam decidir os futuros da nação, de maneira democrática. Por isso não se pode classificar de Socialismo Marxista o que ocorreu na URSS ou em Cuba, por exemplo. Os marxistas jamais disseram ou ao menos insinuaram que a classe trabalhadora deveria chegar ao poder de maneira violenta ou com armas na mão, através de guerrilhas. Defendiam que os trabalhadores deveriam tomar o poder por meios de sua organização política e quando lá estivessem, controlassem os principais meios de garantir a todos as oportunidades iguais, como educação de qualidade gratuita, por exemplo. Somente a oferta de oportunidades igualitárias, independente da classe social do individuo, poderia diminuir a desigualdade instalada através exploração dos operários e dos esquecidos pelo capitalismo, como camponeses e ex-escravos.

SOCIALISMO SOVIÉTICO: UMA GRAVE DISTORÇÃO

Na URSS, com a morte de Lênin, a revolução bolchevique tomou caminhos que jamais foram desejados por seus principais líderes. Joseph Stalin, um brutamontes ignorante, assumiu a liderança da revolução, expulsou o preferido de Lênin, Leon Trotsky, da URSS e ainda matou a esmagadora maioria dos líderes do Partido Comunista. Até sua morte, em 1953, matou mais de 10 milhões de pessoas, manchando com sangue o que poderia ter sido um grande avanço do Socialismo no mundo. Até hoje, infelizmente, por falta de conhecimento, a ideologia é associada e condenada pelo que Stalin fez: um líder que, se nos basearmos no Socialismo desde sua origem, não seguia as principais ideias. A URSS era um estado centralizado, o que Marx condenava, bem como militarista, outro fator que Marx, Engels ou os socialistas franceses jamais concordariam. Stalin se assemelhava mais ao totalitarismo Nazifascista, que se dizia, na loucura de Hitler, o verdadeiro Socialismo, do que ao Científico em suas práticas.

O MODELO CUBANO

Cuba seguiu o modelo do chamado socialismo soviético stalinista. Após a revolução que expulsou os estadunidenses de seu território e derrubou o governo do ditador Fulgêncio Batista, onde a desigualdade social era gigantesca, a população em sua maçante maioria vivia em miséria extrema e sem condições nenhuma de vida ou de educação, assim como a maioria dos países caribenhos. Implantaram um Estado centralizado e militarista, tal qual o soviético. Muitas cabeças rolaram nesse processo. Eram mortos agentes secretos, políticos corruptos extremistas apoiadores de Batista ou mesmo membros capturados de exércitos enviados pelos Estados Unidos para derrubar Fidel e seus companheiros. O povo cubano apoiou e apoia Fidel até os dias de hoje. Até o final dos anos 1970, Cuba cresceu grandiosamente, como nunca visto num país da América Latina. Atingiu taxas invejadas por países capitalistas até hoje, como IDH de 0,81% (semelhante a países como Hungria, Croácia, Letônia, Portugal, Polônia, está entre os 44 melhores países do mundo de se viver) e a taxa de analfabetismo inferior a 1% da população. Porém, parou no tempo em relação a economia, devido ao embargo dos EUA que durou cinquenta e cinco anos, somado a queda da URSS, seu principal investidor. Praticamente não existe pobreza em Cuba nos dias de hoje, porém, recém agora, em 2015, o país poderá respirar e retomar seu crescimento econômico, que se encontrava estagnado há pelo menos vinte e cinco anos.

A IDEOLOGIA CERTA NAS CABEÇAS ERRADAS

            Assim podemos classificar os ditos socialistas do século XX. Revoluções nasciam inspiradas em Marx e Engels e acabavam se tornando o inverso, sendo militaristas, centralizadas e autoritárias. Por outro lado, muitos rumos foram tomados porque os momentos eram oportunos. Um dos princípios fundamentais da História é: não podemos pensar sociedades anteriores com nossa cultura atual, pensando que eram iguais aos dias de hoje. Em questão de dez anos ou menos uma sociedade ou o mundo mudam completamente, sejam nas suas relações pessoais, internacionais, econômicas, militares, etc. A globalização e a revolução da comunicação mundial ajudaram, de certa forma, a apaziguar muitas situações. No entanto, parafraseando o filósofo italiano Umberto Eco, “deu voz a legiões de imbecis”[2], e se torna perigosa na medida em que todos tem acesso as informações, porém, pouquíssimos apuram os fatos com a cultura e o conhecimento necessário para formar sua própria opinião e acabam repetindo inverdades, criadas propositalmente para desestabilizar A ou B, dando força a ideologias extremistas e figuras públicas fracassadas ou incompetentes.
            Todos os acontecimentos do século XX foram provocados por diversas tensões facilmente observáveis: o Neocolonialismo que durante décadas e explorou territórios como a África e a Ásia, causando desigualdade e desconforto social; a primeira grande Guerra Mundial, consequência deste e de outros fatos, resultante de rivalidades entre as potências europeias (nesse mesmo momento de tensão do capitalismo, nasceu a revolução Russa de 1917, por exemplo, dando origem a União Soviética); a Revolução Industrial que era alcançada por algumas potências enquanto outras demoraram décadas para entrar no processo industrial, como a própria Rússia e a esmagadora maioria dos países da América Latina, asiáticos como a Índia e a China e, por último, os países africanos que, em alguns casos, conquistaram sua independência há menos de vinte anos atrás, deixando de ser colônias exploradas e passando a poder investir em sua economia. Ao mesmo tempo em que o Capitalismo era imperialista, combatia o Socialismo e divulgava muitas inverdades sobre o ideário marxista. Essas inverdades fizeram com que regimes totalitaristas corporativistas e segregacionistas tomassem força, resultando na Segunda Guerra Mundial, que também teve como causa a Crise de 1929, onde o Capitalismo entrou em cheque. O sentimento anticapitalista e antissocialista fez nascer terceiras vias.
            Muito de tudo que foi citado até aqui se dá por um simples motivo: a maioria das pessoas no mundo não leem e não querem estudar. 99% das pessoas que criticam o Socialismo, jamais leram Marx, bem como existem também muitos que se dizem marxistas e jamais o leram. É, infelizmente, muito comum e sempre foi muito fácil desmanchar o Socialismo, porque ele precisa de muito estudo para ser compreendido. Não tenho dúvidas que, assim que este artigo tornar-se público, receberá severas críticas de pessoas que jamais o leram ou o lerão. E assim ocorre diária e sucessivamente com diversos outros livros, trabalhos ou ideologias, clássicos ou atuais.

FINLÂNDIA SOCIALISTA?

            É uma árdua discussão mundial. A Finlândia é o vigésimo quarto melhor país para se viver e trabalhar, segundo a ONU[3], dona de um IDH de 0,87%. No entanto, possui a melhor educação do mundo e totalmente gratuita. Se paga bastante imposto no país, ao todo 50% do PIB, mas se tem internet de qualidade e gratuita desde 2010, educação do ensino básico a universidade de alta qualidade e totalmente gratuita, seus professores são todos funcionários públicos e muito bem remunerados, água, luz, telefone, hospitais, enfim, diversos outros que nos desgastamos pagando mensalmente e que são necessários as nossas atividades diárias, lá são garantidos pelo governo.
Até aí poderíamos dizer: está bem, a Finlândia é Socialista! Porém, entra a discussão, principalmente dos defensores do liberalismo: A Finlândia possui diversas empresas privadas globalizadas, como, por exemplo, a empresa Nokia, uma das líderes mundiais em aparelhos eletrônicos que por muito tempo monopolizou a venda de telefones celulares no Brasil, inclusive. O Socialismo permitiria mega empresas como esta em seu território? Os marxistas apontam que sim, pois a principal luta do marxismo é a valorização do trabalhador e, se a empresa valoriza seu funcionário, paga impostos de acordo com seus ganhos, paga um salário ao empregado que lhe permita ter uma vida confortável, além de garantir direitos trabalhistas, participação nos lucros e oportunidades de crescimento, não há impedimentos! Sonegar impostos ou ganhar isenção simplesmente por ser grande, como ocorre no Brasil, também não ocorre na Finlândia. Os cientistas políticos apontam que este país é Social-Democrata, ou seja, está fazendo uma transição gradual do Capitalismo para o Socialismo, assim como vários dos seus países vizinhos que possuem sistemas políticos semelhantes, garantindo o bem estar social.

RÁPIDAS COMPARAÇÕES DO MODELO POLÍTICO-ECONÔMICO SOCIALISTA COM O MODELO BRASILEIRO ATUAL

            Nos encaminhamos para o final destas reflexões com a questão inicial do texto: por que o governo do PT não é socialista como gritam os internautas aos quatro cantos das redes sociais, bem como os protestantes que tem se manifestado?
            O PT (Partido dos Trabalhadores) surgiu de movimentos sindicalistas durante a Ditadura Militar. Era uma união da classe trabalhadora e possuía alguns grupos que eram simpatizantes das teorias marxistas e trotskistas, sim. Se o PT tivesse vencido as eleições de 1989, como teve uma grande chance, talvez não tivesse perdido sua base ideológica. O problema foi que durante toda a década de 1990 o partido esteve na oposição e acabou entrando e gostando da música do sistema armado desde o início da constituição por partidos como PP, PMDB e PSDB. Mensalão (compra de votos de parlamentares – que já era comum desde 1945), financiamento de campanha por empresas ligadas a processos de licitação, que hoje funcionam como uma espécie de investimento por parte delas para depois se beneficiarem do erário público, e tantos outros esquemas, já faziam parte dos jogos políticos. No final da década de 1990, com o cenário propício para a vitória nas eleições de 2002, o líder do PT (que a essa altura já era um partido muito diferente daquele da década de 1980), Luis Inácio Lula da Silva, simplesmente “rasgou” a carta institucional do partido para se abraçar em banqueiros, empresários e grandes proprietários de terras, justo daqueles que sempre criticara, para garantir a vitória nas eleições. Ainda, em seu governo, chamou os partidos que sempre fez oposição, como PMDB e PP, para sua base aliada com a ideia de que era necessário agregar todos para que juntos lutassem pelo Brasil. Se pensassem em suas ideologias, veriam que não havia compatibilidade alguma. A ala de esquerda do PT, os marxistas e trotskistas que ainda restavam, foram contra e contestavam as medidas do partido, por isso acabaram sendo expulsos e formando novos partidos como PSTU, PSOL, PCO e outros movimentos sociais.
Inegável que, diferente das décadas anteriores, o governo de Lula teve alguma preocupação com o combate a pobreza no país, que começou com algumas pequenas medidas através de programas sociais como o “Fome Zero”, a “Bolsa Família”, a “Bolsa Escola” e até alguns benefícios como desconto na conta de luz para aqueles que viviam em miséria extrema. Foram criadas algumas novas Universidades Federais e investido na estrutura das que existiam, que se encontravam em péssimas condições. A criação e ampliação de Institutos Federais também fizeram parte dos benefícios às classes mais baixas da população. Verbas para estruturação de escolas, programas de financiamento universitário e outras medidas foram tomadas também, com a visão de acabar com a pobreza e tentar inserir essa camada da população nas universidades, principalmente em cursos voltados para a indústria. Todos estes fatos foram possíveis por dois motivos: O Brasil vivia uma crescente econômica com descoberta e desenvolvimento de matéria prima e o governo tinha a grande maioria na Câmara e no Senado. Porém, mesmo com essas vantagens o Brasil sempre esteve milhas distante de se tornar a potencia Socialista que poderia ser, se o governo Lula e Dilma fosse Socialista. Um dos grandes problemas é que a maioria destas obras acabaram superfaturadas, como a maioria das que vemos no Brasil geralmente, independente do partido governante. Nelas estão inseridos o lucro do empresário, alguma propina ao responsável pelo órgão e ainda o dinheiro que será doado pela empresa a campanha no ano de eleição, normalmente, dobrando ou até triplicando o valor do gasto realizado pela administração pública.
Com o poder político que tinha o PT, se tivesse seguido ideologias socialistas, poderia ter feito uma reforma agrária definitiva, distribuindo as terras brasileiras que ainda hoje 1% da população detém cerca de 46%, sendo a grande maioria improdutiva. Poderia ter aumentado os impostos das grandes empresas (que somam apenas 2% das indústrias brasileiras, aquelas que possuem mais de 250 funcionários), detentoras de 1/3 da renda gerada no país, e diminuído o das pequenas e médias, estimulando o crescimento e a distribuição de renda, ainda aumentando a oferta de empregos. Poderia ter taxado as grandes fortunas que nem sequer pagam imposto e sonegam o pouco que deveriam pagar. Uma série de medidas socialistas que fariam com que o Brasil multiplicasse sua riqueza em pelo menos três ou quatro vezes, acabando com a chance de enfrentarmos uma crise como a que enfrentamos hoje. Poderíamos ter desmanchado o Plano Real que, desde sua criação, sabíamos que mais cedo ou mais tarde explodiria, pois, foi baseado em aumento de impostos e taxas de juro.
Nem Lula e nem Dilma foram Socialistas em suas medidas, apesar de seu histórico em movimentos sociais e revolucionários. Hoje o cenário econômico do Brasil é caótico. Não há diálogo! Nem sequer um plebiscito é feito para consultar a população. Vivemos tempos de aumentos abusivos de impostos e de taxas, onde chegamos a quase 40% do nosso PIB (semelhante ao número da Finlândia) e não vemos o retorno. Ocorrem aumentos mensais nas contas de luz, água, telefone e outros serviços. A reforma política que vem sendo feita pelos parlamentares, com o aval da Presidenta, é totalmente conservadora, portanto, de direita, tensionada ao Neoliberalismo. Se fosse Socialista, prontamente haveria uma maior participação popular e da classe trabalhadora em todas as decisões políticas, como almejava Marx. A política no Brasil é feita para grandes empresários, proprietários de terras e banqueiros, não para a população. Os Ministros nomeados em 2015 são todos conhecidos membros da direita brasileira, como o caso de Joaquim Levy e da Katia Abreu, que assumiram duas pastas que seriam importantíssimas num governo socialista: a Economia e a Agricultura. Estavam, inclusive, cotados para serem os ministros do candidato da oposição, Aécio Neves. Nossos índios estão em guerra contra os proprietários de terra e vem morrendo diariamente, apesar da imprensa não mostrar ou ainda pior, colocam a população contra eles. O MST (movimento dos sem terra), que se fosse utilizados de maneira inteligente, poderiam contribuir para a queda do preço da comida, que está elevadíssimo por causa da absurda taxa de inflação e da falta de água em muitas localidades, está cada vez mais marginalizado. O caos econômico vem causando aumento da taxa de desemprego, corte de gastos com educação, saúde, segurança e diversas outras áreas. O PT fez alguma coisa pela população, mas está rapidamente destruindo o que havia construído e ainda não fez nada do que era esperado quando assumiu o poder em 2002: desmanchar o sistema político corrupto e ineficaz brasileiro, que o partido tanto combatera em sua origem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Portanto, caro amigo leitor, nunca permita que seus amigos ou nunca se permita colocar na conta da esquerda, principalmente no Brasil, um crime que ela não cometeu: governar o país nos seus quinhentos e quinze anos de história. Existem sim socialistas espalhados pelo território brasileiro tentando dar voz àqueles que se sentem injustiçados, mesmo sabendo que vivemos em um país conservador, preconceituoso, ainda muito leigo no assunto política e que tem repulsa a essa palavra. O Brasileiro precisa se educar, precisa se politizar, precisa se inteirar de tudo que ocorre diariamente e exigir sua participação nas decisões administrativas para que possamos, aos poucos, estabelecer uma igualdade social de oportunidades. Garantir educação de qualidade a todos, hospitais com recursos para todos, consulta a classe trabalhadora, que é a maçante maioria da população, e tantas outras coisas que seriam a única maneira de crescermos sem “rabos presos” que, mais cedo ou mais tarde, nos puxarão o tapete e derrubar-nos em buracos negros, não só econômicos, mas políticos e sociais.

BIBLIOGRAFIA:

BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Século XX. São Paulo: Editora Fundamento Educacional, 2009.
CASTAÑEDA, Jorge. Che: Uma Vida em Vermelho. São Paulo: Cia das Letras, 2006.
DEL PRIORI, Mary e VENÂNCIO, Renato. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos: Uma Breve História do Século XX. São Paulo: Cia das Letras, 1995.
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Impérios. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra. 1988.
MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. O Manifesto do Partido Comunista: 1848. Porto Alegre: L&M Pocket, 2006.
MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Editora Nova Cultural, 2006.
MORAIS, Fernando. A Ílha: Um Repórter Brasileiro no País de Fidel Castro. São Paulo: Alfa-Ômega, 1976.
WILSON, Edmund. Rumo À Estação Finlândia. São Paulo: Cia das Letras, 2006.





[1] Cursou Bacharelado em História na Universidade Federal de Pelotas (Ufpel); Professor de História e Historiador pela Universidade Regional do Noroeste do Estado (UNIJUI); Mestrando do curso de Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
[2] Declaração dada na quarta-feira, 10 de junho de 2015, durante o evento em que ele recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Comunicação e Cultura na Universidade de Turim, norte da Itália. (Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2015/06/11/redes-sociais-deram-voz-a-legiao-de-imbecis-diz-umberto-eco.jhtm. Acesso em: 10/09/2015 às 17:58).

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